26 março 2012

John Perkins "Portugal está a ser assassinado,como muito países do terçeiro mundo, já foram"

Caríssimos, já aqui tinha colocado em 19 de Maio de 2008 um post sobre o livro de John Perkins, "Confissões de um assassino económico", editado em Portugal pela Pergaminho em 2007 com o título "Confissões de Um Mercenário Económico: A face Oculta do Imperalismo Americano". Quem o leu ficou a perceber como se urdem todas as tramas e jogos políticos em torno da defesa dos grandes interesses instalados do grande capital. Delapidam-se economias, destroem-se vidas, inventam-se motivos de guerra. Vem pois a propósito, este clip de John Perkins, sobre a interferência nas economias, passa-se o mesmo relativamente ao que acontece na Europa, Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha, e todos os outros países que seguirão. Um facto já é constatável, embora facilmente previsivel, os nossos governantes aínda insistem em enganar o Povo, Portugal não consegue reduzir o défice, a dívida aumenta e cairá forçosamente na renogociação da dívida pública e por aí adiante, satisfazendo sempre a avidez dos abutres sem escrúpulos. Por fim a perda da soberania e o empobrecimento geral em beneficio de alguns.
(  link da entrevista de John Perkins em: ionline.pt)




Portugal terá de pagar juros de 34,4 mil milhões de euros pelo salvamento de 78 mil milhões acordado este ano com o FMI, BCE & UE – ou seja, o total a ser devolvido aos ditos "salvadores" será de 112,4 mil milhões de euros (juros + capital). Um salvamento assim é como atar um peso de chumbo a alguém que esteja a afogar-se. Tal empréstimo jamais poderá ser pago – o objectivo deliberado da troika foi submeter o país de modo permanente à servidão da dívida.
A verdadeira saída para esta situação, a única que atende realmente aos interesses do povo português, é a recuperação da soberania monetária do país e a libertação das peias da UE. Os custos da saída do euro são inferiores aos custos da permanência no mesmo, com a consequente escravização eterna à ditadura do capital financeiro.

"Os Islandeses colhem beneficio da sua revolta" in Resistir info.

21 março 2012

Greve é boa ou má, conforme… !!!


Em 9 de Novembro último, coloquei aqui o post A greve é uma arma e explicava que, como arma deve ser utilizada com muita precaução. Curiosamente, recebi agora por e-mail de velho amigo que vem de certa forma reforçar alguns dos argumentos que então utilizei e, por isso transcrevo na íntegra:

Quando o PCP era contra as greves...
Por M. Amaral de Freitas
Ainda a propósito da greve geral...

"Os trabalhadores e trabalhadoras de todos os sectores, empresas e serviços, com vínculos permanente ou precários, têm motivos para aderir à greve geral de 24 de Novembro", proclama o PCP na primeira página do seu jornal oficial. Sob a palavra de ordem "a adesão de cada um faz a força de todos".

Isto sucede agora. Mas já houve um tempo em que o PCP era contra a realização de greves em Portugal. Um tempo em que, por coincidência ou talvez não, os comunistas ocupavam pastas ministeriais no Governo. Convém recordar aos mais desmemorizados, por exemplo, uma resolução do Comité Central (CC) do PCP datada de 17 de Junho de 1974 em que a direcção do partido se insurgia contra a realização de uma greve nos CTT. Passo a transcrever parte desse longo comunicado, naturalmente com a devida vénia.

«O PCP alerta contra o perigo de reivindicações irrealistas e chama particularmente a atenção para as exigências de súbita e radical diminuição da semana de trabalho, que em alguns casos desceria a níveis não praticados mesmo nos países mais desenvolvidos. Semanas de 35/36 horas não correspondem ao nível do actual desenvolvimento económico. As reivindicações irrealistas conduzem a um beco sem saída, à perturbação do equilíbrio económico ou ao aumento dos preços e ao agravamento da inflação que anulam os aumentos de salários alcançados.

As formas de luta devem ser cuidadosamente examinadas antes de decididas. No actual momento político, a greve só deve ser utilizada na luta por reivindicações sérias e ponderadas, depois de esgotados todos os outros recursos. Os trabalhadores devem fazer tudo para que não tenha lugar em sectores-chave da vida económica dadas as profundas e desfavoráveis repercussões que pode ter na situação económica e dadas as graves reacções que pode provocar. O CC do PCP desaprova a greve dos CTT (...) Desaprova a greve em outros sectores vitais da vida económica e social do País e apela para que os trabalhadores tenham plena consciência dos graves riscos que correm e fazem correr ao processo de democratização iniciado em 25 de Abril. (...) Chama com solenidade a atenção dos trabalhadores para o facto de que a desorganização da economia, a paralisação de transportes e outros meios vitais da vida económica criam condições favoráveis para a reacção e a contra-revolução.»


Um prodígio de hipocrisia, esta posição dúplice de um partido que quando está na oposição incentiva os trabalhadores a fazer greve mas quando está no Governo recomenda aos mesmíssimos trabalhadores que não utilizem tal forma de luta. É isso, aliás, que sucede nos países ainda dirigidos por partidos comunistas: China, Coreia do Norte, Cuba, Laos e Vietname. Todos condicionam fortemente ou interditam o direito à greve - naturalmente, sem um sussurro de protesto do PCP. A nula adesão à luta faz a fraqueza de todos.

NOTA: Falta salientar que as greves em serviços públicos constituem uma péssima utilização da arma porque as vítimas são sempre trabalhadores inocentes, os utentes de tais serviços que, não têm a mínima culpa da situação que desagrada e acabam por ser sacrificados duramente na sua vida e rotina quotidiana.

Imagem do Google

Valores mais importantes que o dinheiro

"Crie filhos em vez de herdeiros."
"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
"Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."
"...e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!"
"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."

E para terminar:
"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."

Agradeço à Amiga Celle o envio destes preciosos elementos.

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15 março 2012

Oração de um ateu crente !!!!!!!!!



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Pai-nosso que estas no céu português, ouve esta prece desesperada!!!!!!!!

Levai o Aníbal Cavaco Silva para o teu lado, urgentemente.

Aproveita levai também:

- Levai José Sócrates, o tal do Freeport, o da lixeira da Cova da Beira, e dos 383 milhões de euros depositados em offshore em nome da santa mãezinha/ titio e priminhos

- Levai Mira Amaral, o tal que depois de ter trabalhado 18 meses como administrador da CGD, tem uma reforma de 18 mil euros por mês, desde 2004 + reforma de deputado + reforma de ministro da economia de cavaco.

- Levai o Dias Loureiro que enterrou Portugal em mais de 9 mil milhões de euros com o BPN

- Levai o Paulo Portas, este desgraçado dos submarinos que nos custaram mais de 1500 milhões de euros.

- Levai os 230 deputados mamões da Assembleia da República das Bananas, de Portugal, que andam a mamar nas tetas inesgotáveis de nossos impostos

- Levai os ex-presidentes da república, que custam aos contribuintes 300 mil euros por ano em Mamas.

- Levai todos os mamões dos generais / capitães das forças armadas, que só sabem mamar em nossos impostos.

- Levai a Celeste Cardona, que mamou desde 2004, 17 mil euros por mês na CGD.

- LEVAI TODOS OS CABRÕES DOS POLITICOS PORTUGUESES ……. E SE POSSIVEL, OS DESPACHE PARA OS QUINTOS DOS INFERNOS !!!!!!!

Livrai-nos de todos estes aldrabões senhor .............

Livrai-nos de todo este mal que infesta Portugal !!!!!!!!!

Faça este povo imberbe e adormecido com o futebol, com a religião, com os fados, e com as novelas, que finalmente acorde, e arreganhe os dentes.

Que arreganhem os dentes contra as SCUT´S

Que arreganhem os dentes contra os aumentos da eletricidade/ agua / gas/ etc ........

Que arreganhem os dentes contra os políticos corruptos que infestam Portugal.

Que arreganhem os dentes contra as religiões que os condicionam, e os transformam em carneiros amestrados, por terem medo da morte, e são transformados em marionetas por todo o poder, Opus Dei/ Maçonaria/ Bilderbergs/ Imprensa corrupta / etc ……….

OIÇA MINHA PRECE DESESPERADA SENHOR, ALELUIA SALVE ALELUIA !!!!!!!!!!!!!!

Amem !!!!!!!!!!!!!!!





Um abraço religioso para todos.



Ramiro Lopes Andrade


05 março 2012

Por que razão a retenção do IRS aos trabalhadores, aos reformados e aos aposentados, nomeadamente com baixos rendimentos, aumentou tanto em 2012?


