22 março 2009

Impasse no Poder. Ineficácia do regime

O Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, está no cargo desde Junho de 2000 e já devia ter sido substituído há 8 (oito) meses. Se o regime funcionasse bem, na data em que terminou o mandato devia ser dada posse ao seu substituto já anteriormente escolhido. Mas, passados 8 meses, ainda não foi decidido quem o irá substituir.

Segundo a revista “Visão”, nos últimos meses têm sido propostos pelo PS nomes como Freitas do Amaral, António Arnault e Rui Alarcão. Mas estes foram rejeitados pelo PSD, que apresentou Laborinho Lúcio. Por sua vez, este nome foi descartado pelos socialistas. Acima dos interesses de Portugal, os partidos colocam as suas ambições e desgastam-se em tricas, esmagando os interesses nacionais.

Infelizmente, os políticos esqueceram que Política é a ciência e arte de bem gerir os interesses dos Estados para benefício dos cidadãos. Preferem ver a política - com p minúsculo - com a «habilidade» de se governarem a si e aos boys dos partidos e caçar o máximo de votos, mesmo que os métodos utilizados prejudiquem seriamente os cidadãos.

O próprio Nascimento Rodrigues diz que este “braço de ferro” assemelha-se, a uma “comédia à portuguesa” e “desprestigia os decisores políticos, intranquiliza o funcionamento normal da Provedoria e deixa os cidadãos cada vez mais descrentes da qualidade da nossa democracia”. Oito meses é tempo demais para se poder continuar a ter paciência, e para se poder ter confiança em tal democracia! “O país acha admissível que o provedor continue refém destas circunstâncias até ao fim do ano ou, quem sabe, até depois?”

Perante as palavras de Nascimento Rodrigues, o porta-voz do PS, Vitalino Canas, vestindo a habitual capa de «His master’s voice», em vez de dar aos portugueses justificação credível para o atraso de 8 meses, como não tem tal justificação confessável, tentou virar o bico ao prego e dizer que lamenta as declarações do Provedor de Justiça. Coitado do porta-voz! Presta-se a cada uma! E, possivelmente, estará convencido que convenceu alguém isento e de boa vontade.

Só admiro a paciência e sentido de Estado de Nascimento Rodrigues. Muitos em seu lugar teriam fechado a porta e entregue a chave ao Presidente da AR, para a entregar a quem entendesse.

Não existe nos maiores partidos a noção do que é negociação, pensando o do Governo que ela se resume a impor a sua própria opinião em defesa dos próprios interesses partidários e ignorando os do País.

Alguns títulos das notícias de hoje sobre este tema:

- Nascimento Rodrigues acusa PS de “apetite” pelo cargo de Provedor de Justiça
- Vitalino Canas lamenta declarações do provedor de Justiça
- PS pressiona PSD e diz que fez “proposta de nome forte” para provedor de Justiça -
- PSD está em risco de ser excluído da escolha
- Processo de escolha do novo Provedor da Justiça «está a ser mal conduzido», diz Menéres Pimentel
- BE confronta Sócrates com vazio no cargo de provedor de Justiça desde Julho

5 comentários:

