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06 abril 2011

ONU criou na Líbia um precedente grave

A utilização de poderosos meios militares na Líbia, numa nítida ingerência na política interna de um Estado independente, com o pretexto de resolver um problema de direitos humanos, criou um precedente de alto grau de gravidade que pode trazer, por arrastamento, situações demasiado confusas e contraditórias.

Pode analisar-se por oposição aos casos que a ONU prometeu resolver com referendos na Caxemira (1947) e no Saraui (1987), com a não entrega do Poder ao Novo Presidente eleito na Birmânia (Myanmar) (1990), com caso semelhante mais recente na Costa do Marfim (28-11-2010), etc

Compreende-se que alguns chefes de Estado com alguma representatividade internacional não gostem da personalidade de Muammar al Kadhafi, poderá discordar-se frontalmente da violência com que reprimiu a revolta popular, mas isso não legaliza a ingerência bélica em assunto interno. Há outros meios diplomáticos para situações semelhantes. Por exemplo, no diferendo recente entre as Coreias, enquanto os EUA avançaram para a área com porta-aviões para exercícios militares com a Coreia do Sul, em atitude ameaçadora de aviso a Pyongyang, a China tomou uma iniciativa diferente, enviando embaixadores a cada uma das Coreias para apaziguar os ânimos pela via do diálogo, objectivo que conseguiu. Também, quanto à Líbia, para garantir a sua neutralidade no caso da invasão do Iraque, a França e a Grã-Bretanha, pela via diplomática, conseguiram que Kadhafi se integrasse na política ocidental e deixasse de apoiar o terrorismo, sendo colocada uma pedra sobre o abate de avião comercial sobre Lockerbie.

Há dias, num grupo de amigos levantou-se conversa sobre este antecedente criado pela ONU. E, curiosamente, houve quem afirmasse que tudo o que a ONU decide é legal pois não há nada superior ao seu poder, que a possa condenar. E, mais adiante, a mesma pessoa defendeu que em política internacional não há regras, nem moral, e são os interesses dos intervenientes que ditam os procedimentos e os comportamentos. Fiquei espantado, porque não esperava ouvir isto de tal pessoa. Se na prática é um pouco assim, em teoria, e no campo dos conceitos, isso não deve ser defendido e usado como argumento.

Prefiro optar pela opinião do conselheiro de Estado, economista Vítor Bento exposta no artigo Políticos foram os maiores culpados da crise, diz conselheiro Vítor Bento em que defende que a moral não deve estar ausente das decisões políticas, o que foi publicado no post Economia, moral e política. Parece que o maior cancro da sociedade actual, desde os Estados e à humanidade global, é a ausência de ética, de respeito pelas pessoas, pelos outros, pela lógica, sendo tudo suplantado pelo dinheiro, os bens materiais que sirvam para a ostentação de poder, em todas as suas formas, as matérias primas estratégicas que garantam poder e domínio sobre os mais fracos, etc.

É preciso fazer um esforço persistente e bem participado para restaurar os valores que permitam um melhor relacionamento entre os seres humanos e as suas instituições de forma a que não voltem a repetir-se violências assassinas como a que a ONU desencadeou contra o povo Líbio, que já estava e continua a estar bastante sacrificado. A Paz deve ser um objectivo desejado a todos os níveis e ela não se adquire, de forma duradoura, com agressões violentas.

Imagem do Google

16 dezembro 2009

A CAPACIDADE DE NEGOCIAÇÃO...

