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01 maio 2012

1º de Maio, dia Mundial do Trabalho e dia do trabalhador




Visando a instalação de um congresso internacional que celebrasse o centenário da tomada da Bastilha,  na Revolução Francesa, duas tendências reivindicaram desde 1888, a convocação de um tal congresso. Reunidos nas mesmas datas, 14 a 21 de Julho de 1889, aconteceram paralelamente dois congressos em Paris: o chamado "de la salle Pétrelle" e o camado "de la rue de Lancry". O da "salle Pétrelle", de tendência marxista, que passou a ser considerado como o Congresso de fundação da Segunda Internacional.
O belga Raymond Lavigne encaminhou uma proposta ao congresso para organizar uma grande manifestação internacional, ao mesmo tempo, com data fixa, em todas os países e cidades pela redução da jornada de trabalho para 8 horas e aplicação de outras resoluções do Congresso Internacional. Como nos Estados Unidos já havia sido marcada para o dia 1º de Maio de 1890 uma manifestação similar, manteve-se o dia para todos os países.

Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Este novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.

O Dia Internacional do Trabalhador é assim oficializado em 1891, a data foi escolhida em homenagem à greve geral,e em memória dos mártires de Chicago primeiro centro industrial dos Estados Unidos, das reivindicações operárias que nesta cidade aconteceram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Internacional do Trabalho.  
Mártires de Chicago:
 Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados,
Lingg (ao centro) suicidou-se na prisão.
Entre 80 e 90 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, para protestar contra as condições de trabalho  desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.

Grandes manifestações com mais de 10 mil pessoas também aconteceram em Nova York e Detroit. Reuniões e comícios em Louisville, Kentucky, Baltimore e Maryland. Estima-se que por volta de meio milhão de pessoas tenha tomado parte nas manifestações do Primeiro de Maio nos EUA. Estima-se também, que por volta de 1200 fábricas entraram em greve em todo o país em apoio ao movimento.

 Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho).

As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas.

Naquele dia, manifestações, passeatas,  piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura, decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas.

No dia 03 de Maio, as manifestações e greves continuavam. August Spies, um tipógrafo anarquista e editor do periódico Arbeiter-Zeitung, discursou para 6 mil trabalhadores. Ainda enquanto ele falava, os fura-greves da fábrica Mc Cormick Harvester estavam saindo, e parte dos manifestantes deslocou-se para a frente da fábrica, com o objetivo de incomodar os fura-greves. Isso aconteceu pois o local em que falava Spies, ficava a um quarteirão da fábrica. Os manifestantes desceram a rua e fizeram com que os fura-greves voltassem para dentro da fábrica. Foi então que chegou a polícia. Eram aproximadamente 200 policias que, ao reprimir os manifestantes, acabaram matando seis pessoas (outras fontes dizem quatro ou sete), ferindo e prendendo muitas outras.

Spies, vendo o resultado brutal da repressão policial, dirigiu-se ao escritório do Arbeiter-Zeitung, e fez uma circular, convocando os trabalhadores para uma outra manifestação no início da noite do dia seguinte. O protesto do dia 04 de Maio aconteceu na Praça Haymarket, e nele discursaram além de Spies, Albert Parsons, tipógrafo e militante anarquista, e Samuel Fielden, imigrante inglês, operário da industria têxtil e também militante anarquista.

 Os discursos pediam unidade e continuidade no movimento. Havia aproximadamente 2500 pessoas no local, que até o momento faziam um protesto pacífico, tão pacífico que o prefeito Carter Harrison, presente no início dos discursos, afirmou que “nada do que acontecia, dava a impressão de haver necessidade de intervenção da polícia”. Já no final da noite, o mau tempo contribuía para que houvesse apenas umas 200 pessoas na praça. Com a ordem de dispersar a manifestação imediatamente, um grupo de 180 policias chegou ao local.

Apesar de Spies ter dito que os manifestantes eram pacíficos, a polícia iniciou o processo de dispersar os manifestantes. Foi nesse momento que uma bomba explodiu em meio aos policias, matando sete e ferindo aproximadamente 70. A polícia imediatamente abriu fogo contra a população, sendo responsável por incontáveis mortes. Alguns relatos falam em 100 mortos e dezenas de presos e feridos. Ninguém nunca soube se quem atirou a bomba foram os manifestantes ou a própria polícia, para incriminar o movimento.

 Foram presos os líderes das organizações operárias, dezenas de trabalhadores foram feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo os seus pertences.




A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de Junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos, que tinham sido condenados a prisão perpétua. Em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas.

126 anos depois das manifestações e lutas  dos operários de Chicago pela conquista das oito horas de trabalho e da brutal repressão patronal e policial que se abateu sobre os manifestantes, o 1º de Maio mantém todo o seu significado e actualidade.

Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por "Labor Day". É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão. Não foi adoptado  o 1º de Maio.

No Canadá este feriado chama-se "Dia de Oito Horas". Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas.

A França  foi o 1º país a instituir oficialmente a data como feriado nacional em 23 de Abril de 1919, seguida pela Rússia em 1920.

No Brasil, a primeira celebração da data de que se tem registro ocorreu em Santos, em 1895, por iniciativa do Centro Socialista, entidade fundada em 1889 por militantes políticos como Silvério Fontes, Sóter Araújo e Carlos Escobar. A data foi consolidada como o Dia dos Trabalhadores em 1925, quando o presidente Artur Bernardes promulgou um decreto instituindo o 1º de maio como feriado nacional.

Na Europa o "Dia do Trabalhador" comemora-se sempre no dia 1 de Maio.
Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia.

O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pela central sindical CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) e pela central sindical UGT ( União Geral dos Trabalhadores ).

Declaração de Spies, antes de ser enforcado:
"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"

clique para ampliar

"Muitos foram os que tombaram na luta por mundo melhor, do massacre de Chicago aos dias de hoje, um longo caminho de lutas históricas foi percorrido. Os tempos atuais são difíceis para os trabalhadores, a nova revolução tecnológica criou uma instabilidade maior, jornadas mais longas com salários mais baixos, cresceu o número de seres humanos capazes de trabalhar, porém para a nova ordem eles são descartáveis. Essa é a modernidade neoliberal, a realidade do século que iniciamos, a distância parece pequena em comparação com a infância do capitalismo, parecemos muito mais próximos dela do que da pseudo racionalidade neoliberal, que muitos ideólogos querem fazer crer.