  1. UMA NOTÍCIA
    A JORNADA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA
    UM ESTRONDOSO ÊXITO
    O dia amanheceu sem nuvens significativas. O Sol pareceu querer saudar o evento. E não
    era para menos!
    Neste dia 28 de Fevereiro de 2009, e pela primeira vez desde 1801, a Língua Portuguesa
    manifestava-se livremente em Olivença. Mais do que isso, com a "cobertura" das
    autoridades espanholas máximas a nível local e regional. E, talvez ainda (!) mais
    importante do que tudo isso, graças à iniciativa, ao esforço, à coragem de uma associação
    oliventina, a Além-Guadiana.
    Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E talvez por acaso, pois
    outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação portugueses,
    empenhados com outras realidades informativas. De facto, decorria o Congresso do Partido
    do Governo em Lisboa.
    A Jornada do Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto Convento português de
    São João de Deus. Num clima de alguma emoção. Estava-se a fazer História... e quase 200
    pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio Torres, o "herói" do
    mirandês Amadeu Ferreira, e... bem... fiquemos por aqui!
    Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández
    Vara. Curiosamente, um oliventino. Foi comovente ouvi-lo confessar que, na sua casa
    paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele ainda conserva, apesar
    de já ser bem crescidinho... e Presidente duma região espanhola.
    De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de Olivença, Manuel Cayado,
    falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e acentuando o papel de
    Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.
    Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma breve intervenção, em
    que se destacou a insistência no aspecto cultural da Jornada.
    Juan Carrasco González, um conhecido catedrático, falou das localidades extremenhas,
    quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para Olivença, e defendeu
    que tal característica se deveria conservar.
    Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto dos Direitos
    Humanos e Consultor do Conselho da Europa, vindo de Navarra, embora nascido no País
    Basco, que defendeu as línguas
    minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação às mesmas. Informou
    a assistência sobre o ocorrido com o Português de Olivença. De facto, o Conselho da
    Europa já havia pedido informações ao Estado Espanhol sobre este desde 2005, sem que
    Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana, fora possível conhecer
    detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.
    Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o papel da Língua
    Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso foi extremamente
    importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava (e ainda há quem procure)
    menorizar o Português face ao "poderio planetário" do espanhol/castelhano.
    Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a voz de alguns
    oliventinos, em Português, bem alentejano no vocabulário e no sotaque, em intervenções
    comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão
    linguística não muito longe no tempo.
    À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (pela fala galega, nascido na raia extremenha) e
    José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), ambos
    professores universitários, que continuaram a elogiar políticas de recuperação e
    conservação de línguas minoritárias. O segundo fez mesmo o elogio da existência de
    fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão de culturas
    diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.
    Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a
    experiência significativa de recuperação, quase milagrosa, do Mirandês, a partir de uma
    muito pequena comunidade de falantes, convencidos, afinal erradamente, de que aquela
    língua tinha chegado ao
    fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.
    Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a propósito dos
    projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à "oficialização".
    Queixou-se do estado de abandono em que se sentia o povo de Barrancos face a Lisboa.
    No final, foi projectado um curto filme sobre o Português oliventino, realizado por
    Mila Gritos. Nele surgiam
    oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os
    preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias
    pitorescas. A finalizar o "documentário", uma turma de jovens alunos de uma escola numa
    aula de Português
    pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.
    Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação
    Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características alentejanas do Português de
    Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.
    A noite já tinha caído quando, e não sem muitos cumprimentos e alegres trocas de
    impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada abandonaram o local. Com a
    convicção de que tinham assistido a algo notável.
    Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

