05 agosto 2009

Super-gajo modelo nacional

É curiosa a generalizada facilidade com que se criticam os governantes, pobres indivíduos que não dormem nem descansam a pensar nos muitos problemas que têm que resolver em benefício do povo que se mostra descontente e ingrato. O ministro das Finanças quando passou a acumular com a pasta da Economia foi bem claro ao referir esse esforço hercúleo.

Por outro lado, à mínima falha ou «discrepância», elevam-se as vozes populares a dizerem tudo o que andavam a recalcar desde que procuravam esquecer a última situação confusa. Os políticos, saídos do povo e nem sequer tendo sido escolhidos os mais dotados de qualidades cívicas e intelectuais, acabam por ser uma amostra de um determinado escalão da sociedade de origem. Ora, o português tem desenvolvido o culto pelo «gajo», principalmente, pelo «gajão», o «super-gajo», aquele que, no relvado, consegue rasteirar o adversário sem que o árbitro veja, ou ao mínimo encosto se atira para o chão a queixar-se da suposta falta que o adversário cometeu sobre ele. Também é admirado o sortudo que diz ter ganho várias taludas ou o euromilhões ou aquele que consegue vender uns quadros por dez vezes o seu preço normal, etc.

E olhando para estas características, não custa compreender os resultados das últimas eleições autárquicas em que candidatos sob suspeitas de crimes graves, e sem apoio dos partidos a que tinham pertencido, conseguiram ganhar as eleições como independentes. São indivíduos da classe dos «super-gajos, ídolos do povo, modelos de habilidade e esperteza que todos tentam imitar. E daí que um dos partidos mais significativos no leque político do País, embora concorde que não devem candidatar-se aqueles que estão sob suspeita pública de crimes, não hesitou em escolher para as listas indivíduos arguidos de crimes relacionados com as suas funções. São modelares «super-gajos», os tais que são apontados ao povo como exemplos.

Mas se tudo isto é coerente com o modo de ser do português médio e os dirigentes políticos estiverem a agir com inteligência, já o mesmo não acontece com o caso da Joana que mostrou mentiras nítidas que nos foram atiradas aos olhos misturadas com areia para impossibilitar a visão. Não houve convite oficial? Nisso acreditamos. A sua oficialização seria apenas o encerramento de negociações que decorrem durante mais ou menos tempo. O convite existe desde o primeiro momento, a aceitação e a oficialização vem depois. O pedido de namoro é um «convite» de casamento que poderá vir a realizar-se mais tarde. E essa mentira a respeito de Joana acabou por ficar bem clara.

Um outro aspecto dos políticos «super-gajos» saltou mais uma vez da caixa. Autarcas que se consideram acima da lei, acima dos tribunais onde desrespeitam juízes (há vários casos). Também a forma descortês com que se referem ao PR, ao Tribunal de Contas, ao Provedor, ao PGR, aos políticos de outros partidos, são um mau exemplo para o cidadão. Olhando para isso, ficamos sem saber se devemos respeitar alguém. Perante este ambiente que tem muitos outros matizes, parece que da classe política, salvo eventuais excepções, ninguém merece o nosso respeito. Mas merecem, isso sim, o nosso esforço de irmos às urnas entregar o boletim virgem, imaculado, sem um pinta de tinta, em branco.

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