A realidade nos mostra a face cruel do capital, a produção capitalista continua a fazer apelo ao trabalho infantil, somente na Ásia, seriam 146 milhões nas fábricas, e segundo as Nações Unidas, um milhão de crianças são lançadas no comércio sexual a cada ano!" in: culturabrasil.com

Bibliografia Consultada:
August Spies. Autobiography.
Jorge E. Silva. As Origens Trágicas e Esquecidas do Primeiro de Maio.
L. Gaylord. O Primeiro de Maio.
Lázaro Curvêlo Chaves. Primeiro de Maio - Dia Mundial do Trabalho.
Lilian Caramel. A Origem do Dia do Trabalho.
Michael Thomas. May Day in the USA: A Forgotten History. Oscar Neebe. Autobiography.
Tom Moates. Reclaiming Our History. May Day & the Origins of International Workers Day.
W. T. Whitney, Jr. May Day and the Haymarket Martyrs. Workers Solidarity Movement. The Anarchist Origins of May Day.

02 maio 2010

1º de Maio: A história e o seu impacto nas relações laborais

 Nunca é demais relembrar a história, sobretudo porque até à bem pouco tempo era desconhecida pelos trabalhadores, para os quais a data apenas assinalava  mais um feriado no calendário. Vale a pena relembrar que, para nós hoje termos melhores condições sociais, outros perderam a vida lutando por esses direitos. Pela memória dos nossos antepassados, e para que a mesma não se apague nas gerações futuras de forma a que os trabalhadores de todo o mundo, estejam atentos ao crescente capitalismo desenfreado e globalizado, que neste momento arrasta para o desemprego, a miséria, a escravidão milhões de seres humanos. Para o capitalismo cego, sem nacionalidade, sem escrúpulos e manipulador que com objectivos de controlo de massas pretende engrossar as fileiras de desempregados e prosseguir com as políticas de exploração do homem pelo homem... relembremos um pouco a história!

texto publicado em Mundo Português em 02 de Maio de 2008

A história conta-nos que a 1 de Maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos da América, quinhentos mil trabalhadores saíram às ruas numa manifestação pacífica para exigir um limite de oito horas por dia de trabalho. A polícia reprimiu e dispersou a manifestação, mas não sem antes ferir e matar dezenas de trabalhadores. A luta não parou por aí e, quatro dias depois, os operários saíram novamente à rua. Destes protestos resultaram, segundo dados da época, 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados, 3 condenados a prisão perpétua. E um exemplo para todo o mundo...

É costume ouvir dizer-se, em política, que as conquistas sociais têm sempre um preço a pagar.No final do século XVIII e ao longo do século XIX, os baixos salários e as jornadas de trabalho que se estendiam até às 17 horas diárias eram comuns nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos da América. Férias, descanso semanal e aposentação não existiam. Para se prote-gerem em situações mais difíceis, os trabalhadores inventaram vários tipos de or-ganização, como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.

No final do século XIX, o auge da Re-volução Industrial sujeitava os trabalhado-res a condições desumanas de laboração, obrigando-os a produzir o máximo ao mais baixo custo. O trabalho não respeitava a idade ou o género, e as organizações sin-dicais eram perseguidas pelas autoridades policiais, tornado-se incipientes.

Sem esquecer as lutas de outros trabalhadores, noutros países e noutras épo-cas, a ‘conquista' do dia 1 de Maio para ‘Dia do Trabalhador' deve ser atribuída aos trabalhadores de Chicago. Mais precisamente àqueles que se manifestaram nas ruas daquela cidade do Estado norte-americano do Illinois, no dia 1 de Maio do ano de 1886.

Um dia para a História

Nesse dia, 500 mil trabalhadores marcharam pacificamente por uma jornada de trabalho com oito horas diárias e foram re-primidos pela polícia. Quatro dias mais tarde, os trabalhadores voltaram a marchar e foram novamente travados pela polícia. Como resultado dos confrontos, alguns operários morreram e alguns líde-res foram presos.

Os jornais da época fizeram as seguin-tes manchetes: "a prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", escreveu o ‘Chicago Tribune'; "estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações", escreveu o New York Tribune.

Ora, mesmo assim a luta não parou. Quando três dos manifestantes presos fo-ram a julgamento, a comunidade internacional pressionou o Governo dos Estados Unidos da América a substituir o júri. Os membros que acabaram por formar o júri definitivo reconheceram a inocência dos trabalhadores, ordenaram a sua libertação e culparam o Estado norte-americano. Es-távamos em 1888.

Os presos que não beneficiaram desta atenção mundial ficaram conhecidos como os "Mártires de Chicago". Mártires será, provavelmente, o termo mais adequado. A verdade é que, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, num congresso realizado em Paris, proclamar o dia 1 de Maio como o Dia do Trabalhador, em memória desses "mártires". Em 1890, o Congresso norte-americano votou a lei que estabeleceu a jornada de oito horas de trabalho.

Um exemplo para o mundo

Um ano mais tarde, no norte de Fran-ça, uma manifestação realizada a 1 de Maio foi dispersada pela polícia. Dez ma-nifestantes morreram. Este novo drama acabou por servir para reforçar o Dia como um dia de luta dos trabalhadores. Meses mais tarde, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou o dia 1 de Maio como dia internacional de reivindicação de con-dições laborais.

Quase duas décadas depois, a 23 de Abril de 1919, o Senado francês ratificou o dia de 8 horas de trabalho e proclamou o 1 de Maio desse ano como dia feriado. Em 1920, a Rússia também adoptou o 1º de Maio como feriado nacional. Este exem-plo foi, entretanto, seguido por muitos ou-tros países. Curiosamente, nos Estados Unidos da América, o dia do trabalhador (Labour Day) é comemorado na primeira segunda-feira de Setembro.
Em Portugal

O historiador José Mattoso revela que houve um reforço da luta do movimento operário português, no final do século XIX. Entre 1852 e 1910, ter-se-ão realizado cerca de 550 greves em Portugal. A subi-da dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições eram as principais exigências dos operários.

Durante a Iª República, festejou-se o Dia do Trabalhador. Mas, com a instituição da Ditadura, um dos primeiros diplomas aprovados dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o Dia do Trabalhador. Em 1933 foi decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos". Durante o Estado Novo, as manifestações no Dia do Trabalho  e não do Trabalhador  eram organizadas e controladas pelo Estado.
Com o derrubar da ditadura, o primeiro 1 de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, esta foi a forma que encontraram de demonstra-rem a sua adesão à revolução, que uma semana antes restituíra a democracia ao país.

