não me negues o olhar
agora que já não te consigo ver
os sentidos perderam-se na boca do inferno
na língua de cadáveres esfomeados
penosamente, dóceis como ópio
não rasgues o céu que não te pertence
no brilho que refutas com inglórias
de tudo, que já não te é semelhante,
guarda o fato preto, abutre!
encharca-o de naftalina
quando eu morrer serei as cinzas da tua cegueira,
na garganta do meu silêncio guardarei
os nós do arame farpado dos teus gritos
Conceição Bernardino
Amigo,
ResponderEliminarAdorei este poema que revela amargura pelo momento que se vive e que parece não ter fim.
Desejo que apareça a tal Luz ao fundo do túnel para nos iluminar e dar alento!
Um bom fim-de-semana.
Gosto destes poemas. Não se conseguem entende de uma só vez. É preciso votar atrás e saltar linhas, juntar palavras. São nós de arame farpado que ainda estão atravessados.....
ResponderEliminarOlá Conceição!
ResponderEliminar«Hoje trazes a vampirada à rua, mas da forma menos cruel». Os vampiros, mesmo com a garganta "estranfalhada" com facas de lâminas bem afiadas conseguem fazer passar para o exterior todo o seu poder naftalino e semear tempestades, cuja dimensão, é impossível de corrigir.
Contudo, de "fato preto guardado", ele pode tornar-se um (anjinho). E, caso assim seja, não há diabo, por muito diabólico que seja, que consiga assobiar para abutres.
Só tu, Conceição, só tu! Só tu com a tua serenidade e espírito liberto consegues varrer as "cinzas da cegueira" e trazer até nós um tão lindo e brilhante texto.
Um abração para ti, minha filha Conceição Bernardino.
Até sempre, David Santos