    ALENTEJO POPULAR (jornal Progressista), 5-Março-2009
    OLIVENÇA DEFENDE PORTUGUÊS
    (grande fotografia do Convento de São João de Deus em Olivença, com carros e pessoas à
    sua porta)
    ANTÓNIO MARTINS QUARESMA/HISTORIADOR
    Conforme o «Alentejo Popular» noticiou no último número, realizou-se no passado 28 de
    Fevereiro, em Olivença, um encontro, que teve por tema central o português oliventino,
    isto é, o português alentejano ainda falado naquela cidade pela franja mais idosa da
    população.
    A organização deste Encontro deve-se à recentemente fundada associação oliventina Além
    Guadiana, que, estatutariamente, persegue a revitalização das raízes culturais
    portuguesas, em particular da língua. Esta Associação, dirigida por jovens, representa em
    Olivença uma nova maneira de encarar a cultura tradicional, valorizando-a e combatendo o
    preconceito que normalmente atinge as formas de cultura popular.
    O Encontro foi apoiado pelas instituições locais e regionais espanholas, como o
    "Ayuntamiento" de Olivença e a Junta de Extremadura, que aliás estiveram presentes
    através do Presidente da Junta, o também oliventino Guillermo Fernández Vara, e pelo
    "Alcalde" de Olivença, Manuel Cayado Rodríguez.
    Recorde-se que em Olivença, antiga vila portuguesa desde o século XIII, anexada à
    Espanha no princípio do século XIX, o português se falou maioritariamente, até há bem
    pouco tempo. Hoje em dia, é falado apenas por uma minoria, mas os vestígios materiais da
    presença portuguesa são numerosos e muito visíveis. A influência portuguesa é sentida
    também nos «pormenores». A doçaria, por exemplo, onde sobressai um saboroso doce, que dá
    pelo peculiar nome de técula-mécula, é familiar ao nosso gosto alentejano.
    Nesta jornada estiveram presentes alguns linguistas, portugueses e espanhóis, cujas
    comunicações se revestiram de alto nível. Eduardo Ruíz Viéytez fez ressaltar a ideia de
    que a defesa das línguas minoritárias, como o POrtuguês oliventino, é também uma questão
    de Direitos Humanos e uma preocupação do Conselho da Europa. Juan Carrasco González
    explicou as variedades linguísticas da fronteira. Lígia Freire Borges falou no papel do
    Instituto Camões. José Gargallo Gil dissertou sobre fronteiras e enclaves na Península.
    Manuela Barros Ferreira trouxe o MIrandês, a língua minortitária de trás-os-Montes.
    Manuel Jesus Sánchez Fernández focou as dificuldades do Português oliventino. Servando
    Rodríguez Franco mostrou exemplos de alterações toponímicas em Olivença, resultantes da
    interpretação castelhana do POrtuguês. Domingo Frades Gaspar discorreu sobre a língua do
    vale do Eljas. António Tereno, o único responsável político português presente, explicou,
    por sua vez, as vicissitudes por que tem passado o processo de «classificação» do
    «barranquenho».
    Um momento especial foi a intervenção de José António Meia-Canada (querem apelido mais
    alentejano?), natural de Olivença, que, na sua língua materna, deu genuíno testemunho do
    Português oliventino.
    Por fim, foi projectado um projectado um documentário sobre o Português de Olivença,
    realizado a propósito. Após a projecção, com a noite já entrada, a Jornada terminou, no
    meio de geral satisfação, pelo seu êxito e pela geral convicção de que se estão a
    realizar acções profícuas no sentido da defesa do Português oliventino.
    Uma palavra ainda sobre a Associação Além Guadiana. Ela tem o seu sítio na "net", onde
    se podem encontrar notícias sobre as actividades que desenvolvem, para além de diversas
    informações com interesse. Basta procurar no Google, ou ir directamente aos endereços
    "http://wwwq.alemguadiana.com" e "http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/". O Presidente da
    Direcção é Joaquim Fuentes Becerra. Os restantes mebros são Raquel Sandes Antúnez,
    conhecida de todos os que gostam de boa música e do grupo oliventino Acetre, Felipe
    Fuentes Becerra, Fernando Píriz Almeida, Manuel Jesús Sanchez Fernández, Eduardo Naharro
    Macías-Machado, Maria Rosa Álvarez Rebollo, José António González Carrillo, António
    Cayado Rodríguez e Olga Gómez.
    À laia de apelo, deixamos aqui uma nota final, dirigida especialmente às entidades
    portuguesas responsáveis pela política cultural, para que, à semelhança do que fazem os
    nossos amigos oliventinos, também em Portugal se preste atenção ao Português alentejano
    de Olivença.

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  2. Caro A João Soares, esta treta toda, e perdoe-me a expressão, já me mete nojo. Estes senhores "fazedores de opinião", e "Operadores" democráticos, sem nuncao serem, demonstram, tanto PS, como o PSD, qual quadrilha mais em formada, que só peca pelo nome, que faz inveja à "CAMORRA", e "Cosa Nostra", tem o desplante de deixar um orgão de soberania como a provedoria de Justiça, ao deus dará, por meras quezílias familiares.

