Cá dentro, bem dentro de nós, lá no fundo, moram as nossas grandezas que nos distinguem dos outros mamíferos, enquanto seres inteligentes. Mas cada vez mais, menos vezes essas grandezas são utilizadas. Deixamo-las dormir, substituindo-as por batalhas constantes de assuntos banais que navegam à altura do nosso olhar. Enquanto a preguiça de nos olharmos e nos escutarmos se mantiver num hábito corriqueiro, desatento às questões sociais de fundo, os nossos valores mais elementares não despertam: Dormem sem sequer se poderem enriquecer na mistura e fermentação com outros valores e grandezas do pensamento humano.
Sei, no entanto, que os que ousam manter desperta a racionalidade inteligente, estudando-a, comparando-a, enriquecendo-a no tempo e no espaço e confrontando-a com valores e poderes instalados, são muitas vezes ignorados e incompreendidos intencionalmente.
Por outro lado a persistência da vida social ritualizada e adversa a mudanças, torna infrutíferos os esforços daqueles que teimam em despertar nos outros e em si mesmo, o que todos e cada um tem cá dentro, bem dentro de nós, bem lá no fundo; onde moram as nossas grandezas que nos distinguem dos outros mamíferos (e mafarricos!?).
A maré do comportamento social do tempo que corre, mais forte, violenta e pesada, num tempo que vive do supérfluo e de banalidades alienadoras, se vai distanciando cada vez mais da percepção da existência das grandezas que todos e cada um tem dentro de si, adormecidas. Já não é fácil ser justo, isento e remar contra a maré, tantas marés!?
CÁ DENTRO
Neste rosto que vos mostro,
Sempre alegre e satisfeito:
Esconde o que me vai no peito
E que recebo com desgosto.
Transformo as lágrimas em gosto
Vos engano com respeito,
De vos sorrir é meu jeito,
Compreender-vos é me imposto.
Como réu também sou posto,
Por ingénuo ou imperfeito.
Mantêm-se-me o nó do desgosto.
Não se vê neste meu rosto,
A minha alma, meu jeito,
Nem o mundo que mais gosto.
Caro Faria,amigo, vi logo que alguém estava a colocar um texto...dou-lhe os parabéns pelo mesmo e pelo tema.
ResponderEliminarUma abraço
Mário Relvas
Obrigado Amigo Mário Relvas. Foi com alguma dificuldade que lá cheguei. Publiquei em duplicado, depois lá consegui eliminar um. Flta-me saber inserir fotografia.
ResponderEliminarHei-de lá chegar...
Um abraço!
Ah, José Faria, José Faria! Cá dentro é verdade! Cá dentro! Cá dentro é que leas se afogam... por fora todo o mundo pode cantar, mas cá dentro!
ResponderEliminarMuito bem conjugado, amigo Faria.
Até sempre: david
Amigo Faria, dou-lhe as boas vindas aqui nas postagens, pois no blogue já é habitual nos comentários. Em relação a colocar a fotografia, no editor de texto tem um simbolo da imagem, tem de clicar aí e seleccionar a imagem que quer colocar. Vai ao ficheiro as minhas imagens, ou procura uma na net (aconselho o google).
ResponderEliminarNo entanto quando acede ao quadro onde introduz os seus dados, no fundo de todo pode seleccionar o idioma (Português) que prefere. No mesmo quadro, verfique que tem instruções para tudo o que pretenda fazer é só ler ecolocar em prática.
Cumprimentos