Eugénio Rosa
Muitos trabalhadores do sector privado e pensionistas (reformados da Segurança Social e aposentados da CGA) têm-me perguntado, através da Internet (via email), por que razão a retenção mensal do seu IRS aumentou em 2012 apesar de não terem tido qualquer aumento de salários e, no caso dos pensionistas (reformados da Segurança Social e aposentados da CGA), de sofrerem o confisco do subsidio de férias e do Natal, apesar das taxas de IRS serem as mesmas de 2011. Os aumentos na retenção de IRS que os trabalhadores e os pensionistas estão a sofrer este ano resultam de "pequenas" alterações que este governo introduziu à socapa no Código do IRS, utilizando a Lei do Orçamento do Estado para 2012, que passaram despercebidas à opinião pública e aos órgãos de informação, e que mesmo na Assembleia da República não foram denunciadas com força suficiente para poderem chegar ao conhecimento dos portugueses.

O governo PSD/CDS "esqueceu-se" propositadamente de incluir na Lei do Orçamento de 2012 (no nº 1 do artº 111º da Lei 64-B/2011) a mesma norma de carácter transitório, e com o mesmo conteúdo, que constava na Lei do Orçamento de 2011 (no nº 1 do artº 98º da Lei 55-A/2010). Como consequência desse "esquecimento" acontece o seguinte: (1) A parcela do rendimento anual dos trabalhadores por conta de outrem que não está sujeita a IRS baixa, entre 2011 e 2012, de 4104€ para 3622,06€ (-481,94€); (2) A parcela de IRS que cada contribuinte tem direito a descontar no imposto a pagar (dedução por sujeito) diminui, entre 2011 e 2012, de 261,25€ para 230,57€ (-30,68€); (3) A dedução no IRS que cada contribuinte faz por cada filho passa, entre 2011 e 2012, de 190€ para 167,69€ (-22,31€; mais um ataque à família com filhos); (4) O valor máximo que cada contribuinte pode deduzir no IRS das despesas com a educação dos filhos passa, entre 2011 e 2012, de 760€ para 670,75€ (-89,25€; outro ataque à família com filhos).

Para além disso, a parcela do rendimento anual de cada reformado ou aposentado não sujeito a IRS diminui, entre 2011 e 2012, de 6000€ para 4104€, o que determina que 1896€ que, em 2011, estavam isentos do pagamento de IRS, em 2012 já têm de pagar IRS; e 1,21€ do subsídio de refeição diário pago em dinheiro que, em 2011, estava isento de pagamento de IRS, em 2012 já paga IRS. Como consequência apenas destas "pequenas" alterações, e como se conclui dos quadros 2 e 3 em anexo, a taxa de retenção de IRS aumenta muito em 2012, sendo o aumento em percentagem tanto maior quanto mais baixo é o rendimento (em relação aos trabalhadores por conta de outrem a subida atinge 12,5% para a remuneração mais baixa e 5,3% para a mais elevada; relativamente aos reformados e aposentados, a subida da taxa de retenção é mais chocante pois atinge +50% para as pensões entre os 675€ e 696€, e + 2% para as pensões superiores a 9200€ por mês; em relação aos trabalhadores da Administração Pública, devido ao confisco do subsidio de férias e de Natal, a situação é outra como mostra o quadro 4 em anexo).

Estimamos que, em 2012, os trabalhadores por conta de outrem do sector privado tenham de pagar mais 165 milhões € de IRS, e os reformados e aposentados mais 24,6 milhões € de IRS só devido àquelas alterações. Se juntarmos a estes valores, o aumento de IRS que terão de suportar principalmente os trabalhadores por conta de outrem, os reformados e os aposentados devido ao facto de a percentagem das despesas com saúde que podem ser descontadas no IRS passar, entre 2011 e 2012, de 30% para apenas 10%, também por decisão do governo PSD/CDS que, a própria Entidade Reguladora de Saúde, estima em 440 milhões € de aumento de receita fiscal para o Estado, conforme consta da pág.62 do seu estudo com o titulo "Análise à sustentabilidade do SNS", rapidamente conclui-se que estas medidas, que o governo de Passos Coelho/ Victor Gaspar introduziram à socapa tendo, por isso, passado despercebidas aos media e à opinião pública representam um pesadíssimo encargo que mais uma vez atinge principalmente as classes de rendimento mais baixos, reduzindo significativamente o seu rendimento disponível e, consequentemente, o seu poder de compra, o que contribuirá para agravar ainda mais a recessão económica, como está já a acontecer, devido à quebra no consumo interno que provocará.
O governo PSD/CDS introduziu alterações à socapa através da lei que aprovou o Orçamento do Estado para 2012, as quais estão a provocar um agravamento generalizado do IRS pago por todos os trabalhadores e pensionistas. Para se poder compreender a verdadeira dimensão da medida aprovada pelo governo interessa ter presente o seguinte.

No Código do IRS existem um conjunto de disposições que determinam deduções no rendimento e na colecta (imposto) que estavam indexadas ao salário mínimo nacional, conforme consta dos artigos 12.º, 17.º -A, 25.º, 79.º, 83.º, 84.º e 87.º do Código do IRS.

O governo de Sócrates alterou a indexação passando-a do Salário Mínimo Nacional para o Indexante de Apoios Sociais (IAS), que tem um valor inferior (por ex., em 2011, o valor do Salário Mínimo Nacional era de 485€, enquanto o valor do IAS era apenas de 419,22€; em 2012, mantiveram-se os dois valores porque o governo PSD/CDS congelou-os). Se aquela norma aprovada pelo governo do PS tivesse entrado imediatamente em vigor, ou seja que a indexação passasse do Salário Mínimo Nacional para o IAS, isso determinaria um aumento generalizado do IRS. Para evitar isso, na Lei do OE-2011 (Lei nº 55-A/2010), existia uma disposição transitória (nº1 do artº 98º) que estabelecia textualmente o seguinte: " Até que o valor do indexante dos apoios sociais (IAS), atinja o valor da retribuição mínima mensal garantida em vigor para o ano de 2010, mantém -se aplicável este último valor para efeito das indexações previstas nos artigos 12.º, 17.º -A, 25.º, 79.º, 83.º, 84.º e 87.º do Código do IRS".

Comparemos agora esta disposição com a da Lei do OE-2012 (Lei 64-B/2011). Assim, a norma transitória constante do nº1 do artº 111º da Lei 64-B/2011, tem a seguinte redacção: " Até que o valor do indexante dos apoios sociais (IAS), atinja o valor da retribuição mínima mensal garantida em vigor para o ano de 2010, é aplicável este último valor para efeito da indexação prevista no artigo 53.º do Código do IRS". Portanto, as deduções (rendimentos não sujeitos a IRS) constante do artº 12º (bolsas de formação desportiva); do artº 17º-A (rendimentos de residentes noutros Estado); do artº. 25º (rendimentos auferidos por trabalhadores por conta de outrem); do artº 79º (dedução no IRS pago pelo contribuinte por cada filho ou ascendente); do artº 83º (dedução no IRS de despesa com a educação dos filhos); do artº 84% (dedução no IRS das despesas com lares de ascendentes e descendentes); e do artº 87º (dedução no IRS das despesas com filhos deficientes) que, em 2011, estavam indexadas ao Salário Mínimo Nacional de 2010 (475€), passaram a estar indexadas ao IAS (419,22€), o que determinou ou que o rendimento sujeito a IRS aumentasse ou que as deduções que são feitas directamente no valor do IRS a pagar diminuísse. A conjugação destes dois efeitos determina que o IRS pago pelos trabalhadores e pensionistas aumente em 2012, mesmo que o seu rendimento não aumente este ano. Para além disso, o nº1 do artº 111 da Lei do Orçamento de Estado de 2012 dispõe que o Salário Mínimo Nacional de 2010 (475€) seja utilizado para calcular o rendimento de pensões que não paga IRS, o que determina que esse valor passe, em 2012, a ser 4104€ quando, em 2011, era 6000€, o que tem como consequência que 1896€ do rendimento anual dos reformados e dos aposentados que, em 2011, não pagavam IRS, em 2012 já paga IRS, o que determina que o IRS que tenham de pagar em 2012 suba. O quadro seguinte mostra de uma forma quantificada os efeitos dessas alterações resultantes do "esquecimento" propositado do governo PSD/CDS.