    Amigo, sinto que temos de fazer algo, temos o dever de nos defendermos desta gentalha oportunista, e sangussuga que nos tem atormentado ao longo destes últimos anos.

    Eu, como cidadão, já incomodo, já o faço exercendo a minha cidadania, aqui:
    http://pulseiraelectronica.blogspot.com

    E nos meus locais habituais.

    Junte-se a nós.

    Abraço do Beezz

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  3. Caro Beezz,
    Uma vergonha, mas vergonha é coisa que eles não têm nem conhecem.
    Li recentemente algures que o comportamento das pessoas e das nações é condicionado por dois factores antagónicos: o amor o medo.
    «A vida é uma mistura de bem e de mal, o homem está entre a besta e o anjo», segundo diz José Gil.
    Olhando com atenção para os políticos, verifica-se que não têm amor a nada e, sendo extremamente egoístas, só pensam no seu benefício actual e nos tachos dourados futuros e nas reformas milionárias acumuladas. Desconfiam de tudo e têm um medo ilimitado de que lhes tirem os votos, medo dos outros partidos e medo dos próprios companheiros de partido que lhe possam fazer sombra. Agem como feras acossadas e desconfiadas de tudo. Repare bem na voz e nos gestos do PM quando vai à AR. É um livro aberto. Isto acontece no improviso, mas no discurso preparado fazem uma camuflagem destes instintos primários de defesa, usando as mais modernas técnicas de marketing, em que procuram usar a simpatia, as promessas, a fumaça e a poeira para ocultar as realidades e conquistar votos de ingénuos como é a maioria dos cidadãos.
    Porém, quanto à simpatia, temos que ter cuidado, nada de ilusões, porque simpatia, sem mais, não é um predicado abonatório. Há quem não goste de me ouvir dizer isto, mas explico. É preciso ver o que motiva o sorriso, a afabilidade, porque todo o vigarista tem de ser simpático para que nós lhe compremos o «vigésimo premiado».
    Temos que estar prevenidos. A personalidade dos políticos vê-se quando estão zangados com a oposição ou porque apareceu um «cartaz vergonhoso» ou porque imaginam uma «campanha negra» ou insinuações, ou «tentativas de assassinato político» etc, e é preciso «malhar».
    São todos esculpidos em formas idênticas, mais idênticas quando têm aspirações a ocupar as cadeiras do Poder.
    Agora, no problema da escolha do novo Provedor, que já devia ter sido feita há mais de nove meses para tomar posse quando o actual terminasse o mandato, está à vista que o que lhes interessa não é o benefício de Portugal mas o do respectivo partido. E não querem um homem sério e isento capaz de servir o País, querem um amigalhaço que esteja do lado deles contra os outros. Na actual politiquice não se apreciam homens honestos mas homens corruptos que se verguem ao poder para merecerem os benefícios da sua obediência canina. Não pode haver dúvidas nisto, dada esta guerra para lá colocarem um em vez de outro.
    Se este raciocínio não está correcto, expliquem-me as razões destas demoras de tantos meses para escolherem um Provedor a seu jeito.
    Abraço
    João Soares

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  4. Gostei do blog. Informativo e opinativo.

    Continue assim

    Daniel Barreto
    papodepolitica@ymail.com
    http://papodepolitica.blogspot.com
    Se lhe interessar, tenho esse blog sobre Política e Relações Internacionais

    Abs!

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  5. Eu sempre disse e penso não vir a deixar de dizer. O PS e o PSD são seitas de malfeitores. Nisto de Provedor abaixo, Provedor acima, há interesses malignos. Poder. Dineiro. Poder. Dinheiro e.....
    Não houvesse destas coisas, o problema já estava bem resolvido.
    Mas o povo continua calado e sereno.
    Abraços.

    David Santos

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