A última carta
Porto, 14 de Fevereiro de 2007
Meu amor,
Talvez esta seja a última carta que te escreva, não sei se algum dia a irás ler. Juntar-se-á a tantas outras que te tenho escrito, que guardo naquela caixinha fechada já envelhecida pelo tempo.
Sinto-me franzida, não sei quanto tempo mais irei eu aguentar, aqui cerrada neste quarto, onde a escuridão prevalece desde o dia que separaram nossos corações.
As tábuas continuam pregadas na janela deste quarto frio, onde tudo começou, trancaram a luz do sol. Perdi tudo quanto tinha, a minha adolescência guardou o teu rosto, o sabor do teu beijo. É nele que eu penso, que mantém vivo este corpo compassivo. Não sei quantos anos já passaram, vou contando os dias no espelho em cada cabelo branco que penteio.
Meu amor, lembras-te quando passavas todos os dias por esta janela, onde eu te esperava toda a tarde só para te ver passar?
É lá que ainda hoje me encosto, para sentir o cheiro do teu perfume dentro da minha alma.
Idolatro-te, amo-te como se fosse a primeira vez. Em cada segundo que passa, as forças escasseiam-se...
Um beijo desta que te amará por toda a eternidade
Da tua Josefina
PS: Homenagem ao dia dos namorados
Conceição Bernardino
Belo texto! Cheio de intensidade e melancolia, mas belo...
ResponderEliminarBeijinhos
Mário.
Lindo, com de facto já nos tens habituado, continuaa escrever ssim, que como dizia o Rui Veloso « quem escreve assim não é gago:::»
ResponderEliminarAbraços do beezz