Eu sonhei até, mas nesta altura estou vendo
a realidade que sonhei duvidando;
que nada é como quando estava sonhando
já era minha real vida morrendo.
Sonhei; mas se querem saber: – O quê?
– Não direi; pois já estava duvidando.
Era livre, aquele meu viver voando
que o irreal, por vê-lo, o meu sonho não se vê.
Estive a sonhar, sossegadamente.
Confianças sim, mas não duvidas;
sonhava, mas via realidades.
Em quem me tornei, tudo é tão diferente?
Mas alguém ouvirá as minhas súplicas
quando o sonho e a realidade já não são verdades?
David Santos
Amigo poeta.
ResponderEliminarGostei do seu poema.
Não deixe de sonhar pois, mesmo que os sonhos não se tornem realidades, já foi bom ter sonhado.
Aproveito para lhe enviar um soneto que fiz há tempos sobre o mesmo tema:
SONHOS
Os sonhos que sonhei já foram tantos/ as paixões que vivi já tanto arderam/ que os meus olhos agora só de prantos/ são ecos que p'la vida se perderam//
Mas sonho ainda em teimosia ardente/ que um dia venha em todo o seu fulgo/ uma estrela do céu incandescente/ e tombe sobre mim o seu amor//
Sonhos, minhas galáxias do futuro/
onde abraço o que em mim há de mais puro/ imagens de outra vida, sem miragem//
Os sonhos que sonhei e me embalaram/ fiéis, presos a mim se enredaram/ serão meus companheiros na Viagem//