Quadro 1- Aumento, em 2012, do rendimento sujeito a IRS ou do IRS a pagar determinado pelo facto de as deduções deixarem de estar indexadas ao Salário Mínimo Nacional de 2010 (475€) e passarem a estar indexadas ao Indexante de Apoios Sociais (419,22€)


ARTIGO DO CÓDIGO DO IRS (CIRS) E ESPECIFICAÇÃO DA DEDUÇÃO NO RENDIMENTO OU NA COLECTA (Imposto)


Parcela do rendimento que não pagava IRS, ou valor deduzido no IRS (colecta)


DIFERENÇA Entre 2011 e 2012


Em 2011


Em 2012


2012-2011
Artº12 do CIRS - Bolsas de formação desportiva -Parcela do rendimento não sujeito a IRS 2.375,00 € 2.096,10 € -278,90 €
Artº 25 CIRS - Rendimentos do trabalho -Parcela do rendimento não sujeito a IRS 4.104,00 € 3.622,06 € -481,94 €
Artº 53 do CIRS - Reformados e aposentados - Parcela do rendimento não sujeito a IRS 6.000,00 € 4.104,00 € -1.896,00 €
Artº 79º (nº1, alínea a ) do CIRS - Dedução no IRS a pagar por sujeito passivo 261,25 € 230,57 € -30,68 €
Artº 79º (nº1, alínea d ) do CIRS - Dedução no IRS a pagar por cada filho 190,00 € 167,69 € -22,31 €
Artº 79º (nº1, alínea e ) do CIRS - Dedução no IRS a pagar por cada ascendente 261,25 € 230,57 € -30,68 €
Art 83º (nº1 ) do CIRS - Dedução no IRS a pagar das despesas com a educação dos filhos- Valor máximo 760,00 € 670,75 € -89,25 €
Assim, devido ao facto de o governo PSD/CDS se ter "esquecido" propositadamente de incluir na Lei do Orçamento de 2012 (no nº 1 do artº 111º da Lei 64-B/2011) a mesma norma de carácter transitório, com o mesmo conteúdo, que constava Lei do Orçamento de 2011 (no nº 1 do artº 98º da Lei 55-A/2010), a parcela do rendimento anual dos trabalhadores por conta de outrem que não está sujeita a IRS baixou, entre 2011 e 2012, de 4104€ para 3622,06€ (.-481,94€); a dedução no IRS que cada contribuinte tem direito a fazer diminuiu, entre 2011 e 2012, de 261,25€ para 230,57€ (-30,68€); a dedução no IRS que cada contribuinte faz por cada filho passou, entre 2011 e 2012, de 190€ para 167,69€ (-22,31€); o valor máximo que cada contribuinte pode deduzir no IRS das despesas com a educação dos filhos baixou, entre 2011 e 2012, de 760€ para 670,75€ (-89,25€). Para além disto, a parcela do rendimento anual de cada reformado ou aposentado não sujeito a IRS diminui, entre 2011 e 2012, de 6000€ para 4104€, o que determina que 1896€ que, em 2011, estavam isentos do pagamento de IRS, em 2012 já tenham de pagar IRS. É evidente que a conjugação de todas estas alterações que o governo PSD/CDS fez à socapa, através da Lei do Orçamento do Estado de 2012 determina que o trabalhador, o reformado ou aposentado, mesmo que o seu rendimento não aumente em 2012, ou mesmo que diminua, será obrigado a pagar mais IRS. É esta a explicação por que razão as taxas de retenção constantes das tabelas que se aplicam aos trabalhadores por conta de outrem, aos reformados e aos aposentados aumentem em 2012, quando as comparamos com as que vigoraram em 2011.
Eugénio Óscar Garcia da Rosa, economista, Mestrados em Comunicação pelo ISCTE e pela Universidade Aberta, Pós-Graduação em Fundos de Pensões e Seguros pelo ISEG.

02 março 2012

Dois grandes inimigos da sociedade

A evolução da humanidade, nem sempre foi imune a perigos de má utilização de evoluções que, se bem aproveitadas, com critério ético e precavido, seriam fonte de comodidade e bom viver.

Há, hoje, consciência de que o dinheiro e o petróleo constituem a causa de grandes males que tornam as pessoas infelizes sob diversos aspectos.

O dinheiro foi criado para facilitar as trocas de produtos e a remuneração de serviços prestados. Isso era de grande utilidade. Mas a má formação das pessoas veio transformá-lo em ferramenta da ambição, ostentação, competição, especulação, inveja, corrupção tráfico de influência, marketing agressivo incitando ao consumismo, perda da noção do essencial e das futilidades, etc, etc

O petróleo, aliado à ambição e outros vícios referidos em relação ao dinheiro, veio desenvolver a industrialização, primeiro como coisa útil, mas depois como competição e ambição de riqueza, etc. Diariamente são consumidos milhões de toneladas deste hidrocarboneto, na forma dos seus múltiplos derivados, praticamente todo transformado em monóxido de carbono, poluindo o ar, a terra e o mar, com destruição do ambiente e da vida que nele se processa. Doenças variadas e a mudança do clima devem-se em grande parte ao consumo dos derivados do petróleo. E a ele se devem muitas guerras que têm destruído vidas humanas, património arqueológico e de utilidade corrente e espécies naturais.

Não é fácil prescindir do dinheiro e da mola que faz girar a roda da indústria em geral, mas deve começar a meditar-se na melhor forma de utilizar as ferramentas de que dispomos, sem lesar a Natureza e a vida humana, nos aspectos de vida física e de comportamentos éticos.

Neste mês dedicado à Natureza, com o equinócio da Primavera a marcar o momento do rejuvenescimento da vida animal e vegetal no Planeta, será bom meditar sobre este tema.

Imagem de arquivo

27 fevereiro 2012

Carnaval do Infantário/Creche de Gondim - Maia

O carnaval é sempre uma festa de cariz popular
João Pedro

A origem do  carnaval aínda não é consensual. Alguns historiadores associam o começo das  festas carnavalescas aos cultos feitos pelos antigos para louvar boas colheitas  agrárias, dez mil anos antes de Cristo. Já outros dizem que teria inicio no Egipto, em homenagem à deusa Ísis e ao Touro Apis, com  danças, festas e pessoas mascaradas.
Há quem atribua o início do carnaval aos  gregos que festejavam a celebração da volta da primavera e aos cultos ao Deus  Dionísio. E outros ainda falam da Roma Antiga  em honra aos deuses Baco, Saturno e Pã.
Nuno Filipe
É pois uma herança de várias comemorações realizadas na Antiguidade por povos egípcios, hebreus, gregos e romanos. Estes festejos pagãos serviam para celebrar grandes colheitas e principalmente louvar divindades. É provável que as mais importantes festas ancestrais do Carnaval tenham sido as "saturninas", realizadas na Roma antiga em exaltação a Saturno, Deus da agricultura. Na época dessa celebração, as escolas fechavam, os escravos eram soltos e os romanos dançavam pelas ruas. Já tinham carros alegóricos designados por carrum navalis, algo como "carro naval", pois tinham formato semelhante a navios. Alguns pesquisadores vêm aí a possibilidade da origem da palavra carnaval. A maior parte dos especialistas, porém, acha que o termo vem de outra expressão latina: carnem levare, que significa "retirar ou ficar livre da carne".

Isto porque, já na Idade Média, essas velhas festividades pagãs foram incorporadas pela Igreja Católica passando a marcar os últimos dias de "liberdade" antes das restrições impostas pela Quaresma. Nesse período de penitência para os cristãos (durante os 40 dias antes da Páscoa), o consumo de carne era proibido. A variação da data do Carnaval no calendário se deve justamente à ligação direta com a Páscoa - que, no hemisfério sul, sempre acontece no primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono. Determinada a data do feriado cristão, basta retroceder 46 dias no calendário (40 da Quaresma mais seis da Semana Santa) para se chegar à Quarta-Feira de Cinzas. A comemoração do Carnaval adquiriu diferentes formas nos países católicos que mantiveram a celebração.  O que é certo é que a tradição se mantém e se comemora em vários países, aínda que de forma diferente.

Também os infantários, creches e escolinhas, organizam os seus desfiles e festas, que a pequenada adora. O carnaval é pois um apelo à alegria, à comemoração da vida, é uma forma de desanuviar e nos libertar-mos das tensões do dia-a-dia resultantes das exigências do mundo actual.
Deixo-vos aqui algumas imagens da festa de carnaval das crianças do infantário/creche de Gondim, na qual participam os meus dois pequenitos, o João Pedro e o Nuno Filipe.




25 fevereiro 2012

Corte de subsídios de Férias e Natal, não é para todos!

clique para ampliar
      Aínda não percebi,porque se continuam a criar subterfugios e formas de contornar determinações. Acho amoral e reprovável estes Chico-espertismos, que deveriam ser esclarecidos pelo sr. Passos Coelho. Quantos são afinal os beneficiários de excepções? Como se pode depreender há amigos ( nomeados para serviços públicos ), que beneficiam em relação ao todo e recebem os subsídios de Férias e Natal, travestidos de Abono Suplementar.
      Mais não digo, estimados visitantes e amigos deste blogue, façam e retirem pois as vossas ilações...

