02 janeiro 2007

"NEVOEIRO"

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Fernando Pessoa 10/12/1928

5 comentários:

  1. Lindo, bezz.
    Grande poema.
    Abraços.

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  2. Anónimo2/1/07 18:56

    OLá beezz,o Fernando tem poemas fantásticos...e nunca estiveram tão actuais!

    Será por isso que bebia uns canecos e se suicidou?

    Pena...

    abraço

    Mário

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  3. Pessoa sempre actual!
    (...) "É hora!"
    Mas a hora não chega. Pois, enquanto houver brilho sem luz e sem arder....

    Sempre actual e a tentar despertar quem dorme!

    José Faria

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  4. Vem bem a propósito, do que se passa neste cantinho à beira-mar plantado!
    O Durão, agora já trocou de opinião outra vez, agora já critica os promotores das guerras... será que o homem se quer candidatar a Prémio Nobel da Paz? A esposa bem que o baptizou de "Cherne", o homem joga para o lado que lhe convém, não mantém uma linha coerente.
    Como ele a deriva, anda a nossa "classe" política! Desclassificados!!!

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