14 março 2013

266º Papa da Igreja

O novo papa. O conclave elegeu ontem quarta-feira (13) o cardeal Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, argentino, como novo Papa, sucessor de Bento XVI à frente da Igreja Católica Apostólica Romana.
Após uma eleição histórica, torna-se no 266º Papa da Igreja, sendo o primeiro latino-americano e também o primeiro jesuíta.
 
 
 
 
 
Francisco I, vem disputar o consenso social
 
in: ARGENPRESS.info 14/Março/2013
 
A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder económico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a considerar em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização uma vez que esta civilização contemporânea está ordenada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.

Quando o sistema mundial era desafiado pelo avanço dos povos e pelo socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu-se caminho a teologia da libertação, em aberta confrontação com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim, a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do Sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar este rumo que abria passagem entre os padres de base e permitiu um grande debate mundial no seio da Igreja.

Os rumos da ofensiva popular batiam à porta da instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhando a ofensiva capitalista para recuperar o poder do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 contra o socialismo e os povos, abrindo o caminho ao poder reaccionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.

Há 40 anos o neoliberalismo foi ensaiado em nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para a seguir estender-se por toda a orbe. A Igreja da Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a ditadura genocida nesse parto neoliberal, ainda que agora fale contra a pobreza e a ética.

Um PAPA polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o próprio carácter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Leste da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Leste da Europa, já abandonado o projecto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o rumo unipolar do capitalismo, transnacional e neoliberal.

O rumo unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou pelos processos específicos que emergem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.

Com a morte de Chávez e milhões mobilizados para constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança à arena o símbolo de um chefe da Igreja nascido no Sul e compenetrado com o projecto do Norte.

O PAPA argentino, Francisco I, vem cumprir o projecto do poder mundial para disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não só se trata de sustentar posições contrárias ao matrimónio igualitário, ou contra o aborto, amplamente difundidas pelo bispo Bergoglio, como de gestar uma consciência de disciplinamento para com a ordem contemporânea, reaccionária, de dominação transnacional.

Nossa América é hoje laboratório de mudança política. A Igreja instituição quer intervir neste processo – não para pressionar essas mudanças e sim para travá-las. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de ideias, pela mudança, ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de estender o rumo socialista. Necessitam disputar o consenso.

Mas, apesar das tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, incluída a igreja dos pobres, o movimento religioso popular, persiste na busca pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bom viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.

O PAPA Francisco I vem com a sua. Nós os povos devemos continuar nossa busca e experimentação em favor de uma nova sociedade, por outro mundo possível, esse que se constrói na luta contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.

1 comentário:

RAMIRO LOPES ANDRADE disse...

Caro Vitor

Estes da igreja não me enganam mais !!!!
Este novo papa argentino esteve envolvido com a ditadura militar argentina, e perseguiu seu próprio povo.
Mais um papa para sugar os fieis .........
De mim não recebem nem um centimo voluntariamente, que morram !!!!!!

Abraços.

Ramiro Lopes Andrade


ARTIGO DO JORNAL EL PAÍS ( ESPANHA )

A sombra da ditadura na Argentina atingiu o Francisco papa

http://translate.google.com/translate?hl=pt-PT&sl=es&tl=pt&u=http%3A%2F%2Felpais.com%2F

A suposta colaboração do novo papa Francisco com a última ditadura em seu país, a Argentina (1976-1983), é o capítulo mais negro da sua vida. Organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que ele relatou dois padres da Companhia de Jesus para o regime quando era provincial da congregação.


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Os dois padres jesuítas são chamados Orlando Yorio, já falecido, e Francisco Jalics, que vive na Alemanha. Ambos haviam ido morar nas favelas de Buenos Aires para se envolver mais com os pobres. Mas, para as autoridades da Igreja que a opção foi franziu a testa. "Muitas pessoas que tinham de extrema-direita crenças políticas franziu a testa em nossa presença nas favelas", diz ele em seu livro Jalics exercícios de meditação, de 1995.

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