14 novembro 2006

TRANSFIGURADOS

Quererás o nosso viver com eu o vivo?...
... ingrato bem pesado, um chumbo, pesamente
olharmo-nos na cara, mas com amor sincero,
só com os nossos corações e o tempo ausente.

Agarrados ao que há de pior e de mais caro
existe em nossos pensamentos francos o passado,
a vida assim já ida e o cansaço, o reparo
ao nosso antigamente, afastado.

Não queres mais nada. Eu não anseio
pois tudo já está bem guardado, se te der tanto
a vontade é mera, e tudo serão penas.

Que baixeza... a transfiguração do nosso corpo
que fora perfeito. Um espanto!
se desfez em rugas e melenas.

david santos

2 comentários:

  1. Amigo David. Pois é...! Quem andou não tem para andar! Era bom. Que pudéssemos ficar eternamente jovens!
    Era bom era...!
    Gostei muito deste poema!
    Um abraço
    Mário.

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  2. Sublime, caro amigo David, ao ler este poema fez-me recordar os que já partiram deixando lugar á dor, a dor da perda, mas como a única certeza da vida é a morte, bem haja e gostei particularmente.

    Um Abraço
    Beezzblogger

    ResponderEliminar

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