04 maio 2012

Pingo Doce, a chacina das pequenas e médias empresas levada ao extremo




Pingo Doce, a chacina das pequenas e médias empresas levada ao extremo.

O Pingo Doce teve certamente prejuízo. Quem irá pagar? Provavelmente poderá ser absorvido por benesses do estado por ter ajudado a tirar as pessoas da rua no dia das manifestações do 1º de Maio.

Mas o mais grave é que estamos a assistir a uma "poda" geral no sector empresarial. As pequenas e médias empresas tombam todos os dias ás dezenas, enquanto isso, as grandes continuam a crescer e a expandir-se, gloriosas e gratas por ter o mercado cada vez mais só para si.
"Maiores fortunas de Portugal cresceram 18% em 2011. Os ricos de Portugal estão mais ricos, segundo a lista das maiores fortunas do País elaborada pela Revista Exame.
As fortunas dos 25 mais ricos de Portugal cresceram 17,8% em 2011 face ao ano passado"fonte


A austeridade infligida, tem vindo a anular a economia, sufoca as empresas, exerce uma função selectiva, onde apenas as que tem fôlego aguentarão o sufoco. Fôlego esse que se mede pela riqueza acumulada, pela dimensão, e pelo proteccionismo do estado.
O caso do hipermercado Continente, que recentemente se aliou em promoções com a EDP, é outro exemplo... O consumo desceu abruptamente há que arrastar os consumidores que sobram, para as empresas que se pretende que sobrevivam.
Aparentemente a polémica do Pingo Doce, vem reforçar a ideia de que se continua a pretender anular a classe média a caminho de uma nova sociedade onde apenas existirão os muito pobres e os muitos ricos. Os muito poderosos e os impotentes. Os muito folgados e os escravos. Os muito impunes e os injustiçados. Os exploradores e os demasiado explorados.
E continuamos a ceifar todos os dias dezenas de pequenas e médias empresas abrindo caminho para o engrandecimento ganancioso dos grandes oportunistas, protegidos pelo estado. "Mota Engil escapa à crise"... UAUAUUU QUE GRANDE FEITO!!!!!"

Continuamos a ceifar famílias que perdem empregos, lares e dignidade.
E basta... basta de culpar o povo por acorrer ao Pingo Doce poupar 50% da sua despesa.
Basta de culpar o povo por usar crédito, para ter lar e família.
Chega de cair no erro que temos sempre caído.
Desculpabilizar os culpados.
Desculpabilizar os que permitem este "dumping" descarado, para exibir o seu poder, atraindo o povo com migalhas e ceifando mais umas pequenas empresas à beira do abismo.
Desculpabilizar os que usaram e abusaram dos dinheiros dos portugueses e agora pedem ao povo que pague.
Desculpabilizar os que permitiram que a banca emprestasse, ou impingisse, dinheiro sem método nem rigor, apenas pela ganancia e usura, ao ponto de desestabilizar a economia do país e das famílias.
Basta de desculpabilizar os incompetentes que tem fingindo gerir Portugal, há décadas e apenas o tem usurpado e usado para benefícios das elites politicas e amigos.
De uma vez por todas, está na hora de apontar os canhões ao alvo certo - o inimigo.
Deixem de perseguir o vosso próprio rabo como gatos tontos, o inimigo está lá no alto, intocável... não está entre nós.
Eles divertem-se a ver o povo a guerrear; porque o vizinho tem telemóvel, o amigo tem carro, os que foram ao Pingo Doce são maus, os que se baldaram ás manifestações são traidores... Povo distraído, entretido, desgastado, enquanto eles prosseguem... intocáveis.

O caso das lojas chinesas também deveria ser ilegal... é um abuso de poder DE ALGUÉM que esconde e defende claramente interesses de alguém mas não os de PORTUGAL OU DOS PORTUGUESES
"Lojas chinesas arrasam comércio português. Governo não ajuda os portugueses.
O que está por trás de tanta loja chinesa? ANTES DE MAIS UMA CONCORRÊNCIA DESLEAL APLAUDIDA PELO GOVERNO PORTUGUÊS. E PAGA PELO GOVERNO CHINÊS.
Acesse o Artigo Completo: http://apodrecetuga.blogspot.com/2011/0

Outras perspectivas e noticias úteis.
"O Sindicato dos Trabalhadores acusa o Pingo Doce de dumping económico, a comercialização de produtos abaixo do preço de custo. O sindicato responsabiliza ainda o Governo e a ASAE, a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica.
O que é o dumping? Teoricamente, esta prática de preços predatórios consiste em um predador, uma empresa dominante do mercado, colocar os seus preços tão baixos por um período suficiente de tempo que os seus concorrentes abandonam o mercado e outros ficam impedidos de entrar, criando barreiras à entrada.
Para a predação ser racional, devem existir expectativas que as perdas actuais ou de lucros previstos vão ser compensadas com ganhos futuros. Isto implica que a empresa tem algumas expectativas razoáveis de ganhar quota de mercado no futuro após o episódio predatório e que a partir daqui os lucros vão ser suficientemente grandes para compensar as perdas no presente. " fonte
Falta de respeito pelo dia do trabalhador
«É um ataque ao 1 de Maio. Estas grandes superfícies, aproveitando aquilo que foi, quanto a nós, uma decisão errada do Governo em permitir a abertura ao domingo. Aliás, foi do anterior Governo. Agora, é uma autêntica provocação abrir ao 1 de Maio e da maneira como o fazem, tentando atrair pessoas, obrigar trabalhadores a trabalhar. É, de facto muito mau. É muito mau que não respeitem esta data», disse João Proença à TVI." fon


Acesse o Artigo Original: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/05/pingo-doce-chacina-das-pequenas-e.html#ixzz1tqvKXlO9

08 junho 2008

Preços dos combustíveis - Concluio Governo/GALP

Meus caros, resolvi divulgar o texto que se segue da autoria de Eugénio Rosa ( Economista ). Por achar do interesse público, dar a conhecer o porquê da cumplicidade entre o Governo Português, e a GALP e sobretudo a ineficácia operativa da Autoridade da Concorrência, que por estar comprometida com o Governo, apenas serve como sorvedouro de dinheiros publicos e para ocupar os desempregados e amigos das elites políticas deste país!

