30 outubro 2006

Recordemos...

O TRUCA-TRUCA

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

(Natália Correia, na sequência da afirmação do deputado do CDS, João Morgado, em Abril de 1982, de que «o acto sexual é para fazer filhos», repondeu-lhe com o seguinte poema, provocando o riso em todas as bancadas parlamentares.
O deputado, ofendido com a dedicatória, ripostou que tinha DOIS filhos. Ao que Natália respondeu que bastava substituir truca-truca por truca-truca truca-truca.)

4 comentários:

  1. Natália Correia...que saudade...
    Não poderia ter dado mais eloquente resposta. Aliás à moda da Natália!
    Que falta faz no Parlamento, mais Natálias...
    Um abraço.
    Mário Margaride.

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  2. Ludovicus Rex.
    São estas que nos desperta, que não eixa adormecer nem andar ensonados.
    Só no CDS ou na religião é que o truca-truca se diz que é só para fazer filhos.
    Mas passam os dias, melhor, as noites a ver onde podem trucar só para prazer pessoal, nem que o dinheiro e o colarinho engomado sejam os carimbos de entrada no forrobodo do truca truca que lhes apetecer.
    O que eles dizem, é para os outros não é para eles!

    Boa amigo!
    José Faria

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  3. Muito boa, Luduvicus.
    Adorei.
    Até sempre: david santos

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  4. Recordei por momentos a figura de uma mulher "poderosa" em tamanho, sempre de boquilha em punho, toda desempoeirada que nos entrava pela casa adentro semeando atrevimento, e desapego total pelo chamado "políticamente correcto". Sou a desfavor do aborto, mas valorizo a inteligência e a capacidade de criação.E a Natália(aborto à parte), era uma espécime rara nessa matéria.Não se trata de incoerência, mas o humor também tem o seu lugar na minha forma de estar na vida, e eu não pude deixar de rir ao ler o poema (Resposta ao Morgado). Adorei!
    Um Abraço: MªSoledade Alves

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