27 julho 2011

Os filhos do Corno de África


A terra é a minha cama
e o corpo humilhado da minha mãe, a cabeceira
à noite os bichos
escoram-me do frio e comem outros bichos
que nutrem a minha carne podre
não sei o que é um sorriso
nunca conheci outra vida se não esta

Somos tantos
deitados na mesma cama
já não me levanto
a astenia das minhas pernas
já não seguram o meu corpo
às vezes a minha mãe
mete-me um punhado de farinha na boca
para que a fome não me coma

Não sei se sou criança ou menino
aqui somos todos iguais
não existe idades nem formas
as dores vão deformando
as formas do meu corpo
e o medo assombra-me a sombra
que se cala por baixo de mim

Se pensam que nos matam enganam-se…
…Mutilam-nos

Os ossos desfazem-se lentamente
os dentes cravam a terra
tentam libar água das noites húmidas

Todos os dias adormecem milhares
na boca do inferno

Por mais que os poetas destilem
os cantores clamem
os pintores nos esbocem
jamais alguém conseguirá
abrir as portas da galeria horrenda
e expor o massacre da morte
que nos engole em jejum


Conceição Bernardino

24 julho 2011

Adeus Amy WineHouse…



Cruéis sensações que me despem em sexo banal, em retraídas masturbações hórridas, não quero um corpo. Não quero que o meu corpo se misture na conformidade de uma simples penetração sem que a arte o envolva em lirismo, em espasmos poeticamente concedidos.

Sei que os olhos por onde me passeio libam o meu peito atrevido, de uma menina com impaciência de mulher.

Que se encarnicem todos esses olhares!

Todos eles me olham com o mesmo sentido, fornicar como se fornica uma cadela com cio. Chega de me censurar, se me procuro entre olhares desejosos, quase tão cegos de gozo quanto os meus.

E agora?

Condenem-me ou chamem um padre que exorcize este ardor que sinto, quando me esguio nos lençóis devassos, mutilados pelo sexo. Quando penso que todo este cenário não passa de uma ilusão carnal, o meu sonho morre da mesma forma arcaica como o pintei. A impotência mora no descarnar de rostos fingidos onde definho os meus gemidos

quase tão decrépitos como os palhaços que nunca chegaram a sorrir.

Parto sem me vir, como outra qualquer prostituta, onde o adeus é um pronuncio de versos fúteis, dentro de uma garrafa de álcool qualquer. Dou um “xuto” e a solidão avança sem me condenar às exigências da linha recta onde pendurei as minhas veias.

Conceição Bernardino

19 julho 2011

Trocar idosos por reclusos

UMA IDEIA A EXPLORAR?...

Colocar os nossos IDOSOS nas cadeias, e os delinquentes fechados nas casas dos velhos .

Desta maneira, os idosos teriam todos os dias acesso a um duche, lazer, passeios.
Não teriam necessidade de fazer comida, fazer compras, lavar a loiça, arrumar a casa, lavar roupa etc.
Teriam medicamentos e assistência médica regular e gratuita.
Estariam permanentemente acompanhados.
Teriam refeições quentes, e a horas.
Não teriam que pagar renda pelo seu alojamento.
Teriam direito a vigilância permanente por vídeo, pelo que receberiam assistência imediata em caso de acidente ou emergência, totalmente gratuita.
As suas camas seriam mudadas duas vezes por semana, e a roupa lavada e passada com regularidade.
Um guarda visitá-los-ia a cada 20 minutos e levar-lhes-ia o correio directamente em mão.
Teriam um local para receberem a família ou outras visitas.
Teriam acesso a uma biblioteca, sala de exercícios e terapia física / espiritual.
Seriam encorajados a arranjar terapias ocupacionais adequadas, com formador instalações e equipamento gratuitos.
Ser-lhes-ia fornecido gratuitamente roupa e produtos de higiene pessoal.
Teriam assistência jurídica gratuita.
Viveriam numa habitação privada e segura, com um pátio para convívio e exercícios.
Acesso a leitura, computador, televisão, rádio e chamadas telefónicas na rede fixa.
Teriam um secretariado de apoio, e ainda Psicólogos, Assistentes Sociais, Políticos, Televisões, Amnistia Internacional, etc., disponíveis para escutarem as suas queixas.
O secretariado e os guardas seriam obrigados a respeitar um rigoroso código de conduta, sob pena de serem duramente penalizados.
Ser-lhes-iam reconhecidos todos os direitos humanos internacionalmente convencionados e subscritos por Portugal.