"A Autoridade da concorrência (AdC) acabou de apresentar o seu relatório sobre a formação dos preços dos combustíveis em Portugal. O cálculo dos preço dos combustível à saída da refinaria por parte das petrolíferas (o chamado "pricing") não se faz adicionando os custos suportados pela produção do combustível, que inclui o preço da matéria-prima, que é o petróleo, e todos os custos de refinação, somando depois uma margem de lucro. As petrolíferas para estabelecerem os preços à saída da refinaria, recolhem os preços dos combustíveis no mercado de Roterdão, e depois os preços de venda dos combustíveis de cada dia aos distribuidores, à saída da refinaria, são os preços correspondentes aos do mesmo dia da semana anterior verificado naquele mercado do norte da Europa, a que deduzem apenas o chamado desconto de quantidade, que até beneficia mais a própria GALP, pois é ela que detém a maior quota a nível de distribuição (a GALP distribuição).
O que a Autoridade de Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar se a adopção deste tipo de formação de preços se justificava, e se não estaria a determinar lucros especulativos para as petrolíferas à custa dos portugueses? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão o petróleo utilizado apesar de ter sido o adquirido 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, no entanto na formação dos preços à saída da refinaria ele é considerado como tivesse sido adquirido na semana anterior? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão os lucros da GALP só determinados pelo chamado "efeito stock", ou seja, pela razão referida no ponto anterior, tenham aumentado, entre o 1º Trimestre de 2007 e o 1º Trimestre de 2008, em 228,6%, pois passarem de 21 milhões de euros para 69 milhões de euros? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão a GALP passou a estabelecer os preços dos combustíveis com base nos preços de Roterdão da semana anterior, quando antes estabelecia com base nos preços de Roterdão do mês anterior, tendo passado depois para quinzenalmente, e agora semanalmente, e é de prever que, com a cobertura deste relatório, se prepare para ser diariamente o que, a concretizar-se, inflacionaria ainda mais os seus lucros com base na especulação à custa dos portugueses?
Na produção dos combustíveis nas suas refinarias, a GALP utiliza petróleo adquirido, em média, 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, o que permite que obtenha elevados lucros extraordinários. Em Portugal, entre Dezembro de 2007 e Maio de 2008, de acordo com a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço da gasolina 95 aumentou 9,6%; do gasóleo 19,9%, do gasóleo colorido 29,6% ; e do gasóleo de aquecimento 30,3%. Como o petróleo utilizado na produção dos combustíveis vendidos em Maio de 2008 foi o adquirido em Março de 2008, isto significa que o preço do petróleo utilizado aumentou apenas 6,9% em euros, pois foi esta a subida verificada entre Dezembro de 2007 e Março de 2008. É esta disparidade que permite às petrolíferas embolsarem elevados lucros à custa dos portugueses, que a Autoridade da Concorrência devia ter analisado, mas não o fez.
Em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal eram superiores aos preços médios da UE15, que é constituída pelos países mais desenvolvidos da União Europeia, em cerca de 2% (Gasolina95: +2,4%; gasóleo: +2%; Todos os combustíveis: +2,2%). Por outras palavras, Portugal é o país menos desenvolvido deste grupo de 15 países, com remunerações e rendimentos mais baixos, no entanto os preços a que são vendidos os combustíveis em Portugal são superiores aos preços médios da UE15. É estranho que a Autoridade da Concorrência não tenha encontrado nada de anormal neste disparidade de preços sem impostos, e afirme que "entende não existirem também indícios de uma prática de preços excessivos" (pág. 78 do Relatório da AdC). Tudo isto é estranho, muito estranho mesmo, e carece de uma explicação muito clara. O governo ao aprovar este Relatório da AdC está também a ser conivente com toda esta situação."

Ver artigo integral em: resistir.info

Relatório da Autoridade da Concorrência
Ana Martins

21 fevereiro 2007

MAS SERÁ QUE A TIRANIA DEIXOU SAUDADE?

HAJA DECÊNCIA, HAJA MEMÓRIA

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
1932
Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;
1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal
1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);
1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;
1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;
1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;
1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;
1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;
1941
Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;
1942
Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
1943
Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;
1944
General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.
1945
Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;
1946
Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;
1947
José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;
1948
António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;
1950
Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;
1951
Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na
prisão;
1954
Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;
1957
Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;
1958
José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;
1961
Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;
1962
António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;
1963
Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;
1964
Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;
1965
General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;
1967
Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de tortura na PIDE;
1968
Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
1969
Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
1972
José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;
1973
Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;
1974, 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.
A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as
inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.

Mais ainda
Podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico.
Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas. Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos "Flechas", etc.

10 fevereiro 2007

PARA LÁ DA PESCA...EXIGE-SE O BOM SENSO!













