Fui notícia injectada
Nas páginas de um jornal,
Um transexual vandalizado
Brutalmente espancado, violado
Que a memória calou
Na displicência mortal.
Se assim não fosse
Alguém se lembraria de mim?
Apenas eu e o meu fiel companheiro,
Aquele banco de jardim.
Olhavam-me com desprezo,
Arrogância
Era uma (puta)!
Como outra qualquer
Sem importância...
Que negociava o corpo
Para sustentar a ilusão.
Quando a louvaram
Ninguém me avisou
Que a maldita
Era traiçoeira, infernal
Fazia-me sonhar
Até vender a alma
Se inevitável fosse.
Cocaína!
Deplorável, repulsiva
Que transmutaste
A minha digna
Transexualidade
Num fragmento de carne
Constrangida...
Homenagem a” Gisberta”, transexual brutalmente assassinado pela discriminação
Conceição Bernardino