Por outro lado, nas casas dos idosos:
Os DELINQUENTES viveriam com € 200 numa pequena habitação com obras feitas há mais de 50 anos.
Teriam que confeccionar a sua comida e comê-la muitas vezes fria e fora de horas.
Teriam que tratar da sua roupa.
Viveriam sós e sem vigilância.
Esquecer-se-iam de comer e de tomar os medicamentos e não teriam ninguém que os ajudasse.
De vez em quando seriam vigarizados, assaltados ou até violados.
Se morressem, poderiam ficar anos, até alguém os encontrar.
As instituições e os políticos não lhes ligariam qualquer importância.
Morreriam após anos à espera de uma consulta médica ou de uma operação cirúrgica.
Não teriam ninguém a quem se queixar.
Tomariam um banho de 15 em 15 dias, sujeitando-se a não haver água quente ou a caírem na banheira velha,
Passariam frio no Inverno porque a pensão de € 200 não chegaria para o aquecimento.
O entretenimento diário consistiria em ver telenovelas, a Fátima, o Goucha, a Júlia Pinheiro e afins na televisão.
Digam lá se desta forma não haveria mais justiça para todos, e os contribuintes agradeceriam?

NOTA: Quem teve esta ideia devia ganhar um prémio. Embora na prática actual ela possa ser encarado com ironia, repare-se como reflecte um conjunto de conceitos e de vectores que tem tanto de triste como de real! Merece profunda meditação sobre a injustiça social que nos condiciona a vida.

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17 julho 2011

Corrupção e enriquecimento ilícito, cancro a extirpar

Depois de o engenheiro João Cravinho, como deputado, ter proposto legislação para combater o cancro da corrupção e do enriquecimento ilícito, o que lhe valeu o «exílio dourado» num tacho europeu, para que a sua proposta caísse no esquecimento, o problema passou a ser alvo de conversas mas sem alarido porque os mais interessados, com apoio dos jornalistas, não estavam interessados no combate eficaz.

Houve iniciativas parlamentares para iludir o Zé povinho, em que sobressaíram os nomes de Ricardo Rodrigues e outros, mas de que nada resultou de visível e eficaz porque ninguém se dispõe a matar a «galinha dos ovos de ouro». Não será lógico esperar que sejam os beneficiários de tal vício a eliminá-lo.

Ao nível das autarquias, surgiram duas notícias referindo autarcas interessados em eliminar tal peste que corrói o âmago da sociedade, Margem de lucro no urbanismo só equivalente à do tráfico de droga e, como exemplo de medida concreta, Macário ameaça chefias com despedimento.

A nível nacional, o Governo promete Luz verde para criminalização do enriquecimento ilícito o que se, por um lado, estimula esperança nos cidadãos, por outro lado, pode ser apenas mais um fogo de vistas, semelhante aos anteriores.

Mas o PGR anuncia que em oito meses recebeu mais de mil denúncias de corrupção na sua página da Internet - https://simp.pgr.pt/dciap/denuncias/ - criada para o efeito. Destas denúncias anónimas, seis deram origem a inquéritos e 83 a averiguações preventivas.

As denúncias no sector público relacionam-se principalmente com alegadas irregularidades no que respeita a entidades públicas (ou particulares às quais foi reconhecida utilidade pública), relacionadas com licenciamentos de actividades ou estabelecimentos e a contratação de bens, serviços ou funcionários. O processo de obtenção de licença para conduzir e a atribuição e gestão de subsídios públicos são outros motivos que levaram à apresentação de denúncias.

Já no sector privado, a maioria das denúncias prende-se com alegadas actividades lesivas da cobrança de receitas fiscais, recebimento indevido de prestações sociais e irregularidades na gestão de empresas, a que se associam as suas dívidas à Fazenda Nacional, à Segurança Social e aos trabalhadores.

Estas denúncias demonstram que o povo está a despertar e já se convenceu que a única medida prática ao seu alcance é esta, através da página da PGR. Mas é urgente que surja legislação de suporte à acção jurídica subsequente.

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14 julho 2011

Todos pelo AMBIENTE

Al Gore quer encontrar novas soluções para alterações climáticas
Jornal de Notícias. 13 de Julho de 2011

Al Gore vai dar mais um passo na campanha de alerta sobre as alterações climáticas. O antigo vice-presidente dos EUA, que se tornou conhecido pelo activismo na área do ambiente, vai promover, em Setembro, um evento de 24 horas com a presença de cientistas, celebridades e empresários para debater soluções para a "crise do clima".

Ainda sem uma agenda definida, o evento denominado "24 Horas de Realidade", organizado por Al Gore, vai durar um dia completo, mas apenas uma hora em cada fuso horário.

A acção de sensibilização vai começar às 20 horas do dia 14 de Setembro em cada uma das cidades escolhidas em cada fuso horário, como, por exemplo, Londres, Nova Iorque ou Pequim.

O mote para a acção de sensibilização para as alterações climáticas é o facto das mudanças do clima não serem um problema individual, mas sim "o nosso problema". Com base nesta premissa, o projecto fundado por Al Gore quer juntar as pessoas para conseguir encontrar "soluções reais, sistémicas e inovadoras" para aquilo que classifica de "crise do clima".

Com este evento de um dia, Al Gore quer mostrar que é possível mudar o mundo em apenas um dia, tal como as alterações climáticas podem fazer mudar a realidade em pouco tempo.

PROPOSTA: Proponho que nos blogs e na troca de e-mails se difunda toda a literatura existente sobre ecologia e ambiente, por forma a ficarmos muito atentos ao problema e seguirmos com atenção as actividades organizadas por Al Gore em 14 de Setembro. O problema das alterações climáticas é de cada um e de todos colectivamente.