Por: Fernando Casimiro (Didinho)
didinho@sapo.pt
10-02-2007

Esta semana foi dada a conhecer a posição do ministro das pescas e da economia marítima da Guiné-Bissau, Abdú Mané, sobre as negociações de um novo protocolo que fixa as possibilidades de pesca e a contrapartida financeira previstas no Acordo entre a Comunidade Económica Europeia e o Governo da República da Guiné-Bissau respeitante à pesca ao largo da costa da Guiné-Bissau.
Uma posição rígida que apesar de parecer demonstrativa da necessidade de defesa dos interesses nacionais é enganosa na sustentação das exigências apresentadas pelo governante guineense.
É correcto defender o interesse nacional, mas é imperativo definir entre defender o interesse nacional e prejudicar esse mesmo interesse nacional.
A Guiné-Bissau não está a saque e nem deve ser penalizada pelas estatísticas de posicionamento quando se trata de negociar contratos bilaterais ou multilaterais. Penso que esta é uma visão e posição de consenso, no entanto, também se deve pensar na flexibilidade e nos ajustamentos que qualquer acordo impõe para que seja assinado e resolvido.
Fazer braço-de-ferro com a União Europeia, o maior parceiro económico da Guiné-Bissau, numa matéria específica como as pescas é pensar que o sector das pescas por si só resolve todos os problemas da Guiné-Bissau.
Há que reconhecer a importância das contrapartidas financeiras provenientes dos acordos de pesca com a União Europeia e que ainda contemplam outros valores tais como: a formação, o investimento local sustentado, o apoio nas avaliações científicas sobre os nossos recursos marinhos etc.
Pode-se negociar o aumento de valores, sugerir novos pontos de relacionamento, mas tudo numa base de flexibilidade tendo em conta que a União Europeia não se limita única e exclusivamente à questão do negócio no sector das pescas com a Guiné-Bissau.
A União Europeia está presente em todas as áreas estruturais de desenvolvimento da Guiné-Bissau, apoiando de várias formas os projectos apresentados pelos sucessivos governos da Guiné-Bissau bem como de organizações não governamentais, estes no âmbito de candidaturas específicas estabelecidas pela União Europeia.
Numa política suportada pela ganância, como parece ser a movimentação do ministro das pescas e do governo guineense, ou a União Europeia aceita negociar com base nos números fixados pela Guiné-Bissau, ou então não haverá acordo...
Será esta intransigência sinónima de defesa dos interesses nacionais quando o país tem beneficiado de inúmeros apoios da União Europeia? Atenção que não estou a dizer que não se deve negociar ou que se deve assinar um acordo a preço de saldo só para se dizer que se fez um acordo.
A União Europeia é um parceiro privilegiado e deve ser considerado como tal ainda que os números de um acordo, do género das pescas não seja do nosso agrado. Todavia será legítimo os guineenses questionarem aos diversos governantes que geriram as verbas provenientes dos acordos das pescas com a União Europeia, o destino e a aplicabilidade desses montantes, pois o país continua carente de infra-estruturas para fazer face à pirataria marítima, ainda que nos últimos meses tenham sido apresadas várias embarcações no exercício de pesca ilegal nas águas territoriais da Guiné-Bissau.
Em Novembro do ano passado, o próprio ministro Abdú Mané foi acusado publicamente de desvio de dinheiro (300 milhões de Francos CFA) proveniente receitas oriundas do sector das pescas e de ter adquirido igualmente com dinheiro dessas receitas 2 navios de pesca para a sua empresa pessoal. O ministro desmentiu as acusações, talvez por saber que não se iria investigar nada a seu respeito... Mas não se deveria investigar este assunto dada a gravidade da acusação ou o próprio ministro passar de acusado a acusador em defesa do seu nome..?!
A Guiné-Bissau não deve apostar na concorrência de quem dá mais, mas sim na disposição de quem faz mais pelo país e pelas suas populações, isto porque não temos estruturas económicas assentes numa independência de posicionamentos e movimentações que salvaguardem o património social do país, garantindo a estabilidade, a motivação e a participação dos guineenses na luta pelo desenvolvimento.
A política da ganância serve os interesses dos governantes e não das populações. Haja flexibilidade e consideração nas negociações com a União Europeia!

I. A proposta da Comissão
O Protocolo anexo ao Acordo de Pesca entre a Comunidade Europeia e o Governo da República da Guiné-Bissau terminou em 15 de Junho de 2006.
As duas Partes decidiram prorrogar o Protocolo por um ano, de 16 de Junho de 2006 a 15 de Junho de 2007. A prorrogação, sob a forma de troca de cartas, foi rubricada pelas duas Partes em 17 de Janeiro de 2006, a fim de fixar as condições técnicas e financeiras das actividades de pesca dos navios da Comunidade Europeia nas águas da Guiné-Bissau no período compreendido entre 16 de Junho de 2006 e 15 de Junho de 2007.
Os elementos principais do Protocolo prorrogado mantêm-se inalterados, tanto no respeitante às possibilidades de pesca como à contrapartida financeira ou ao montante das taxas pagas pelos armadores.
A partir de 16 de Junho de 2006 e pelo período que decorre até 15 de Junho de 2007, é renovado o regime aplicável desde 16 de Junho de 2004. A contrapartida financeira da Comunidade a título do regime intercalar corresponderá ao montante previsto no artigo 3º do Protocolo revisto, actualmente em vigor (7 260 000 euros). A totalidade desse montante será afectada a título de compensação financeira, sendo o pagamento efectuado o mais tardar em 31 de Dezembro de 2006. Durante esse período, as licenças de pesca serão concedidas dentro dos limites previstos no artigo 1º do Protocolo revisto, actualmente em vigor, contra o pagamento de taxas ou adiantamentos correspondentes aos definidos no ponto 1 do anexo do Protocolo.
As possibilidades de pesca fixadas no Protocolo são repartidas pelos Estados-Membros mantendo a chave de repartição definida no artigo 2° do Regulamento (CE) n° 829/2004 do Conselho, de 26 de Abril de 2004:
a) Pesca do camarão: Itália - 1776 TAB; Espanha - 1421 TAB; Portugal - 1066 TAB; Grécia - 137 TAB.
b) Pesca de peixes/cefalópodes: Espanha - 3143 TAB; Itália - 786 TAB; Grécia - 471 TAB.
c) Atuneiros cercadores: Espanha - 20 navios; França - 19 navios; Itália - 1 navio.
d) Atuneiros com canas e palangreiros de superfície: Espanha - 21 navios; França - 5 navios; Portugal - 4 navios.


