26 outubro 2020

Ignoremos tudo




Ignoremos tudo.

Sepultemos bem fundo

As nossas consciências

As nossas culpas

A paixão pelos que sofrem

O estandarte da solidão

A miséria, a vergonha

A riqueza, a ostentação.


 

Ignoremos tudo.

Com inteligência e minúcia  

Para que tudo desapareça

Até ao mais ínfimo pormenor


Sem deixar rasto.

Uma réstia de olhar

Ficará pairando como um traço indefinido

Sobre o silêncio sepulcral de tudo ausente.

Onde não haverá vivalma

Não restará ninguém

Para vasculhar bem no fundo

E ver que afinal…

Nada está sepultado.



Mário Margaride





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