Zeca Afonso
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo asasas pela noite calada
Vêm embandos com pés veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Já há pouco que comer,caro Mário margaride.Não esquecer que este poema serviu outros tempos,mas nunca ficou tão bem aplicado como hoje!
ResponderEliminar"Lá vamos cantando e rindo,levados levados sim,pela voz do som tremendo,clamores das brumas sem fim"...
Um abraço
MR
Olá amigo Bendix!
ResponderEliminarSó pelo facto de eles continuarem a comer tudo, é que o Zeca continua sempre e sempre cada vez mais vivo.
E pouco importa catalogá-lo politicamente, ou simplesmente cantor de intervenção.
Os gatunos do povo é que o mantem vivo enquanto comerem tudo, tudo que ao povo pertence.
Um abraço.
Desculpe lá amigo Bendix,chamei-lhe MMargaride.Foi sem intenção.
ResponderEliminarUm abraço amigo Bendix
MR
Obrigado, Bendix. Os homens, mesmo os mais brilhantes, vão, não ficam. Mas o que sai da boca ou é passado ao papel pelos "patetas", desde que seja certo e chegue na hora ideal, jamais morrerá. Há-de ficar sempre e é essa a função do "pateta", para chatear uns e alegrar outros.
ResponderEliminarParabéns amigo, bendix.
Até sempre: david santos