... parte V
Maomé
Abulqasim Mohammed ibn Abdala ibn Abd al-Mutalib ibn Hashim, (ou nas formas tradicionais portuguesas, Mafima, Mafamede), nasceu em Meca, na actual Arábia Saudita, provavelmente no ano 570 da era cristã. O nome Maomé significa "digno de louvor". Pertencia ao clã dos Hashim (Banu Hashim), um dos ramos da tribo dos coraixitas, guardiã da Caaba, templo nacional do povo árabe.
Os dois ramos em que se subdividia a tribo dos coraixitas - os hachemitas e os omíadas - ocupavam todas as posições importantes da comunidade desde 440, mas os primeiros aos poucos perderam fortuna e influência.
Órfão desde muito jovem, Maomé foi criado primeiramente pelo avô paterno, Abd al-Mutalib, e mais tarde pelo tio, Abu Talib, colector de impostos e mercador, que o iniciou nas artes do comércio. Aos 25 anos, já com a reputação de comerciante honesto e bem sucedido, casou com a rica viúva Cadidja, 15 anos mais velha do que ele. O matrimónio durou até a morte de Cadidja, vinte anos depois.
Saliente-se que a Arábia politeísta do tempo de Maomé sofria várias influências externas, tanto do Cristianismo de Bizâncio como das ideias religiosas judaicas, abissínicas e persas. Meca era um importante e próspero centro comercial e religioso, que abrigava na Caaba os ídolos de todas as tribos da península e os deuses da religião de todos os chefes de caravana que ali passavam. Adoravam-se ali mais de 360 deuses.
Preocupado com a ideia de restabelecer a religião monoteísta de Abraão (Ibrahim, em árabe), Maomé terá tido uma visão do arcanjo Gabriel, que lhe revelou a religião que devia professar. As revelações ter-se-iam repetido durante toda a vida do Profeta, que desde logo se empenhou em transmiti-las.
Por volta do ano 650, as revelações terão sido complidas, dando origem ao Alcorão (ou Corão), livro sagrado muçulmano. A nova religião foi chamada Islão, que significa "submissão à vontade divina", e os seus adptos muçulmanos, "os que se submeteram".
Viajante, Maomé tomou contacto com os mais variados credos, e obteve as bases necessárias para criar uma nova religião. Simpatizava com o Cristianismo monofisista, mas a doutrina da Trindade não lhe parecia apropriada para a nova religião que pretendia propagar. A solução, para ele, encontrava-se numa nova forma de monoteísmo cristão, mas mais próxima da tradição hanif, que ele tanto admirava.
A Trindade parecia desadequada para unir um povo; a nova fé deveria ser simples e apelativa, apropriada ao espírito árabe, que ele tão bem conhecia. Maomé, profundo conhecedor das necessidades do seu povo e um visionário político extraordinário, conseguiu implementar a sua fé de uma forma tão sólida que sobreviviu à sua morte. Saliente-se que, frequentemente, o súbito sucesso de novos líderes desaparecia com a morte destes.
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