24 fevereiro 2012

A Natureza agradece





Transcreve-se o texto para ter mais efeito, por maior rapidez e facilidade de leitura:

Sabes quem sou?

Sou alguém com quem convives diariamente… Alguém que apenas deseja o melhor para ti, o essencial na tua vida, porque, sem mim, não conseguirias viver. Mas… para meu infortúnio, não respeitas o que te dei. Se te dou estas maravilhosas paisagens, plenas de cor e abundância, porquê me devolves tudo isto [lixo, destroços, ruínas, poluição]…?Porquê, quando apenas te dei criaturas plenas de vida? Será que não gostas delas? Não te merecem respeito? Porquê, se te dei apenas vida… É esta a herança que pretendes deixar para os teus filhos? Faz algo por mim, por ti e por todos nós. Se não o fizeres…quem o fará…? Se não for feito agora…quando o será? Apenas me devolves morte…?
OBRIGADO!
OBRIGADO!
OBRIGADO!!!
A Natureza

Espalhem esta mensagem pelos vossos contactos, para que tenha o maior alcance possível

22 fevereiro 2012

Óptima lição para os governantes



Deve ser dada atenção à parte final. O Objectivo é congregar as vontades das pessoas para a finalidade comum de valorizar o seu bem colectivo, os interesses nacionais. As finanças, os orçamentos, o dinheiro, são ferramentas indispensáveis, mas não são o OBJECTIVO, a FINALIDADE.

14 fevereiro 2012

Freguesias, democracia ou autocracia ???


Ao longo das últimas décadas, tem havido um «crescimento» de fantasia, talvez de vaidade, de imitação e de ostentação, acima das possibilidades e das conveniências reais e passaram-se vilas a cidades, aldeias a vilas, forjaram-se freguesias e criaram-se novos concelhos como era desejado, por exemplo, em Canas de Senhorim. Recordo que em 1975 fui pressionado por conterrâneos para usar a influência de que na altura dispunha para ali criar uma freguesia. Não fui na cantiga e dissuadi os meus amigos a não insistirem nisso.

Hoje esclareceu-se a consciência de que, com as facilidades de transporte e de comunicação, bem como a rarefacção da população, há muitas freguesias que fariam bem em se fundir com as vizinhas e criar uma maior com mais peso na vida da região.

Mas os governantes, com a sua habitual inabilidade, falta de sentido das realidades e abuso da autocracia, acordaram um dia com uma ideia caprichosa e, como é seu timbre de autoritarismo teimoso, avançaram de régua e esquadro para o mapa de Portugal a retalhar o País a seu prazer onírico, sem sugerir e incentivar o estudo local de cada caso e deixar que os interessados regionais julgassem democraticamente das vantagens e aderissem à ideia da forma mais adequada para cada situação, jogando com a geografia, a orografia, a demografia, a dinâmica da micro-economia e, em suma, sem ferir os interesses das populações. O fenómeno desejado não foi preparado com a racionalidade mais aconselhável e saiu aborto, tal como aconteceu com o acordo ortográfico que quiseram impor ao idioma de Portugal, Brasil e PALOP. Há que ter presente que as mudanças exigem cortes nos hábitos e rotinas e, por isso, enfrentam sempre com resistências, sendo necessária uma cuidada explicação das vantagens para a conquista da adesão das populações, principalmente, das pessoas mais afectadas. Isto faz parte da democracia de que muito se fala mas pouco se pratica.

Nessa ordem de ideias, não surpreende que presidentes das 10 juntas de Matosinhos exijam demissão de Miguel Relvas. Aliás, eles estão a seguir os conselhos do Primeiro-ministro, pois evitam ser «piegas» e estão a ser «mais exigentes», «menos complacentes». Rejeitam o servilismo e a submissão a um ministro com cujas ideias caprichosas não concordam. O seu comportamento, embora aparentemente rebelde, sugere a pergunta, em vez de impor a sua ideia, não seria mais democrático e mais eficiente, na procura da melhor solução, proceder a um diálogo construtivo e procurar chegar a um consenso mais ajustado às realidades das populações?

A irreverência dos 10 de Matosinhos está sintonizada com os conselhos do Primeiro-ministro, a não ser que ele venha afirmar, como outros políticos têm feito, que não era isso que queria dizer.

Imagem de arquivo

11 fevereiro 2012

Assim começam os Totalitarismos


"Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar."

António de Oliveira Salazar
Discurso de tomada de posse como Ministro das Finanças
27 de Abril de 1928

"Foi assim que se iniciaram 48 anos de ditadura, tortura e obscurantismo e agora temos um Ministro da Finanças que parece ter aprendido pela mesma cartilha e um Primeiro-ministro que afirma que vai aplicar as suas ideias neoliberais
 "custe o que custar".
As semelhanças são assustadoras demais para que possamos ficar em casa sem nada fazer."  ( wehavekaosinthegarden )
E a Passos Coelho, não custará nada com toda a certeza, este senhor deveria ter vergonha da subserviência que demonstra perante a srª Merkel, bem patente até nas conversas de bastidores vindas a público com exemplos lastimáveis, como as que recentemente foram transmitidas do nosso Ministro da Finanças, sr.Vitor Gaspar com o seu homólogo Alemão o sr.Wolfgang Schauble.





É triste ver e assistir a tanta falta de dignidade, é repugnante ver como se vende a saldo e desbarata uma Nação com mais de 850 anos...


05 fevereiro 2012

O Estado Orweliano

Por Lucas Carré

Foto: wehavekaosinthegarden.blogspot.com
O Estado vai passar a controlar todas as operações efectuadas nos Terminais de Pagamento Automático ( TPA), segundo uma portaria publicada esta semana no Diário da República. Ou seja, a partir de agora, os bancos vão ser obrigados a comunicar às finanças todos os pagamentos realizados, seja em restaurantes, boutiques, hotéis ou «casas de meninas»… ninguém fica de fora, nesta sanha persecutória que leva o Estado a ficar a par dos passos seguidos pelos seus cidadãos contribuintes.

 Já tínhamos o caso dos Serviços Secretos a interessarem-se pelas chamadas telefónicas efectuadas pelos jornalistas, a mordaça imposta a quem ousou pôr em causa um programa da TV pública panegírico das excelsas virtudes da «democracia» angolana, de ter havido um primeiro-ministro a telefonar para as redacções dos jornais a tentar impedir a publicação de notícias que lhe eram adversas, de profissionais da CS afastados dos seus cargos (alguns de direcção) ou bloguistas alvo de perseguições por ousarem criticar ou se terem tornado empecilhos ao porem em causa a carreira académica de um governante. Faltava esta «cereja» em cima do bolo democrático: a vigilância sobre as nossas compras, os lugares que frequentamos, quanto e com quem gastamos a «massa» objecto do olho clínico do Fisco, aqui transformado no «Big Brother Gaspar» ou do inefável Relvas.

Mas para compor o «ramalhete» da «espionite goebbeliana», faltava a proposta apresentada também esta semana pela coligação PSD/CDS permitindo que os titulares de cargos públicos possam vir a ser sujeitos a escutas telefónicas caso impenda sobre os mesmos as suspeitas de terem enriquecido de forma ilícita.
Bem se vê no que pode desbundar tantas preocupações draconianas, atentatórias das mais elementares regras de um estado democrático visando atitudes altruístas de combate á criminalidade: a organização de ficheiros pessoais nas mãos de uma minoria, possíveis actos de chantagem politico e económica ( e até de cariz sexual, sabemos de casos desses no passado, envolvendo altas figuras do Estado, outrora tão tonitruantes e que agora parecem autênticos cordeirinhos…).E, entretanto, enquanto se pariu toda esta legislação em catadupa, grandes figurões que gozam de amplas e imperscrutáveis protecções depois de condenados em Tribunal a pena de prisão (não é só o Isaltino, há mais…) continuam por aí a passear-se, impantes, gozando e servindo-se do sistema. Ao pé destas «virtualidades» do chamado Estado Democrático, a PIDE, os seus agentes, informadores, «bufos» e rede clientelar mais parecem uns autênticos «meninos de coro».