Muito se tem falado, estes últimos dias, do aumento, ou não no salário mínimo Nacional, para 475€ mensais, quanto a mim uma vergonha, mas isso é a minha opinião, estando já o patronato a delinear estratégias de combater este aumento, inclusive com ameaças de mais despedimentos. Somos um país do 3º mundo, que temos o privilégio de estar metidos na Europa, e dela sermos o seu caixote do lixo. Aqui ao lado, em Espanha, com a crise bem patente como em todo o mundo em geral, os salários na mesma qualificação, são 3 vezes mais do que os praticados aqui, e dou um exemplo:

A minha empresa, irá ser integrada a partir de Janeiro de 2010, numa economia de escala, criando-se assim a empresa IBÉRICA, que em conjunto com a mesma representante Espanhola, darão cobertura aos seus clientes da mesma forma até aqui, nada mudando para estes, mas aligeirando processos, e juntando recursos, quanto a isto nada a dizer. Em Outubro último, por causa da dita reestruturação, a empresa levou a cabo aqui e em Espanha, despedimentos colectivos, no seu total cá foram 41 trabalhadores, e em Espanha 180. É certo e sabido, que Espanha, regista cerca de 19% de desemprego, e Portugal cerca de 10,2%, compare-se no entanto a população activa de um e de outro. Compare-se ainda, o nível de vida e o custo deste, em que os bens essenciais são bem mais baratos do que cá, e os salários, como disse à pouco, bem mais superiores, na casa dos 1000€ mensais, na minha categoria (Vendedor), mas nas outras, chega a ser bem mais gritante a disparidade. Mas lá, em Espanha, os administradores da minha empresa, ganham menos do que os de cá, querendo dizer, que a riqueza é melhor redistribuída. O que fazer então, quando à 5 anos a esta parte, não tem havido aumentos na empresa, e o poder de compra tem-se vindo a degradar? Vamos então negociar.

O processo de negociação, passa por várias etapas, e é isso que quero aqui explicar, para se ser bem sucedido, ou pelo menos, se tirar maior rentabilidade de um negócio. “Um negócio só é bom, se for bom para ambas as partes“. Toda a gente sabe, que os sindicatos e as comissões de trabalhadores, são quem normalmente negoceia estas questões, e nesse campo não há nada a dizer. Mas os sindicatos e comissões de trabalhadores, são hoje reféns das empresas, e eu digo isto com conhecimento de causa, pois já fui delegado sindical, e este assunto é que levou ao meu abandono do dito sindicato.

1ª Etapa – Tentar perceber se existe vontade da administração em mexer nos pontos que queremos propor, ou ouvir a proposta da empresa para esse assunto. Ouvir os colegas, definir estratégias, negociar-mos entre nós o que queremos levar para a mesa das negociações, criar consenso, eleger a pessoa que irá representar o grupo e elaborar a dita proposta a apresentar (foi o que fizemos).

2ª Etapa – Esperar a oportunidade de apresentar a proposta, ou criar dentro da legalidade essa oportunidade, nomeadamente, convocando uma reunião com a administração da empresa (foi o que fizemos, numa reunião em que se tocou no assunto dos vencimentos)

3ª Etapa – Apresentar, de forma ordeira e sucinta, distribuindo à administração, cópia da mesma proposta, para que saibam bem do que propomos e as razões (foi o que fizemos).

4ª Etapa – Acompanhar de perto a evolução do desenrolar dos acontecimentos e movimentações, tentando perceber, se existe ou não, vontade de irem ao encontro das nossas pretensões.

Não esquecer, que um elemento importante deve ser tido em conta, nomeadamente, que se queremos alcançar os 10, teremos de pedir 20, para eles oferecerem os ditos 10 que pretendemos, claro que numa lógica sempre de negociação e conscientes de que o que se pede é perfeitamente aceitável, e razoável.