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12 julho 2011

Professores




Professores "deuses". Utopia? É preciso "Sonhar o impossível" (Miguel Nicolelis, médico e cientista brasileiro de renome internacional)
Anteontem estava conversando sobre isso com um amigo no trabalho. Detalhe: não somos, nem de longe, da área educacional.

A meu ver, ou melhor, a nosso ver (ele concordou) a profissão de professor deveria ser, perdoem-nos a pretensão, "elitizada". Exatamente. Assim como ocorre nas grandes carreiras do setor público (Polícia Federal, Receita Federal, Senado e outros), os concursos para professor deveriam ser de alta visibilidade e extremamente desejados pela sociedade. Salário: não me arrisco a dizer, deixo a critério de vocês para que tal fato ocorra. Por quê?? Isso parece óbvio, e alguns que leram este parágrafo já têm alguma ideia do que vou escrever.

O papel do professor, a nosso ver, tem um impacto imensurável, incalculável, para a sociedade. Ora, os professores são os que detêm nas mãos, nada mais nada menos, que o futuro do país.

Na sala dos professores, hoje, estão sentados desde futuros presidentes, médicos, engenheiros, advogados, poetas, escritores, músicos e cientistas de sucesso (quiçá "Nobels") a singelos alfaiates, pintores ou escultores.

Sim, vocês, invejáveis professores, estão dando aulas a senadores, ministros, procuradores, juízes, desde simples vendedores a grandes empresários, mili ou bilionários. Sim, vocês! Mas a diferença, e isso é a meu ver, é que vocês são mais estrelas que eles, pois são vocês que os ensinam, ou melhor, os EDUCAM.

Ora, são os professores responsáveis pelo futuro do país, quem diria, do mundo, ou, quiçá, se formos ainda mais longe, da humanidade. Loucura?? Utopia?? Miguel Nicolelis, médico e cientista brasileiro de renome internacional responderia: "É preciso sonhar o impossível. Mesmo o fracasso na perseguição de um sonho impossível vale a pena".*

Os professores deveriam ser "endeusados" como ocorre no Japão. Os professores não são chamados por muitos de "mestres" à toa. Mestres independente de título de mestrado. "Ele é meu mestre", muito se ouve.
Mestres porque conduzem. Mestres porque são também artífices. Mestres que devem conduzir para formar cidadãos, mestres que conduzem para formar HUMANOS.
"Educar é formar homens de Bem, e não apenas instruí-los", já dizia a poetisa Amélia Rodrigues.

Que os professores, pois, tenham o devido reconhecimento a que fazem jus, nem que para isso sejam necessárias palavras de um simples cidadão ou mortal qualquer (usuário do Linkedin), como eu.

Um grande abraço e sucesso para vocês.


PS: Não vou me candidatar nas próximas eleições. Tudo que escrevi é de coração.
Costumo dizer que sou dos "unidos", pois "partidos", enquanto carregarem essa alcunha, nunca se unirão.

*Sobre Miguel Nicolélis: maiores informações, sugiro assistir vídeos 1 e 2, com palestra do professor para alunos da UnB - http://www.youtube.com/watch?v=SgLepzpxXYI ou texto em http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/miguel-nicolelis-sonhando-o-impossivel .


Rafael Tiengo Correia
Estudo de Problemas Brasileiros-texto copiado do Linkedin, da página do Rafael.

Foto de meu arquivo pessoal- alunas estudando com o livro Sociologia para jovens do século XXI- Luiz Fernandes de Oliveira/Ricardo Cesar Rocha da Costa

01 julho 2011

Imposto extraordinário e justiça social

O anunciado «imposto extraordinário» que consiste no corte dos subsídios de Natal, também conhecido por 13º mês, acompanhado de uma tabela das percentagem aplicáveis aos diversos níveis de salário, tem sido alvo de críticas, porque onera mais a classe média do que a classe alta.

Efectivamente, não é justo que em proporção sejam os mais pobres a pagar a crise: Vejamos quais os valores do subsídio de Natal a receber, nos diversos níveis de salários:

Quem ganha 2000 recebe 1242
Quem ganha 3000 recebe 1742
Quem ganha 5000 recebe 2742
Quem ganha 10000 recebe 5242

Assim se aumenta o fosso entre ricos e pobres

Para haver a justiça social de que tanto se fala, parece que seria mais adequado, por exemplo, que até aos 2.000 de salário recebessem o total do salário mensal, que acima desse patamar e até aos 5.000 recebessem o mesmo (2.000) e que, daí para cima, não recebessem nada, o que pouca diferença faria no seu nível de vida.

Bem sabemos que será necessária muita coragem ao Governo para enfrentar os mais poderosos. Mas é nestas situações que se mostra a autoridade moral !!! Mas não seria impossível adoptar uma solução baseada nesta sugestão pois até o Líder dos empresários apoia imposto e diz que consumo no Natal "é um disparate". Realmente, em época de crise, seria sensato afrouxar a ânsia de consumismo e de ostentação em dissonância com a realidade actual.

Imagem da NET

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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