in Crime digo Eu 03/02/2012

01 fevereiro 2012

A HISTÓRIA SECRETA DO «REI DAS CORTIÇAS»,UM DOS 200 HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO

   Por: Lucas Carré
Américo Amorim
A revista Forbes classifica-o como um dos duzentos homens mais ricos do Mundo com uma fortuna avaliada em mais de 5 mil milhões de euros. Américo Amorim, o «Rei da Cortiça», como ficou conhecido e que recentemente em declarações públicas aquando do anúncio da possibilidade do aumento dos impostos sobre as grandes fortunas, referiu “Não me considero rico.; sou trabalhador”, transformou uma pequena empresa fundada pelo avô em 1870 na líder mundial do sector, embora a sua actual actividade empresarial se estenda desde a Banca, Bolsa, Casinos, unidades turísticas, empresas petrolíferas…Um universo empresarial aparentemente sólido, intocável à crise, embora em 2009 tenha sido obrigado a despedir perto de duas centenas de trabalhadores das suas fábricas do Norte. Pode ter sido uma jogada de antecipação face à actual hecatombe social e económica. Homem prevenido vale por dois, lá diz a sabedoria popular.
Américo Amorim não tem quaisquer pruridos em divulgar histórias sobre a sua infância difícil, propalando-as como se fossem exemplos de vida para as novas gerações. Conta que só deixou de usar sapatos de madeira depois do exame da quarta classe, que ia descalço para a escola, que subiu a pulso na sua escalada empresarial. Mas, asseguram-nos, as coisas não terão sido bem assim. Américo Amorim nasceu mesmo no seio de uma família abastada e o seu avô, no século IXX, já era um dos grandes produtores de vinho do Porto no Douro. Só mais tarde iniciou a sua actividade no ramo da cortiça, que depois passou para os seus filhos, nomeadamente os seus pais. Foi o tio, Henrique Amorim, nascido em 1902 e falecido em 1977,o grande responsável pela ascensão da empresa de cortiça para o topo do ramo em Portugal. Henrique Amorim morreu solteiro, sem filhos, e deixou a herança aos sobrinhos. Tudo, excepto o famoso Museu da Cortiça, que guarda no seu espólio preciosas obras de arte em talha de madeira, à mistura com peças referentes à indústria do sector. Terá sido mesmo este Museu uma «espinha» encravada no relacionamento familiar. Américo Amorim e os seus irmãos nunca terão perdoado ao tio o facto de não lhes ter sido doada a gestão do Museu, que viveu tempos difíceis depois da morte do seu criador. As obras de arte em talha continuam bem tratadas, mas a sala dedicada à cortiça foi completamente esquecida.

Os novos ventos que sopraram do Leste, com a queda do comunismo, terão afectado o império de Amorim. Os mesmos mercados que, no início, se mostraram decisivos no arranque do seu império dourado. Antes e no pós 25 de Abril, não se conhecia a barricada que Américo Amorim decidiu trilhar. Para o «Rei das Cortiças», o objectivo era concretizar um bom negócio, aproveitando os mercados, as situações, o enquadramento político, fossem quais fossem os parceiros ou os métodos escolhidos.
E, no passado, choveram histórias que alimentaram o mito daquele que é um dos homens mais poderosos do planeta. Como aconteceu em Novembro de 1989, quando o semanário romeno, «Contrast», ligou as empresas de Amorim à tenebrosa polícia secreta «Securitate» do ditador Ceausescu .O artigo abordava a actividade desenvolvida por dois elementos conotados com a «secreta» romena, os coronéis Dragos Diaconescu e Gheorge Volniov, no desbloqueamento de várias situações conflituosas surgidas no relacionamento comercial da empresa corticeira através de um escritório que possuíam na Roménia designado «Argus».
O jornal citava os eventuais benefícios concedidos ao grupo português ao concretizar contratos a «preços vantajosos», apesar de existirem ofertas mais rentáveis oferecidas por outras firmas estrangeiras. O «Contrast« fazia referência a declarações do representante do Grupo na Áustria, Gerert Schisser, de que a «Argus teria beneficiado a sua empresa quando assinaram contratos com firmas romenas».Mencionou o facto do coronel Diaconescu «ter obrigado a firma romena Vitrocin a comprar à Amorim aceitando preços propostos por esta última».
Mas vem a talhe de foice lembrar que os contactos comerciais de empresários portugueses com a extinta URSS ultrapassavam o mero pagamento de percentagens. Muitas vezes, para obter essas benesses eram exigidas outras contrapartidas, obtidas através do fornecimento de segredos militares e outros respeitantes a tecnologias de ponta, casos que chegaram a ser analisados pelos serviços de informação ocidentais e pelos novos responsáveis do Kremlin. Um dos quais envolveu uma deslocação dos jornalistas José Leite (antigo chefe de redacção do semanário «o Diabo») e Nuno Rogeiro (o actual comentador da SIC era então sub-director do «Diabo») ao Norte do País, onde tiveram um encontro confidencial com um ex- responsável de uma grande firma de extracção comercial de cortiça, Jaime Nunes de Amorim, com quem se tinha envolvido em litígio laboral. A «vingança» do despedido (que, entretanto, conseguiu ganhar a disputa em tribunal) foi revelar aos dois jornalistas um negócio de passagem de segredos militares que ele próprio havia testemunhado como responsável directo. Contou ele que, através de um seu agente em Viena, o patrão obtivera um volumoso contrato com uma empresa que fabricava, em Roterdão, submarinos sofisticados para a NATO. Esse grande empresário português fornecia materiais de isolamento de compartimentos dos submersíveis, feitos de borracha e cortiça comprimida. Segundo nos referiu essa nossa fonte, o negócio só se concretizou quando esse grande capitalista nortenho prometeu aos representantes de uma empresa pública soviética que lhes iria entregar um «dossier» completo sobre os submarinos (do tipo Dolfijn e Zwaardvis), com a indicação das «performances» em velocidade, propulsão, armamento e sistemas electrónicos.
Transcrevemos parte do diálogo publicado por aquele semanário:
- Durante as negociações eles fizeram perguntas: que submarinos? Quantos? Quais as suas características?
- O relatório foi entregue a um dos soviéticos que o levou para a URSS.»
- A sua empresa forneceu mais informações à URSS?
- Sim, no final da década de oitenta. Eram informações sobre um produto industrial estratégico norte-americano resistente às altas temperaturas. Tinha aplicação no fabrico de equipamentos militares e nos aviões. Tratava-se de uma matéria-prima que a empresa importava dos Estados Unidos para acrescentar a um outro componente de forma a obter esse produto final com essas características. Foram desviadas para a URSS amostras desse produto que o Governo americano considerava de grande valor estratégico.
Em 1991 rebenta em Portugal o chamado «Watergate Vermelho»: a Federação Russa tornou públicos os nomes de empresários e empresas, além de dirigentes e militantes do PCP, militares ligados às estruturas da NATO, funcionários de institutos científicos ligados à alta tecnologia envolvidos em negócios escuros e missões de espionagem.
Na mira dos dirigentes da «Primavera russa» estava o PCP de Cunhal e um conjunto de empresas portuguesas – entre as quais, o Grupo Amorim – que teriam recebido ajuda financeira do PCUS (Partido Comunista Soviético), a par, por exemplo, da Vesper do Almirante Rosa Coutinho ( que privilegiou os contactos com Angola),a ETEI (mais ligada a Moçambique), Metalquímica, Planco e o jornal «Avante».Esse universo empresarial dos amigos do PCUS era coordenado pela «holding» Numérica ( doc 3) que, por sua vez, prestava contas junto do PCP.O escândalo envolvia ainda o pagamento de comissões (proibidas pela URSS, ou não fosse esse, segundo a propaganda então vigente, um dos males do capitalismo…) por parte das empresas que pretendiam efectuar negócios com o Leste.
Ao tentarem estabelecer contactos comerciais com a URSS, há muito tempo que os empresários portugueses esbarravam com esse núcleo forte de empresas conotadas com o PC de Cunhal e que gozavam de intermediários privilegiados. Foi com a finalidade de derrubar esse «muro» que, em Outubro de 1988,se deslocou à URSS uma missão da Associação Industrial Portuguesa liderada pelo então presidente, Jorge Rocha de Matos. Este chegou a exprimir a sua mágoa numa entrevista ao «Diabo» pelo malogro da «missão»: «O acordo com a Câmara do Comércio e Indústria da URSS nunca foi possível de implementar pois havia canais privilegiados para se venderem produtos à União Soviética. Desconhecia qual o esquema utilizado mas, à boca pequena, toda a gente dizia que havia interesses em beneficiar um determinado partido político. Diligenciámos junto dos representantes do comércio e da indústria da URSS no sentido de lhes fazer crer que havia vantagens mútuas em acabarem com esses intermediários. Assinámos um acordo nesse sentido, mas nunca foi possível implementá-lo».
Em declarações que então prestou à Comunicação Social, Jorge Armindo, vice-presidente do Grupo Amorim desmentiu, de forma categórica, que a sua empresa tivesse recebido dinheiro do Orçamento do Estado soviético: «Mantemos relações comerciais com a URSS há mais de 35 anos e nunca utilizámos intermediários. Estabelecemos canais próprios de distribuição através de uma empresa na Áustria», disse.
Faltou falar nos outros canais na Roménia e quem eram os contactos…como vimos, coronéis da «secreta» de Ceausescu, acima de qualquer suspeita…
Do Alentejo, com amor…
Mas foi através de uma entrevista publicada no semanário «o Diabo» com um detido em Pinheiro da Cruz, João Mataloto Freira, representante no distrito de Setúbal do PCP para as questões agrícolas e membro da Associação Portugal/URSS, que muitos segredos sobre do grande roubo perpetrado em nome da reforma Agrária foram desvendados.Referimo-nos à «subtracção» da cortiça por grandes empresários do norte que se encontrava à guarda das UCP alentejanas.
Determinava a lei que o produto pertencia ao Estado. Era este que, através de um organismo próprio – inicialmente a Administração Florestal, posteriormente o IGEF (Instituto de Gestão e Estruturação Fundiária) – promovia a sua venda através de concurso público. Acontece que, dias antes da transacção, pela calada da noite, a cortiça desaparecia das propriedades e era carregada em camiões rumo a empresas transformadoras do Montijo e do Norte do País, delapidando o Estado em muitos milhões de escudos. Vários empresários, guardas florestais, elementos da GNR e responsáveis das cooperativas chegaram a ser julgados e condenados por roubo de cortiça. Sabe-se que, durante esse período de «salvaguarda da Reforma Agrária» (os objectivos eram mais comerciais e de financiamento partidário do que políticos), houve cooperantes que ergueram prédios do outro lado da fronteira (Badajoz) à custa das comissões recebidas.
Às críticas verrinosas que os apontavam como estando directamente envolvidos neste negócio pouco claro, os irmãos Amorim clamavam a sua inocência. Até mesmo quando surgiram essas declarações bombásticas em Janeiro de 1990 ( no jornal «o Diabo») denunciando o comprometimento de grandes grupos empresariais do Norte, entre os quais o Grupo Amorim, nos desvios de cortiça das herdades alentejanas, em cumplicidade com os agentes locais do PCP e responsáveis das UCPs.
Nas cartas que revelou quando estava detido em Pinheiro da Cruz, onde cumpria pena de nove anos de cadeia por burla agravada, processo em que diz ter sido «enrolado» pelo PC de Alcácer do Sal (e por se ter sentido traído pelos «camaradas» de partido resolveu desabafar), Mataloto Freira explicava como se processava a golpada altamente penalizadora para os cofres do Estado: «A cortiça representava uma grande fonte de rendimentos para as cooperativas, já que esse dinheiro permitia, ao fim do ano, tapar os défices de uma gestão ruinosa. Quando saiu a Lei da Cortiça, as cooperativas deixaram de receber essas elevadas verbas. Apenas lhes era paga a extracção, o carrego e o empilhamento a um tanto por arroba, e mais nada, ficando a cortiça a ser pertença do Estado que se encarregava da sua venda. Numa reunião efectuada no Partido, que contou com a presença de representantes de todas as cooperativas filiadas na União, foi decidido que cada uma se deveria desenvencilhar no sentido de fazer algum dinheiro com a cortiça. Contactámos vários compradores e estes mostraram-se abertos a comprar cortiça às UCPs pela “porta do cavalo”.Isto é, quando a cortiça era retirada da árvore, uma parte ia para a pilha que se determinava fazer nas herdades sob orientação dos Serviços Florestais; uma outra, era carregada em camionetas do comprador e levada para a fábrica ou para uma herdade onde este tivesse feito um negócio legal (caso do Amorim), saindo como se toda ela fosse oriunda dessa propriedade».
«E assim, com o meu conhecimento, foram transaccionadas as seguintes quantidades de cortiça só para o comprador Amorim e Irmãos de Santa Maria da Feira: Cooperativa Cravos Vermelhos (76.179 arrobas); Vitória do Sado ( 53 mil); Albergue ( 29.600): Soldado Luís (47 mil);Casebres ( 20.600) 17 de Maio( 37.900); 1º de Janeiro ( 5 mil); Poder Popular ( 3600)»
Contou Mataloto Freira que o dinheiro resultante destes negócios era contabilizado (quando não era logo dividido entre os cooperantes) como venda de gado ou arroz. «Em alguns casos, as cooperativas até pouco gado tinham e outras nem arroz produziam», conta. Era o PCP quem enviava contabilistas de Lisboa, os quais, «voluntariamente davam uma ajuda ao cooperante que estava no escritório para o ajudar a encontrar maneira de contabilizar estas entradas de dinheiro da melhor maneira» …
João Mataloto Freira afirmou que muitas dessas suas denúncias – inclusive, os nomes dos grandes empresários envolvidos – foram encaminhadas para a PJ, estranhando que ao longo de décadas, apenas o «peixe miúdo» tivesse respondido perante a justiça.

