26 outubro 2010

ainda ontem saltei o muro de Berlim



Dói-me a morte


nesta réstia de vida que desconheço


onde os rostos desfocados


se reproduzem na cal,


em papéis impressos num registo qualquer


onde habita o medo,



ainda ontem saltei o muro de Berlim



A paisagem decompõe-se


e outro muro mais alto se levanta


nesta terra improdutiva,


onde os ossos são visíveis a olho nu.



Levem-me este corpo


onde a vida pernoita, em limos incendiados


tolhida no último fio de tinta,



ainda ontem saltei o muro de Berlim





Conceição Bernardino

4 comentários:

  1. Cara Conceição, basta de baixar os braços e começar a compor a paisagem. Para tal, deve começar uma caça aos responsáveis a este local onde «habita o medo».

    Estes não são difíceis de encontrar: estão na Banca, na Política e nos Media.

    Do que é que estamos à espera para assassinar os assassinos?

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  2. Um poema lindíssimo e sempre actual.
    Foi ontem, foi hoje e talvez amanhã tudo isto volte a acontecer,

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  3. Olá Victor.
    Depois de ver no blog da Ana Martins, de quem sou seguidora, que o irmão foi em parte "responsável", dado o apoio e incentivo, na publicação do seu primeiro livro de poesia, não resisti ao impulso de vir visitá-lo.
    Agora foi, apenas, uma visitinha rapida. Mas, voltarei com tempo e, para já, vou ficar seguidora.

    Quanto ao poema, que é o reflexo do sentimento da autora, digo que, felizmente, o muro de Berlim já não existe. Contudo, ainda há muitos muros e obstáculos a derrubar, para que as paisagens não se decomponham e a terra volte a ser produtiva.
    Saudações cordiais.
    Janita

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  4. Olá Conceição.
    Venho pedir desculpa pelo lapso cometido, por pura distração, da minha parte.
    Sei que este é um blog colectivo, no entanto, não me apercebi que quem publicou o poema foi a própria autora.
    Para o facto, peço a sua boa compreensão.
    Saudações cordiais.
    Janita

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