II. Comentários e conclusões do relator
O acordo de pescas com a Guiné-Bissau é um dos mais antigos concluídos pela Comunidade, tendo sido adoptado pelo Regulamento do Conselho n° 2213/80 de 27 de Junho de 1980 (J.O. L226, de 29.8.1980). O protocolo que agora se prorroga é o nono protocolo estabelecido entre as duas Partes, aprovado pelo Regulamento (CE) nº 249/2002 do Conselho, com a redacção que lhe foi dada nos termos do Acordo aprovado pelo Regulamento (CE) nº 829/2004 do Conselho.
A prorrogação, sob a forma de troca de cartas, foi rubricada pelas duas Partes em 17 de Janeiro de 2006, mas o Parlamento Europeu recebeu a respectiva notificação pela Comissão apenas em 2 de Maio de 2006 e o pedido de consulta do Conselho em 1 de Junho de 2006. Embora reconhecendo que a Comissão tem vindo a fazer progressos nesta matéria, o relator mais uma vez lamenta o atraso neste tipo de procedimentos, que dificulta ou impossibilita muitas vezes a consulta útil e atempada do Parlamento relativamente aos acordos de pesca.
A prorrogação do Acordo foi decidida pelas duas Partes em Dezembro de 2005, segundo a Comissão nomeadamente a fim de dar tempo ao Governo da República da Guiné-Bissau de se preparar o melhor possível para as negociações de um futuro acordo de parceria – atendendo ao contexto político (alternância eleitoral em Junho de 2005 e mudança de governo em Novembro de 2005) – e de executar o programa de acções de apoio ao controlo e à vigilância necessários para o desenvolvimento sustentável do sector das pescas. A prorrogação deverá, assim, permitir ao novo governo realizar as negociações em condições e prazos razoáveis, sem interrupção do Acordo nem do pagamento da compensação financeira anual, essencial para o equilíbrio orçamental do Estado da Guiné-Bissau.
Foi realizada pela Comissão, em Dezembro de 2005, uma avaliação exaustiva do Protocolo então em vigor, com o apoio de um consórcio de consultores independentes. Atendendo ao carácter limitado da proposta - prorrogação do Protocolo anterior por apenas um ano -, não foi efectuada uma avaliação específica ex-ante da proposta de prorrogação provisória daquele Protocolo.
Segundo a Comissão, a revisão das possibilidades de pesca (a partir de 16 de Junho de 2004) assim como a diminuição da contrapartida financeira de 10 200 000 euros para 7 260 000 euros, permitiram melhorar a rentabilidade do Acordo e o nível de utilização das possibilidades de pesca. O Acordo propiciará a criação de empregos ligados ao Acordo (directos e indirectos) estimada em 509 no respeitante à União Europeia e 141 no respeitante ao país parceiro.
O Acordo de Pesca é igualmente essencial para a estabilidade económica e política da Guiné-Bissau, assim como para o sector das pescas deste país. O Acordo contribui para assegurar uma parte substancial dos recursos orçamentais do Estado da Guiné-Bissau (38 % dos recursos orçamentais, em média, nos cinco últimos anos).
A não-prorrogação do Acordo poderia, por um lado, levar a frota que opera no seu âmbito a recorrer a licenças privadas, que deixariam de garantir o devido acompanhamento do esforço de pesca, e, por outro, gerar grandes dificuldades para a economia e a estabilidade política da Guiné-Bissau - que ficaria privada de um recurso orçamental essencial para o funcionamento dos seus serviços públicos - e afectar o financiamento das despesas necessárias para assegurar o funcionamento do sector (controlo, vigilância, investigação, formação, etc.).
Considerando o exposto, o relator recomenda, em nome da Comissão das Pescas, que o Parlamento aprove a proposta de regulamento do Conselho respeitante à celebração do Acordo relativo à prorrogação, pelo período compreendido entre 16 de Junho de 2006 e 15 de Junho de 2007, do Protocolo que fixa as possibilidades de pesca e a contrapartida financeira previstas no Acordo entre a Comunidade e o Governo da República da Guiné-Bissau.
Fonte: Parlamento Europeu

30 outubro 2013

Halloween ou dia das bruxas






 lanterna de halloween feita de abóbora

Dia de halloween /dia das bruxas 31 de Outubro

 
A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcas das diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do Verão (samhain significa literalmente "fim do Verão").

Origem Pagã

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.(...)

Origem Católica

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween".(...)

Actualmente

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos "disfarces", muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Possivelmente, a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, "doce ou travessura"), teve origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500-1700). (...)
Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses. Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições. (...)

Novos elementos do Halloween

A celebração do 31 de Outubro, muito possivelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas, vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos neo-pagãos, e em alguns casos assume o caráter de celebração ocultista. Hollywood fornece vários filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual a violência plástica e os assassinatos acabam por criar no espectador um estado de angústia e ansiedade. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças, gerando nelas o medo e uma idéia errônea da realidade. Porém, não existe ligação dessa festa com o mal. Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos elementos ligados ao folclore em torno da bruxaria. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflete a realidade pagã.   (in wikipedia.org 30-10-2013)
 
 




 A Lenda de Jack lanterna (origem das lanternas de halloween)

" Jack  Miserável " in history.com 

As pessoas fazem lanternas de Halloween à muitos séculos. A prática teve origem a partir de um mito irlandês sobre um homem apelidado de " Jack Miserável ". Segundo a lenda, este convidou o Diabo para tomar uma bebida com ele. Fiel ao seu nome, Jack Miserável não queria pagar a sua bebida, então convenceu o Diabo a se transformar numa moeda que ele poderia usar para comprar as bebidas. Uma vez que o Diabo assim o fez, Jack decidiu ficar com o dinheiro e colocá-lo no bolso junto com  uma cruz de prata , o que impediu o Diabo de mudar de voltar à sua forma original. Jack finalmente libertou o Diabo, sob a condição de que ele não o incomodaria durante um ano e  se entretanto Jack morresse , o Diabo não iria reivindicar a sua alma. No ano seguinte, Jack novamente enganou o Diabo, convencendo-o a subir uma árvore para pegar um pedaço de fruta . Enquanto ele estava em cima da árvore, Jack esculpiu um sinal da cruz na casca da árvore para que o diabo não pudesse descer  até que o Diabo prometeu a Jack que não o incomodaria por mais dez anos.

Logo depois, Jack morreu. Segundo a lenda, Deus não permitiria que uma figura tão desagradável fosse para o céu. O Diabo, chateado com os truques que Jack tinha usado para o enganar decidiu manter a palavra de não reclamar a sua alma, não permitiria que Jack entrasse no inferno. Enviou Jack para a noite escura, com apenas uma queima de carvão para iluminar seu caminho. Jack colocou o carvão num nabo esculpido e ficou a vaguear pela Terra desde então.
Os irlandeses começaram-se a referir a essa figura fantasmagórica como "Jack of the Lantern," e mais tarde simplesmente" Jack O'Lantern “ Jack Lanterna.