Nos tribunais de Beja e Portel, nos anos noventa, correram vários processos citando uma empresa do Grupo Amorim, a «Flocor», por alegado comércio ilegal de cortiça, factos que foram judicialmente inocentados.
Américo Amorim era tido com o um personagem que evitava envolver-se directamente nos negócios no Alentejo. Tinha os seus «testas de ferro» – João Mataloto fala na intervenção de um irmão, José Amorim, que referencia nas cartas que nos entregou – que contactavam os responsáveis das UCP e desbloqueavam as situações mais complicadas.
Um representante do Grupo na região chegou mesmo a receber um telex assinado por Américo Amorim onde este lhe dava instruções para contactar funcionários da Direcção Geral de Florestas de Évora no sentido que fosse libertada a cortiça depositada na Herdade do Panasquinho que tinham sido apreendida, encontrando-se parte do produto a apodrecer há mais de um ano em dois camiões apresados pela GNR num parque da capital alentejana. E o certo é que a matéria-prima foi libertada como por encanto, o que comprova a «força dos argumentos» deste grupo empresarial…
«Atendendo a que me parece que a PJ e não só, apesar de me terem ouvido por duas vezes e dizerem que iam actuar, nada terem feito até agora, certamente porque se trata do grande Amorim que até era do MASP (Movimento de Apoio a Mário Soares à Presidência), entendo actuar desta maneira», refere João Mataloto Freira explicando os motivos pelos quais acedeu a ter este contacto com um jornalista de «o Diabo».
Essas sombras do seu passado em nada parecem ter beliscado aquele que é detentor de uma das maiores fortunas do país e do Mundo. E que soube, como ninguém, gerir a sua imagem entre os poderosos, qualquer fosse o poder vigente. Na sua Herdade do Peral, em Évora, que adquiriu a Jorge de Mello, em 1987,por um milhão de euros, oferece lautas refeições e aprazíveis convívios aos maiorais do regime. Dias Loureiro, o antigo homem forte do BPN e antigo Conselheiro de Estado, Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e homem forte da banca angolana, Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica são alguns dos parceiros de caçadas. Américo Amorim é um excelente relações públicas, ou seja, sabe vender o seu negócio e imagem, das esquerdas às direitas…sobrevivendo a tudo e a todos, até aos regimes.

in : Crime Digo EU

31 janeiro 2012

Boaventura de Sousa Santos: “É possível que amanhã tenhamos que voltar às lutas ilegais”

