Ouvi um ruído, muito forte vindo por entre as fendas da porta daquele quarto. Quis espreitar mas não tive coragem, as agressões eram constantes.
Os gemidos soltavam-se em almofadas abafadas de despesismo, os insultos e as pancadas, pareciam sussurros mal definidos para silenciar a monstruosidade de uma cobardia insuportável.
Os dias passavam e o ruído aumentava, os berros faziam-se ouvir pela casa toda juntamente com a violação. Em seguida voltava a pancadaria de qualquer forma, de qualquer jeito.
O corpo de minha mãe já se confundia com um daqueles monstros da banda desenhada.
Já não suportava mais ouvir, aquelas palavras que minimizavam a dor, na sede de um temor aterrador. Encobriam a severa delinquência, daquele homem que parecia tão carinhoso a quem eu chamava de pai.
Os anos passavam as denuncias não chegavam, as desculpas mantinham-se, eu fui crescendo no silêncio que se conturbava com a brutalidade, daquele quarto.
A idade passou, não me lembro de ter sido criança...
Ainda contínuo a ouvir os gritos da minha pobre mãe açamados, nas mãos daquele ser repulsivo.
Esta é uma história verídica contada na primeira pessoa, de alguém que não posso expor o nome...
Que me pede para que nunca calem estas barbaridades!
Conceição Bernardino
Infelizmente, muitos casos de brutalidade, houveram nos tempos que os homens pensavam ser legítimos donos das mulheres e que poderiam fazer com as mesmas, tudo os que lhes desse na gana!
ResponderEliminarOs tempos mudaram, e hoje a violência,aínda que presente,sobre diversas capas, já não será pelo menos quantitativamente como outrora!
Felizmente, a lei abriu uma porta, para que sejam denunciados estes casos de brutalidade.