29 outubro 2006

Maomé e a Guerra Santa

... parte VIII

A expansão

As vitórias militares e a consequente expansão do Islão explicam-se em grande parte pelo poder da sua fé. O Corão, a palavra de Deus, é um texto muito completo e versátil. Está repleto de máximas e de histórias profundamente morais, e além de conter referências sobre como governar a vida pessoal também possui indicações específicas de como governar uma nação, possuindo ainda um código de leis completo. O seu maior triunfo, porém, é estar escrito de forma acessível, bastante clara e num texto onde quase não há lugar a ambiguidades.
A extrema simplicidade do Islamismo era e ainda é muito apelativa para os fiéis: existe um único Deus, que designa o seu representante na Terra para que este lidere os fiéis, e existe um livro, o Corão, que contém tudo o que qualquer crente precise ou precisará tanto para o dia-a-dia como para o governo de um povo. As leis e os rituais deste livro devem ser cumpridos à letra. É uma fé muito prática que, em vez de esperar um mundo de paz que nunca aparece, propõe a guerra como um meio perfeitamente válido para alcançar a estabilidade, a ordem e a prosperidade do seu povo.
A propagação do Islamismo foi rápida e eficiente. Ainda durante a vida de Maomé tiveram lugar as primeiras tentativas de expansão, através de pequenos ataques mal sucedidos na Palestina. O Império Romano, ainda sob o efeito da devastação persa no início do século, não estava contudo nas melhores condições para impedir o inevitável avanço árabe.
Maomé teve um forte sucessor, Abu Bakr, que verdadeiramente concretizou as intenções expansionistas do povo árabe. A Arábia, que já se encontrava praticamente sob o domínio do Islão no fim da vida do Profeta, foi finalmente islamizada na sua totalidade com a expulsão definitiva dos persas dos seus territórios no Bahrein. Abu Bakr conseguiu ainda o avanço para norte, com a entrada na Palestina e a conquista se Gasa.
A população não foi atacada e apenas a guarnição romana foi destruída. com a posse da cidade concretizada, os árabes não viram qualquer necesidade em prejudicar os habitantes. A tolerância para com o povo e para com várias fés sempre foi uma constante ao longo de toda a história do Islão. As desvantagens desta tolerância ficariam porém bem evidentes alguns séculos mais tarde com a chegada dos cruzados.
Em 634, Omar sucede a Abu Bakr, sem dar mostras de falta de vitalidade para continuar a expansão. O imperador romano, Heráclio, entretanto na Síria, começa a levar este novo inimigo mais a sério, e o fim da guerra tinha deixado as províncias do Império desprotegidas e esgotadas. Depois de uma guerra tão prolongada contra os persas, não havia moral suficiente no Exército para novas lutas
continua...

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