Por: Cristina P. Rodrigues
A mesa não tinha mulheres. Eram oito pessoas, nenhuma era mulher. Os sete primeiros homens falaram e parece que não perceberam a distorção de uma das atividades que mais juntou gente no Fórum Social Temático, lotando o Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa, sexta-feira 27 à tarde. O oitavo dos homens a discutir “o sentido da democracia” parecia o mais sensível e mais preocupado. Boaventura de Sousa Santos só começou sua palestra depois de reclamar da falta de presença feminina na mesa enquanto tantas mulheres se faziam presentes na plateia. Mas não foi só por isso que, ao final, foi aplaudido de pé.
“A luta democrática tem que ser anticapitalista.” Começou assim a aula do sociólogo português. A democracia era o tema do encontro daqueles oito homens, e Boaventura não deixou de mencionar a sua ausência ou a ameaça de que deixe de existir. Passamos por um momento em que, segundo ele, um dos maiores países capitalistas, a China, dispensa a democracia e outro grande bloco tem a democracia suspensa. A União Europeia, “o berço da democracia e que tentou ensinar ao mundo durante cinco séculos os valores da civilização”, tem agora suas instituições democráticas suspensas e vive uma crise que é econômica e política.
“A presidenta disse q o Brasil já teve neoliberalismo, mas que agora os brasileiros não vão deixar o neoliberalismo entrar novamente. Que deus a ouça.” Boaventura foi tão enfático porque “o neoliberalismo conseguiu esvaziar a democracia de sua vertente redistributiva, e por isso temos hoje democracias de baixa e de baixíssima intensidade”. O roubo e a acumulação originária primitiva chegaram aos salários dos operários europeus, disse Boaventura, encerrando o debate dos motivos da crise e iniciando o das suas alternativas.
A esquerda esqueceu-se de pensar
“As instituições democráticas já não satisfazem as necessidades dos cidadãos.” Alertando sobre as alternativas que se nos apresentam (que podem ser piores do que o que já temos) à crise das instituições, acrescentou que “a democracia representativa virou-se de costas para as populações”. Não surpreende, portanto, que o anarquismo seja a única tradição sobrevivente nos movimentos europeus. Para ele, esquerda e direita “golpeiam da mesma forma” os povos camponeses, indígenas e quilombolas nesse continente.
Impossível avaliar alternativas ao capitalismo que coloca a democracia em crise sem passar pelos movimentos de jovens que estão tomando os espaços, especialmente na Europa. “Autodeterminação dos povos é o que pode nos defender da loucura da globalização neoliberal. A sociedade civil nos responde nos únicos espaços não tomados pelo capitalismo financeiro: as ruas, as praças. A presença dos movimentos nas ruas mostra que a democracia está nas ruas em estados antidemocráticos.” Não faltou crítica à esquerda, no mundo todo, que não pensa, não debate, não progride: “a grande maldição da esquerda no século XX foi transformar militantes em funcionários. Temos que começar pela refundação dos partidos e pela democracia nos movimentos. As cartas dos movimentos da Puerta del Sol mostram essa preocupação pela horizontalidade, pela democracia. A esquerda tem que pensar e a esquerda esqueceu-se de pensar”.

O fascismo ameaça a democracia

E a democracia, para Boaventura, passa pelo respeito à diferente história dos povos do Brasil, não apenas pela redução da pobreza. E, nesse caminho, chama a repensar muitos dos nossos instrumentos de politica. “É possível que amanhã tenhamos que voltar às lutas ilegais”, afinal, é possível que o fascismo, que já toma conta, substitua a democracia no próximo período. As lutas podem ter que ocorrer “por dentro e por fora do Estado, constitucionais e não constitucionais”. Falando exclusivamente de Brasil, em uma crítica direta à presidenta Dilma, disse que “os movimentos sociais talvez hoje se sintam menos acolhidos pela Presidência da República de gente que lutou como eles”.
Boaventura defendeu a autodeterminação como um outro modelo de desenvolvimento, que é parte da luta democrática. “Temos que nos habituar a pensar que os nossos objetos de consumo – tecnologia, roupas – têm sangue. Trabalho escravo é sangue. Há um ciclo de produção que nega a vida, que destrói a vida. E nos obriga a pensar numa outra pauta de direitos humanos, o direito da natureza, que pode nos dar uma nova forma de vida, de prosperidade, que pode não passar pelo crescimento econômico.”
Sobrou também crítica ao governo do Rio Grande do Sul, do amigo Tarso Genro, “um dos homens que melhor pensa a politica no continente latino-americano”. O sociólogo amaciou o ego do governador pouco antes de afirmar que ele precisava fazer no estado a reforma política que não conseguiu aprovar enquanto ministro da Justiça. Tarso falara logo antes de Boaventura e mencionara a dificuldade que passou, também criticando o governo petista do qual fez parte. Bem informado, o português falou na falta de comunicação entre as secretarias estaduais, que muitas vezes não se comunicam nem internamente.
O horário das utopias realistas
A luta dos povos indígenas, quilombolas e campesinos é sempre tema de Boaventura, e dessa vez não foi diferente. “Não podemos tolerar que os indígenas morram todos os dias à beira da estrada porque foram expulsos de suas terras. A reforma do Estado, a refundação da democracia, dos partidos, dos movimentos, é a nossa única garantia da sustentabilidade da democracia. A direita está mostrando que dispensa a democracia. Quem não pode dispensar a democracia é a esquerda. Portanto não podemos falar de sentidos da democracia (Tarso falara no sentido das democracias grega, estadunidense, latino-americana e brasileira). Temos é que democratizar a democracia. Os povos têm que ter suas formas de democracia respeitadas. Indígenas urbanos tinham dificuldade de se adaptar ao Orçamento Participativo porque tinham sua forma de decisão coletiva”. Uma anedota serviu para justificar o argumento do sociólogo. Contou que, quando foi promulgada a constituição da Bolívia, nas primeiras eleições uma comunidade votou 99% a favor de um candidato. A oposição então fez uma queixa de que teria sido fraudada. Foram averiguar e descobriram que se tratava de uma comunidade indígena que passou quatro dias consensuando em quem votar. “O que parecia uma fraude eleitoral era uma forma de democracia de alta intensidade que estaríamos perdendo se não calculássemos essas formas de democracia alternativa.”
Boaventura encerrou com a chamada ao debate. Para que a esquerda pense e proponha alternativas. “Temos q pensar uma nova forma, que não é o capitalismo verde. Podem dizer que é uma utopia, mas todas as utopias têm um horário. E esse é o horário das utopias realistas.”

in Somos andando em 30-01-2012

30 janeiro 2012

CAVACO, OS «SOPRANOS» E A ESTRATÉGIA DO SILÊNCIO

Por: Lucas Carré
Da esqª para a Dtª, Caváco Silva, Dias Loureiro e Duarte Lima
Fustigado coma polémica que tem sido alvo nos últimos dias, depois de referir que as suas duas reformas não chegam para cobrir as despesas que tem, Cavaco Silva vem agora esclarecer que a sua intenção foi ilustrar, com o seu próprio exemplo, que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades. «Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas», refere o Presidente.
 Habituado a gerir silêncios de forma tenaz, o Presidente espalhou-se agora ao comprido, ao tentar mostrar, de forma atabalhoada, que ele também é um homem do povo, de origens humildes ( se bem que o pai fosse dono de uma bomba de gasolina no Algarve, o que indiciava na altura ter rendimentos acima da média), tentando colocar-se à parte de uma classe politica abastada, interesseira e que se aproveitou da sua sombra para projectar as mais variadas negociatas e clientelismo. Foi à custa de Cavaco, e com o seu beneplácito, que personagens dignas de figurar num episódio dos «Sopranos» singraram, enriqueceram e construíram o seu império, como foi o caso de Oliveira e Costa, o antigo dono do BPN, Dias Loureiro, que chegou a sentar-se no palácio de Belém como conselheiro de Estado, ou Duarte Lima, que à pala dos bons cargos que teve no PSD ( chegou a ser líder parlamentar) geriu e «engordou» à custa dos mais variados «lobbies» e negociatas.

 Inúmeras vezes Cavaco fingiu distanciar-se da classe política, colocando-se sempre noutra classe de pessoas, apesar dos mais de 30 anos de participação activa, ao mais elevado nível, na condução dos destinos do país, desde que decidiu pôr-se ao volante da sua viatura e partir rumo à Figueira, para participar num congresso «laranja» onde saiu vencedor. De forma recorrente, recorda as suas origens humildes, a de ser um homem do povo, a de estudante a viver em quartos em Lisboa, e esgrime o seu orgulho pessoal de ter subido na vida a pulso, procurando incentivar o povo com o seu exemplo.

 Cavaco Silva quer mostrar distanciamento da classe política. Não quer ser da classe dos ricos. Mas tem cinco propriedades no Algarve, uma luxuosa vivenda, um apartamento em Lisboa e um rendimento de dez mil euros mensais, segundo consta na sua declaração de rendimentos de 2010, fora um pecúlio amealhado ao longo de anos que ronda os 600 mil euros ( o tal pecúlio que diz agora ter de recorrer por via das suas magras pensões…) Não quer ser da classe dos poderosos, tem horror à burguesia e às festas do «croquete». Mas, entretanto, passou 30 anos a pisar passadeiras vermelhas por todo o Mundo, a lidar com os homens do grande capital, como foi o caso de Oliveira e Costa ou Dias Loureiro, seus antigos acólitos, amigos de casa, colegas de partido, de governo e de lideranças, companheiros de aventuras e lutas partidárias, vizinhos de Verão e sardinhadas e aos quais mantém agora um prudente distanciamento. Cavaco viu ao longo de décadas empresários, poetas, artistas, filósofos, políticos, músicos, nobres, jornalistas, professores, médicos, advogados, estadistas e todos os melhores representantes de todas as classes superiores a desfilar à sua frente, ouvindo-o, curvando-se, bajulando-o, adorando-o. Teria ou não acções no BPN, as quais, ao que parece, estavam em nome de familiares e a data de se descartar das mesmas terá sido uma simples coincidência? Terá ou não amparado o percurso político de Duarte Lima, enredado num crime de fraude de 44 milhões de euros ao BPN e numa acusação de autoria do assassínio da secretária de Tomé Feteira? Ou incentivado o percurso no partido de Dias Loureiro, que entrou na política a ganhar 40 mil escudos mensais como Governador Civil em Coimbra e dela saiu com os bolsos a abarrotar de dinheiro, depois do antigo conselheiro de Estado ter sido envolvido no escândalo BPN por via dos negócios ruinosos com Banco Insular de Cabo Verde?

