14 abril 2009

QUE MALDITOS OLHOS, OS MEUS!

Já não sei o que os meus olhos vêem,
Se saudade, se bondade, se maldade,
Sinceramente, não sei o que é que têm,
Perderam a noção da visibilidade?

Estarão cegos, mas pensam ver alguém?
Olham, mas notam nacos, grandes e pequenos,
Estão baralhados e perdidos, mas serenos
Ou olham mas não crêem no que vêem?

Que dó, eu tenho dos meus olhos…
Será que algum dia os meus olhos viram bem?
Fortunas, dizem-me eles, aos molhos…

Mas mais miséria, dizem-me, também,
Miseráveis de espírito, hoje, são donos,
Ricos de espírito, hoje, não são ninguém.

David Santos

6 comentários:

  1. Espectacular! Amigo David, este tem aquele gostinho...

    Abraços do Beezz

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  2. Caro amigo e colega David,
    desconhecia completamente a sua veia poética, uma bela surpresa devo confessar!

    Quanto ao soneto, um verdadeiro hino de alerta critica à podridão do nosso país... Gostei, parabéns!!!

    Beijinhos,
    Ana Martins

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  3. Amigo David, os nossos olhos vêm muito, sobretudo quando a experiência de vida se alicerça no conhecimento, essa é a vantagem que faz a diferença, entre olhar com olhos de ver e olhar sem saber ver!
    Ás vezes também só vemos o que queremos e o que nos perturba rejeitamos.
    Gostei da mensagem...

    Um abraço

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  4. Olá

    Gostei muito do soneto! Com um cheirinho a ironia.

    A verdade é que os malditos olhos nossos só vêem o que querem ver!!!

    Abraço

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  5. Muito bonito adorei!!
    Parabéns!!
    Um abraço!!!

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  6. Excelente composição poética esta, que diz bem bábara sociedade que criamos e alimentamos.

    "Mas mais miséria, dizem-me, também,
    Miseráveis de espírito, hoje, são donos,
    Ricos de espírito, hoje, não são ninguém."

    São estes miseráveis de espírito, consumidos pela ganância e amargura interna, que, com seu toque quase profético, quebram laços e valores, transformam o belo em desprezível e, no fim, nada mais são que pó. As riquezas acumuladas de nada lhes servirão e aos seus semelhantes faltarão em doses de equidade e justiça social.

    Cordiais saudações,
    Maria Faia

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