13 março 2010

…dóceis como ópio

não me negues o olhar
agora que já não te consigo ver
os sentidos perderam-se na boca do inferno
na língua de cadáveres esfomeados
penosamente, dóceis como ópio
não rasgues o céu que não te pertence
no brilho que refutas com inglórias
de tudo, que já não te é semelhante,
guarda o fato preto, abutre!
encharca-o de naftalina
quando eu morrer serei as cinzas da tua cegueira,
na garganta do meu silêncio guardarei
os nós do arame farpado dos teus gritos


Conceição Bernardino

3 comentários:

Luis disse...

Amigo,
Adorei este poema que revela amargura pelo momento que se vive e que parece não ter fim.
Desejo que apareça a tal Luz ao fundo do túnel para nos iluminar e dar alento!
Um bom fim-de-semana.

direitinho disse...

Gosto destes poemas. Não se conseguem entende de uma só vez. É preciso votar atrás e saltar linhas, juntar palavras. São nós de arame farpado que ainda estão atravessados.....

david santos disse...

Olá Conceição!
«Hoje trazes a vampirada à rua, mas da forma menos cruel». Os vampiros, mesmo com a garganta "estranfalhada" com facas de lâminas bem afiadas conseguem fazer passar para o exterior todo o seu poder naftalino e semear tempestades, cuja dimensão, é impossível de corrigir.
Contudo, de "fato preto guardado", ele pode tornar-se um (anjinho). E, caso assim seja, não há diabo, por muito diabólico que seja, que consiga assobiar para abutres.
Só tu, Conceição, só tu! Só tu com a tua serenidade e espírito liberto consegues varrer as "cinzas da cegueira" e trazer até nós um tão lindo e brilhante texto.
Um abração para ti, minha filha Conceição Bernardino.

Até sempre, David Santos

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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