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19 outubro 2010

Uma pequena teoria, que talvez nunca tenham pensado.

Como poderão saber, os ingleses pagam à semana e claro, administrativamente é uma seca! Mas ...diz-se que há sempre uma razão para as coisas! Ora bem, cá está um exemplo aritmético simples e que não exige altos conhecimentos de matemática.
Fala-se que o governo pode vir a não pagar aos funcionários públicos o 13º mês.
Se de facto o fizerem, é uma roubalheira sobre outra roubalheira. E porquê? Porque o 13º mês não existe! (Passo a explicar para não dizerem já "duh")

O 13º mês é uma das mais escandalosas de todas as mentiras do sistema capitalista, e é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam.

Eis aqui uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.

Suponhamos que um trabalhador ganha 700,00 por mês. Portanto, multiplicando-se esse salário por 12 meses, recebem um total de 8.400,00 por um ano.
700X12 =  8.400,00

Em Dezembro, o generoso patrão manda então pagar-lhe o conhecido 13º mês. Logo,

8.400,00 + 13º mês =  9.100,00

8.400,00 (salário anual) +  700,00 (13º mês) =  9.100,00 (salário anual mais o 13º mês)

E o trabalhador vai para casa todo feliz com o patrão.

Agora vejam bem o que acontece quando o trabalhador se predispõe a fazer umas simples contas que aprendeu no 1º ciclo:

Se o trabalhador recebe  700,00 mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana  175,00.

700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) =  175,00 (Salário semanal)

Portanto, o ano tem 52 semanas. Se multiplicarmos  175,00 (salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será  9.100,00. Façam as vossas contas.

175,00(salário semanal) x 52 (número de semanas anuais) =  9.100.00

E como já verificaram, o resultado acima é o mesmo valor do salário anual mais o 13º mês

Então, onde está o 13º mês?

A explicação é simples, embora os nossos conhecidos líderes nunca se tenham dado conta desse facto simples.

A resposta é que o patrão lhe rouba uma parte do salário durante todo o ano, pela simples razão de que há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas (ainda assim, apesar de cinco semanas o patrão só paga quatro semanas) o salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.

No final do ano o generoso patrão presenteia o trabalhador com um 13º mês, cujo dinheiro saiu do próprio bolso do trabalhador.

Se o governo retirar o 13º mês aos trabalhadores da função pública, o roubo é duplo.

Daí que, como palavra final para os trabalhadores inteligentes, não existe 13º mês nenhum. O patrão apenas devolve o que sorrateiramente lhe surripiou do salário anual.

Conclusão: Os Trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional.

Nota: Recebi de pessoa devidamente identificada e com credenciais no assunto em salários.

16 dezembro 2009

A CAPACIDADE DE NEGOCIAÇÃO...

Muito se tem falado, estes últimos dias, do aumento, ou não no salário mínimo Nacional, para 475€ mensais, quanto a mim uma vergonha, mas isso é a minha opinião, estando já o patronato a delinear estratégias de combater este aumento, inclusive com ameaças de mais despedimentos. Somos um país do 3º mundo, que temos o privilégio de estar metidos na Europa, e dela sermos o seu caixote do lixo. Aqui ao lado, em Espanha, com a crise bem patente como em todo o mundo em geral, os salários na mesma qualificação, são 3 vezes mais do que os praticados aqui, e dou um exemplo:

A minha empresa, irá ser integrada a partir de Janeiro de 2010, numa economia de escala, criando-se assim a empresa IBÉRICA, que em conjunto com a mesma representante Espanhola, darão cobertura aos seus clientes da mesma forma até aqui, nada mudando para estes, mas aligeirando processos, e juntando recursos, quanto a isto nada a dizer. Em Outubro último, por causa da dita reestruturação, a empresa levou a cabo aqui e em Espanha, despedimentos colectivos, no seu total cá foram 41 trabalhadores, e em Espanha 180. É certo e sabido, que Espanha, regista cerca de 19% de desemprego, e Portugal cerca de 10,2%, compare-se no entanto a população activa de um e de outro. Compare-se ainda, o nível de vida e o custo deste, em que os bens essenciais são bem mais baratos do que cá, e os salários, como disse à pouco, bem mais superiores, na casa dos 1000€ mensais, na minha categoria (Vendedor), mas nas outras, chega a ser bem mais gritante a disparidade. Mas lá, em Espanha, os administradores da minha empresa, ganham menos do que os de cá, querendo dizer, que a riqueza é melhor redistribuída. O que fazer então, quando à 5 anos a esta parte, não tem havido aumentos na empresa, e o poder de compra tem-se vindo a degradar? Vamos então negociar.