Na nossa negociação, a administração, não ficou muito satisfeita com esta forma de que nós adoptamos por negociar, pois no ano anterior, impuseram eles a forma e os aumentos que quiseram , e nós perdemos 44% face ao antigo sistema de comissionamento, e ficamos uns a falar para os outros, criando uma balbúrdia total, em que a empresa depois foi negociar individualmente com cada filial e seus respectivos vendedores, numa clara alusão ao “dividir para reinar” impondo assim o seu sistema. Mas desta vez, antevendo que se passaria o mesmo, antecipamos-nos e organizamo-nos, de forma a que não nos comam por lorpas mais uma vez. Ouvimos de tudo, desde que “Não pensava-mos que estávamos perante um sindicato de vendedores“, dizia um, outro ia mais longe, afirmando que tinha acabado a URSS, e o comunismo, e que não estávamos no tempo do PREC, e no 25 de Abril, todos estes, claro para espanto dos Espanhóis na sala, que são quem vai ficar a mandar nesta empresa nova IBÉRICA, boquiabertos com tamanha organização da nossa parte, não fazendo a mínima ideia dos salários e comissões aqui praticadas. Lamentáveis afirmações, as proferidas por alguns “Ratos Gordos”, que se pavoneiam com altas máquinas e salários “chorudos”, e o nosso parque automóvel, automóveis que servem para as nossas deslocações nas vendas, vendas essas que rendem milhares de euros para a empresa, está a degradar-se dia após dia.

Numa apresentação feita antes dessa reunião, foi-nos transmitido, que a “Limpeza”, referindo-se aos despedimentos colectivos anteriores, tinha mesmo assim, com indemnizações pagas, dado um resultado positivo para a empresa de 1,2 milhões de Euros, numa clara falta de respeito para com os colegas que foram dispensados, a sua grande maioria, numa idade em que são velhos para o trabalho e novos para a reforma. Mas como a mim ninguém me cala, coube-me a mim falar por todos, e assim, dar algumas chapadas de luva branca nos senhores administradores, que irão agora, pressionados pelo administrador geral Espanhol, rever todas as folhas salariais em vigor na empresa, resta-nos esperar para ver.

@Beezz
Carlos Rocha

07 março 2008

Terroristas, dissidentes ou apenas oposição?

Na Colômbia, desde 1978, já lá vão 30 anos, as Forças Armadas governamentais têm combatido as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), sem sucesso, como se vê pelas notícias mais recentes.

No Sri Lanka, que já teve os nomes de Taprobana, Serendib e Ceilão, a família Bandaranaike, sucessivamente no Governo, tem enfrentado o conflito com a população tamil, alimentado por razões étnicas e religiosas. Os Tigres Libertadores do Eeelam Tamil (LTTE) controlam totalmente a província de Jaffna, no norte e reivindicam a fusão das províncias do Norte e do Leste para constituírem um Estado a que chamam de Eeelam Tamil.

Os curdos querem criar um Estado que se estende por parte da Turquia, do Iraque e do Irão, mas têm sido contrariados com as consequentes perdas de vidas.

Além destes, há muitos outros casos, mais ou menos conhecidos, de dissidências ou de oposições menos respeitadas e mais oprimidas, que, devido à arrogância do Poder instituído, muitas vezes de forma fraudulenta, ocasionam violência excessiva e inútil de que resultam perdas de vária ordem e a criação de um clima de insegurança e de medo que nada contribui para a paz de espírito e a felicidade dos povos. E, com isso, endurecem os ódios que tornam menos viável uma resolução pacífica da situação.

Pode afirmar-se, de uma forma geral, que, em cada caso, se as partes em confronto se interessassem verdadeiramente pela felicidade dos habitantes e o desenvolvimento sócio –cultural do País, tudo se poderia resolver pacificamente pelas negociações, a bem das pessoas.

Agora na América Latina desenhou-se uma perspectiva de guerra entre a Venezuela e a Colômbia, com o perigo de atrair terceiros em apoio de um e de outro, podendo atingir dimensões de tragédia continental. Mas, entretanto, surgiram mediadores que procuraram amaciar as relações entre as partes. Oxalá seja obtido o melhor resultado e que, entretanto, a Colômbia se entenda da melhor forma com as FARC, em benefício do País em que todos devem viver em harmonia.

Sobre os perigos das guerras e as vantagens das resoluções pacíficas de conflitos já aqui foram colocados os seguintes textos, entre outros:

Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
A Paz pelas conversações
Guerra a pior forma de resolver conflitos
Paz pela negociação.
A Paz como valor supremo

Prémio

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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