09 março 2009

Ramos malignos

Nas raízes dos meus dedos
procuro na terra
a essência da minha infertilidade,
onde as cinzas viram pó
e se espargem na indiferença
silenciosa da humanidade.

Queima-me agora a sede
de um tronco destorcido.
As folhas partiram
enquanto as agulhas
percorrem os ramos malignos
deste cancro maldito,
onde a cura se perde
numa miragem já quase alucinada
entre a coragem
e a dignidade de viver.

I(mploro)
P(erduro)
O(bstruo)

Vou sorrindo à dor como quem
chora por uma palavra…
… apenas uma palavra.

Podes deformar a primavera
com o teu sopro desabrido
mas as cores perfumadas, verdejantes
serão o meu eterno, infindo porto de abrigo.


Conceição Bernardino

4 comentários:

david santos disse...

É, minha querida amiga, Conceição.
Seja qual for a forma ou o modo em que a nossa existência vá existindo: alucinada, alegre, cega, virtuosa, com alegria ou tristeza, será lá, no infinito porto de abrigo que tudo se recomporá. Naquele brilhante porto acabaram-se as implorações. A perdurarão já não o é e não mais haverá obstrução. Será, sem dúvida, o lugar mais lindo que alguma vez tenhamos podido imaginar. Não o vamos ver, claro! Mas a paz existirá para sempre sem que nós também a sintamos. Lá sim. Lá, naquele porto, estamos a salvo. Por isso, o nome porto de abrigo assenta-lhe muito bem.
Parabéns, por mais este "abram os olhos" e com eles vejam. Não os utilizem para encher a barriga.
És fantástica! Ainda és a minha filha mais velha, sabias?
Abraços.

David Santos

victor simoes disse...

Olá Conceição, um poema "triste", depende do ponto de vista de cada um, esta é a minha opinião! Transporta-nos para a meditação, de que afinal, somos simples mortais, e que talvez o nosso último porto de abrigo, seja também um recanto de descanso e alivio, da dor e do sofrimento!
A esse eterno e infindo porto de abrigo,temos direito, todos sem excepção.

Bjs

Portaria ILEGAL disse...

Está mal disposto?
Vá aqui: http://portaria-59.blogspot.com/2009/03/o-melhor-pais-do-mundo.html
cumprimentos e bom fim de semana.

Ana Martins disse...

Olá Conceição,
eu diria que a esse eterno e infindo porto de abrigo, não há quem fuja, sem excepção!

Nada temos tão certo na vida, e também não há dinheiro que o compre!

Bonito e muito realista o poema, uma verdadeira homenagem aos que sofrem vitimas de cancro!

Beijinhos,
Ana Martins

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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