O processo de negociação, passa por várias etapas, e é isso que quero aqui explicar, para se ser bem sucedido, ou pelo menos, se tirar maior rentabilidade de um negócio. “Um negócio só é bom, se for bom para ambas as partes“. Toda a gente sabe, que os sindicatos e as comissões de trabalhadores, são quem normalmente negoceia estas questões, e nesse campo não há nada a dizer. Mas os sindicatos e comissões de trabalhadores, são hoje reféns das empresas, e eu digo isto com conhecimento de causa, pois já fui delegado sindical, e este assunto é que levou ao meu abandono do dito sindicato.

1ª Etapa – Tentar perceber se existe vontade da administração em mexer nos pontos que queremos propor, ou ouvir a proposta da empresa para esse assunto. Ouvir os colegas, definir estratégias, negociar-mos entre nós o que queremos levar para a mesa das negociações, criar consenso, eleger a pessoa que irá representar o grupo e elaborar a dita proposta a apresentar (foi o que fizemos).

2ª Etapa – Esperar a oportunidade de apresentar a proposta, ou criar dentro da legalidade essa oportunidade, nomeadamente, convocando uma reunião com a administração da empresa (foi o que fizemos, numa reunião em que se tocou no assunto dos vencimentos)

3ª Etapa – Apresentar, de forma ordeira e sucinta, distribuindo à administração, cópia da mesma proposta, para que saibam bem do que propomos e as razões (foi o que fizemos).

4ª Etapa – Acompanhar de perto a evolução do desenrolar dos acontecimentos e movimentações, tentando perceber, se existe ou não, vontade de irem ao encontro das nossas pretensões.

Não esquecer, que um elemento importante deve ser tido em conta, nomeadamente, que se queremos alcançar os 10, teremos de pedir 20, para eles oferecerem os ditos 10 que pretendemos, claro que numa lógica sempre de negociação e conscientes de que o que se pede é perfeitamente aceitável, e razoável.

Na nossa negociação, a administração, não ficou muito satisfeita com esta forma de que nós adoptamos por negociar, pois no ano anterior, impuseram eles a forma e os aumentos que quiseram , e nós perdemos 44% face ao antigo sistema de comissionamento, e ficamos uns a falar para os outros, criando uma balbúrdia total, em que a empresa depois foi negociar individualmente com cada filial e seus respectivos vendedores, numa clara alusão ao “dividir para reinar” impondo assim o seu sistema. Mas desta vez, antevendo que se passaria o mesmo, antecipamos-nos e organizamo-nos, de forma a que não nos comam por lorpas mais uma vez. Ouvimos de tudo, desde que “Não pensava-mos que estávamos perante um sindicato de vendedores“, dizia um, outro ia mais longe, afirmando que tinha acabado a URSS, e o comunismo, e que não estávamos no tempo do PREC, e no 25 de Abril, todos estes, claro para espanto dos Espanhóis na sala, que são quem vai ficar a mandar nesta empresa nova IBÉRICA, boquiabertos com tamanha organização da nossa parte, não fazendo a mínima ideia dos salários e comissões aqui praticadas. Lamentáveis afirmações, as proferidas por alguns “Ratos Gordos”, que se pavoneiam com altas máquinas e salários “chorudos”, e o nosso parque automóvel, automóveis que servem para as nossas deslocações nas vendas, vendas essas que rendem milhares de euros para a empresa, está a degradar-se dia após dia.

Numa apresentação feita antes dessa reunião, foi-nos transmitido, que a “Limpeza”, referindo-se aos despedimentos colectivos anteriores, tinha mesmo assim, com indemnizações pagas, dado um resultado positivo para a empresa de 1,2 milhões de Euros, numa clara falta de respeito para com os colegas que foram dispensados, a sua grande maioria, numa idade em que são velhos para o trabalho e novos para a reforma. Mas como a mim ninguém me cala, coube-me a mim falar por todos, e assim, dar algumas chapadas de luva branca nos senhores administradores, que irão agora, pressionados pelo administrador geral Espanhol, rever todas as folhas salariais em vigor na empresa, resta-nos esperar para ver.

@Beezz
Carlos Rocha

29 outubro 2008

QUE MERDA DE PAÍS É ESTE?!?


Empresários declaram guerra ao aumento do salário mínimo

A Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas ameaça instruir os seus associados a suspenderem as renovações de contratos a termo, caso o Governo de José Sócrates "insista" na actualização do salário mínimo.

O presidente da Associação Nacional de PME considera que o aumento do salário mínimo terá como consequência directa a expansão do número de beneficiários do subsídio de desemprego. A jusante, vaticina Augusto Morais, obrigará o Governo a elaborar um orçamento rectificativo.

"A Associação não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos, o que significa que o primeiro-ministro vai ter uma aumento do desemprego", afirmou o responsável.

"O aumento do desemprego vai levar os trabalhadores a recorrerem ao fundo de desemprego, obrigando o Governo a fazer um orçamento rectificativo", avisou.

Porra, o aumento já é só por si uma miséria que não dá para nada... Afinal que merda de país é este?


triatlo publicado aqui e em: "Beezz..." e "Democracia em Portugal"

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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