Na Irlanda e na Escócia, as pessoas começaram a fazer as suas próprias versões de lanternas do Jack,  esculpindo rostos assustadores em nabos e batatas e a colocá-las em janelas ou perto de portas para afugentar Jack Miserável e outros espíritos errantes . Na Inglaterra, são usadas grandes beterrabas.
Os imigrantes destes países levaram a tradição Jack O'Lantern com eles para os Estados Unidos. Tendo começado a utilizar abóboras uma fruta nativa da América , para fazerem os seus Jack Lanterna.
(traduzido para português por: Victor Simões)
 

 

01 fevereiro 2012

A HISTÓRIA SECRETA DO «REI DAS CORTIÇAS»,UM DOS 200 HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO

   Por: Lucas Carré
Américo Amorim
A revista Forbes classifica-o como um dos duzentos homens mais ricos do Mundo com uma fortuna avaliada em mais de 5 mil milhões de euros. Américo Amorim, o «Rei da Cortiça», como ficou conhecido e que recentemente em declarações públicas aquando do anúncio da possibilidade do aumento dos impostos sobre as grandes fortunas, referiu “Não me considero rico.; sou trabalhador”, transformou uma pequena empresa fundada pelo avô em 1870 na líder mundial do sector, embora a sua actual actividade empresarial se estenda desde a Banca, Bolsa, Casinos, unidades turísticas, empresas petrolíferas…Um universo empresarial aparentemente sólido, intocável à crise, embora em 2009 tenha sido obrigado a despedir perto de duas centenas de trabalhadores das suas fábricas do Norte. Pode ter sido uma jogada de antecipação face à actual hecatombe social e económica. Homem prevenido vale por dois, lá diz a sabedoria popular.
Américo Amorim não tem quaisquer pruridos em divulgar histórias sobre a sua infância difícil, propalando-as como se fossem exemplos de vida para as novas gerações. Conta que só deixou de usar sapatos de madeira depois do exame da quarta classe, que ia descalço para a escola, que subiu a pulso na sua escalada empresarial. Mas, asseguram-nos, as coisas não terão sido bem assim. Américo Amorim nasceu mesmo no seio de uma família abastada e o seu avô, no século IXX, já era um dos grandes produtores de vinho do Porto no Douro. Só mais tarde iniciou a sua actividade no ramo da cortiça, que depois passou para os seus filhos, nomeadamente os seus pais. Foi o tio, Henrique Amorim, nascido em 1902 e falecido em 1977,o grande responsável pela ascensão da empresa de cortiça para o topo do ramo em Portugal. Henrique Amorim morreu solteiro, sem filhos, e deixou a herança aos sobrinhos. Tudo, excepto o famoso Museu da Cortiça, que guarda no seu espólio preciosas obras de arte em talha de madeira, à mistura com peças referentes à indústria do sector. Terá sido mesmo este Museu uma «espinha» encravada no relacionamento familiar. Américo Amorim e os seus irmãos nunca terão perdoado ao tio o facto de não lhes ter sido doada a gestão do Museu, que viveu tempos difíceis depois da morte do seu criador. As obras de arte em talha continuam bem tratadas, mas a sala dedicada à cortiça foi completamente esquecida.