 O silêncio, o tal silêncio de chumbo que agora gere acerca dos acontecimentos envolvendo estes personagens, outrora pares próximos, foi a melhor estratégia do presidente, como também foi naquele episódio de um seu próximo assessor, Fernando Lima, ter inventado o caso das escutas no Palácio de Belém como arma de arremesso contra o governo de Sócrates em clima pré-eleitoral
 Cavaco Silva fala muitas vezes em nome do povo, das suas misérias, quer ser solidário, tornar-se uma espécie de messias salvador, providencial, esgrimindo também ele, de forma farisaica, as suas próprias necessidades, esquecendo-se que ele foi um dos principais impulsionadores da assinatura do Acordo coma Troika e do recente Acordo de Concertação Social que se traduziu na machadada final ao Estado Social e nos direitos dos trabalhadores, até agora, intocáveis.

 Gerindo no silêncio os mais variados interesses, quase sempre ligados à sua clique partidária e ao seu grupo de amigos partidários, Cavaco pôs a careca à mostra, ao decidir falar, vestindo a farpela do povo. Deveria regressar com a possível brevidade à sua função de sábio da Economia – e mesmo aí temos algumas dúvidas, pois foi durante o seu consulado como primeiro – ministro, e a protecção desmesurada aos grandes interesses económicos ligados ao «betão», que apressou a bancarrota do país…

in Crime Digo Eu em 24/Jan/2012

29 janeiro 2012

Flash Mob, contra o Presidente Cavaco Silva

Manifestação  contra as declarações de Cavaco Silva









PSP recolheu as moedas e os géneros alimentares que cerca de 300 manifestantes pretendiam entregar no Palácio de Belém no protesto simbólico contra as declarações do Presidente da República a propósito das suas reformas. A manifestação tipo ‘flash mob’, convocada através da rede social Facebook começou cerca das 17h30 e terminou 60 minutos depois, após terem sido angariados pacotes de leite, cereais, arroz, pão e algumas moedas. A entrega de bens na Presidência não foi permitida pela PSP até porque a segurança fora reforçada, devido à presença do presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy. A manifestação foi convocada na segunda-feira como uma flash mob e embora a adesão não tenha transmitido os níveis de contestação que têm alastrado ao país, depois de Cavaco Silva ter dito, na sexta-feira, que as pensões de reforma que recebe da Caixa Geral de Aposentações (1300 euros) e do Banco de Portugal, até cerca de 8 mil euros, num total de 10 mil euros, não daria provavelmente para pagar as despesas.

"Neste momento já sei quanto é que irei receber da Caixa Geral de Aposentações. Descontei quase 40 anos uma parte do meu salários para a CGA como professor universitário e também descontei durante alguns 30 anos como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem 1300 euros por mês”, disse Cavaco, de visita ao Porto, na sexta-feira. “Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República”. Após estas declarações, o Presidente da República foi vaiado, em Guimarães, no sábado, durante a abertura da Capital Europeia da Cultura 2012, ouviu críticas de líderes políticos como Jerónimo de Sousa (PCP) e Francisco Louçã (BE), do lider parlamentar socialista Carlos Zorrinho, mas também de comentadores como Marcelo Rebelo de Sousa (PSD). Quanto à petição online em que se pede a demissão do Presidente, em três dias já congregou mais de 22 mil assinaturas, até às 19h00 de hoje. O vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=paL0FjSopQ8.

Publicado em: Máfia Portuguesa

24 janeiro 2012

Peditório Urgente


Caros cidadãos, venho por este meio prestar a minha solidariedade com o nosso amigo Aníbal e a sua Mariazinha, peço-vos encarecidamente que ajudem e contribuam com alguma coisinha. Este pobre homem só recebe onze mil trezentos e quarenta e dois euros mensalmente. É impossível com este rendimento aguentar o custo de vida, como pode este casal de desgraçadinhos viver com dignidade se não ganham o suficiente para pagarem as despesas no final do mês?
Enviei cartas a todas as instituições de caridade do nosso país até para o albergue dos sem-abrigo da Trindade que se prontificaram logo a dar-lhes uma sopinha quente o problema é que a Mariazinha não gosta de comer na marmita só sopas de pacote e o Aníbal faz alergias à couve lombarda só engole as de Bruxelas. Bem que eu andava desconfiada, porque o homem só abre a boca para dizer; “eu avisei que isto não andava nada bem”.
Por isso seja solidário envie para o Palácio Nacional de Belém o que puder, arroz carolino, santolas, cheques visados, cupões de descontos dos hipermercados, raspadinhas, lotarias, produtos de beleza para a Mariazinha, porque a verdade se diga a senhora anda muito mal das peles, eles aceitam tudo desde que o valor seja superior ao rendimento mensal.
Eu já fiz o meu donativo mandei-lhes um das Caldas bem grande para irem gozar com o caralho.
Ajude, eles sempre foram tão poupadinhos, enviem-lhes o manual, “como viver com cento e cinquenta euros mensais”.

Viva a igualdade, viva o Presidente do choradinho!


Conceição Bernardino

22 janeiro 2012

Para ti Cavaco Silva só me apetecia lhe mostrar os dentes ..............



Para ti e todos os mamões que estão na Assembleia da República das BANANAS de Portugal.
Então agora vais passar a ganhar mais 1300 euros a somar aos 10042 euros que já mamas.
Será que 11342 euros por mes não lhe chegam para as despesas ???
Insultas gratuitamente todos os Portugueses !!!

Seu infame !!!!!!! Tenha vergonha na cara .




Ai que vontade de lhe dar uma valente dentada !!!!!!!!!!!!


Ainda chegas a ser pior que o cenourinha do Jorge Sampaio, o tal que recebeu a esmola do Rei de Espanha, no valor de 90000 euros em 2004.

CALE-SE CAVACO SILVA, CALE-SE.

NÃO NOS ENVERGONHE MAIS SEMPRE QUE ABRES A BOCA, ENFIE NELA UM BOLO REI E NÃO INSULTE MAIS A NÓS PORTUGUESES ..............

20 janeiro 2012

Este país não é para totós



Contra-indicações: se sofre de gases, azia, urticária, varizes, hemorróidas, acne, enxaquecas, lombrigas, bicha-solitária, pés de galinha e outras coisas acabadas em inha não leia, caso sinta algum destes sintomas procure de imediato um totó.

Ando com um totó entalado no nariz, o raio do macaquinho entope-me as fossas nasais de tal forma que nem um balde de água do mar o afoga, já experimentei de tudo, pinças, cotonetes, lipoaspiração e imaginem só que até o tubo do aspirador tentou suga-lo mas a única coisa que aspirou, foi uma moeda de cinquenta cêntimos, fizeram-me cá um jeitaço dos diabos estava mesmo tesa que nem um jaquinzinho.
Existem vários tipos de totós, para cabelos compridos, curtos, ondulados e para carecas, confesso que o meu preferido é daquele mesmo totó até ao tutano que compra todos os manuais instrutivos para totós. Estou a pensar seriamente abrir uma instituição de apoio ao totó e para totonas e angariar umas croas à custa desta classe mais desfavorecida. Dói-me muito quando vejo um totó a chorar por maus tratos de foro cabeludo ou narigudo, tudo lhes pega é piolho, chato, sarna, carraça que dá cá umas comichões entrefolhos que nem vos conto. Pobres vítimas da civilização enfiados por baixo das carapuças e dos chapéus de palas circulam por todo o lado e se abanarmos muito a cabeça o coitado vomita, porque não consegue aguentar uma mexedela de consciência, precisa sempre de uma cabeça que o guie, nem que seja a do alfinete que é bom para furar balões em dias de festa, ou na procissão da nossa senhora dos caramelos sem açúcar para segurar no estandarte dos chupas. Ai por falar em chupas, já me esquecia de comunicar aos totós que já existe chupas à venda nas farmácias a custo baixo ou alto, conforme a medida do totó, são feitos de vaselina com sabor a arroz de pato, não vá alguém lembrar-se de prender os cabelos do cú.

Viva os totós, viva a liberdade dos caramelos!

Conceição Bernardino

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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