Os novos ventos que sopraram do Leste, com a queda do comunismo, terão afectado o império de Amorim. Os mesmos mercados que, no início, se mostraram decisivos no arranque do seu império dourado. Antes e no pós 25 de Abril, não se conhecia a barricada que Américo Amorim decidiu trilhar. Para o «Rei das Cortiças», o objectivo era concretizar um bom negócio, aproveitando os mercados, as situações, o enquadramento político, fossem quais fossem os parceiros ou os métodos escolhidos.
E, no passado, choveram histórias que alimentaram o mito daquele que é um dos homens mais poderosos do planeta. Como aconteceu em Novembro de 1989, quando o semanário romeno, «Contrast», ligou as empresas de Amorim à tenebrosa polícia secreta «Securitate» do ditador Ceausescu .O artigo abordava a actividade desenvolvida por dois elementos conotados com a «secreta» romena, os coronéis Dragos Diaconescu e Gheorge Volniov, no desbloqueamento de várias situações conflituosas surgidas no relacionamento comercial da empresa corticeira através de um escritório que possuíam na Roménia designado «Argus».
O jornal citava os eventuais benefícios concedidos ao grupo português ao concretizar contratos a «preços vantajosos», apesar de existirem ofertas mais rentáveis oferecidas por outras firmas estrangeiras. O «Contrast« fazia referência a declarações do representante do Grupo na Áustria, Gerert Schisser, de que a «Argus teria beneficiado a sua empresa quando assinaram contratos com firmas romenas».Mencionou o facto do coronel Diaconescu «ter obrigado a firma romena Vitrocin a comprar à Amorim aceitando preços propostos por esta última».
Mas vem a talhe de foice lembrar que os contactos comerciais de empresários portugueses com a extinta URSS ultrapassavam o mero pagamento de percentagens. Muitas vezes, para obter essas benesses eram exigidas outras contrapartidas, obtidas através do fornecimento de segredos militares e outros respeitantes a tecnologias de ponta, casos que chegaram a ser analisados pelos serviços de informação ocidentais e pelos novos responsáveis do Kremlin. Um dos quais envolveu uma deslocação dos jornalistas José Leite (antigo chefe de redacção do semanário «o Diabo») e Nuno Rogeiro (o actual comentador da SIC era então sub-director do «Diabo») ao Norte do País, onde tiveram um encontro confidencial com um ex- responsável de uma grande firma de extracção comercial de cortiça, Jaime Nunes de Amorim, com quem se tinha envolvido em litígio laboral. A «vingança» do despedido (que, entretanto, conseguiu ganhar a disputa em tribunal) foi revelar aos dois jornalistas um negócio de passagem de segredos militares que ele próprio havia testemunhado como responsável directo. Contou ele que, através de um seu agente em Viena, o patrão obtivera um volumoso contrato com uma empresa que fabricava, em Roterdão, submarinos sofisticados para a NATO. Esse grande empresário português fornecia materiais de isolamento de compartimentos dos submersíveis, feitos de borracha e cortiça comprimida. Segundo nos referiu essa nossa fonte, o negócio só se concretizou quando esse grande capitalista nortenho prometeu aos representantes de uma empresa pública soviética que lhes iria entregar um «dossier» completo sobre os submarinos (do tipo Dolfijn e Zwaardvis), com a indicação das «performances» em velocidade, propulsão, armamento e sistemas electrónicos.
Transcrevemos parte do diálogo publicado por aquele semanário:
- Durante as negociações eles fizeram perguntas: que submarinos? Quantos? Quais as suas características?
- O relatório foi entregue a um dos soviéticos que o levou para a URSS.»
- A sua empresa forneceu mais informações à URSS?
- Sim, no final da década de oitenta. Eram informações sobre um produto industrial estratégico norte-americano resistente às altas temperaturas. Tinha aplicação no fabrico de equipamentos militares e nos aviões. Tratava-se de uma matéria-prima que a empresa importava dos Estados Unidos para acrescentar a um outro componente de forma a obter esse produto final com essas características. Foram desviadas para a URSS amostras desse produto que o Governo americano considerava de grande valor estratégico.
Em 1991 rebenta em Portugal o chamado «Watergate Vermelho»: a Federação Russa tornou públicos os nomes de empresários e empresas, além de dirigentes e militantes do PCP, militares ligados às estruturas da NATO, funcionários de institutos científicos ligados à alta tecnologia envolvidos em negócios escuros e missões de espionagem.
Na mira dos dirigentes da «Primavera russa» estava o PCP de Cunhal e um conjunto de empresas portuguesas – entre as quais, o Grupo Amorim – que teriam recebido ajuda financeira do PCUS (Partido Comunista Soviético), a par, por exemplo, da Vesper do Almirante Rosa Coutinho ( que privilegiou os contactos com Angola),a ETEI (mais ligada a Moçambique), Metalquímica, Planco e o jornal «Avante».Esse universo empresarial dos amigos do PCUS era coordenado pela «holding» Numérica ( doc 3) que, por sua vez, prestava contas junto do PCP.O escândalo envolvia ainda o pagamento de comissões (proibidas pela URSS, ou não fosse esse, segundo a propaganda então vigente, um dos males do capitalismo…) por parte das empresas que pretendiam efectuar negócios com o Leste.
Ao tentarem estabelecer contactos comerciais com a URSS, há muito tempo que os empresários portugueses esbarravam com esse núcleo forte de empresas conotadas com o PC de Cunhal e que gozavam de intermediários privilegiados. Foi com a finalidade de derrubar esse «muro» que, em Outubro de 1988,se deslocou à URSS uma missão da Associação Industrial Portuguesa liderada pelo então presidente, Jorge Rocha de Matos. Este chegou a exprimir a sua mágoa numa entrevista ao «Diabo» pelo malogro da «missão»: «O acordo com a Câmara do Comércio e Indústria da URSS nunca foi possível de implementar pois havia canais privilegiados para se venderem produtos à União Soviética. Desconhecia qual o esquema utilizado mas, à boca pequena, toda a gente dizia que havia interesses em beneficiar um determinado partido político. Diligenciámos junto dos representantes do comércio e da indústria da URSS no sentido de lhes fazer crer que havia vantagens mútuas em acabarem com esses intermediários. Assinámos um acordo nesse sentido, mas nunca foi possível implementá-lo».
Em declarações que então prestou à Comunicação Social, Jorge Armindo, vice-presidente do Grupo Amorim desmentiu, de forma categórica, que a sua empresa tivesse recebido dinheiro do Orçamento do Estado soviético: «Mantemos relações comerciais com a URSS há mais de 35 anos e nunca utilizámos intermediários. Estabelecemos canais próprios de distribuição através de uma empresa na Áustria», disse.
Faltou falar nos outros canais na Roménia e quem eram os contactos…como vimos, coronéis da «secreta» de Ceausescu, acima de qualquer suspeita…
Do Alentejo, com amor…
Mas foi através de uma entrevista publicada no semanário «o Diabo» com um detido em Pinheiro da Cruz, João Mataloto Freira, representante no distrito de Setúbal do PCP para as questões agrícolas e membro da Associação Portugal/URSS, que muitos segredos sobre do grande roubo perpetrado em nome da reforma Agrária foram desvendados.Referimo-nos à «subtracção» da cortiça por grandes empresários do norte que se encontrava à guarda das UCP alentejanas.
Determinava a lei que o produto pertencia ao Estado. Era este que, através de um organismo próprio – inicialmente a Administração Florestal, posteriormente o IGEF (Instituto de Gestão e Estruturação Fundiária) – promovia a sua venda através de concurso público. Acontece que, dias antes da transacção, pela calada da noite, a cortiça desaparecia das propriedades e era carregada em camiões rumo a empresas transformadoras do Montijo e do Norte do País, delapidando o Estado em muitos milhões de escudos. Vários empresários, guardas florestais, elementos da GNR e responsáveis das cooperativas chegaram a ser julgados e condenados por roubo de cortiça. Sabe-se que, durante esse período de «salvaguarda da Reforma Agrária» (os objectivos eram mais comerciais e de financiamento partidário do que políticos), houve cooperantes que ergueram prédios do outro lado da fronteira (Badajoz) à custa das comissões recebidas.
Às críticas verrinosas que os apontavam como estando directamente envolvidos neste negócio pouco claro, os irmãos Amorim clamavam a sua inocência. Até mesmo quando surgiram essas declarações bombásticas em Janeiro de 1990 ( no jornal «o Diabo») denunciando o comprometimento de grandes grupos empresariais do Norte, entre os quais o Grupo Amorim, nos desvios de cortiça das herdades alentejanas, em cumplicidade com os agentes locais do PCP e responsáveis das UCPs.
Nas cartas que revelou quando estava detido em Pinheiro da Cruz, onde cumpria pena de nove anos de cadeia por burla agravada, processo em que diz ter sido «enrolado» pelo PC de Alcácer do Sal (e por se ter sentido traído pelos «camaradas» de partido resolveu desabafar), Mataloto Freira explicava como se processava a golpada altamente penalizadora para os cofres do Estado: «A cortiça representava uma grande fonte de rendimentos para as cooperativas, já que esse dinheiro permitia, ao fim do ano, tapar os défices de uma gestão ruinosa. Quando saiu a Lei da Cortiça, as cooperativas deixaram de receber essas elevadas verbas. Apenas lhes era paga a extracção, o carrego e o empilhamento a um tanto por arroba, e mais nada, ficando a cortiça a ser pertença do Estado que se encarregava da sua venda. Numa reunião efectuada no Partido, que contou com a presença de representantes de todas as cooperativas filiadas na União, foi decidido que cada uma se deveria desenvencilhar no sentido de fazer algum dinheiro com a cortiça. Contactámos vários compradores e estes mostraram-se abertos a comprar cortiça às UCPs pela “porta do cavalo”.Isto é, quando a cortiça era retirada da árvore, uma parte ia para a pilha que se determinava fazer nas herdades sob orientação dos Serviços Florestais; uma outra, era carregada em camionetas do comprador e levada para a fábrica ou para uma herdade onde este tivesse feito um negócio legal (caso do Amorim), saindo como se toda ela fosse oriunda dessa propriedade».
«E assim, com o meu conhecimento, foram transaccionadas as seguintes quantidades de cortiça só para o comprador Amorim e Irmãos de Santa Maria da Feira: Cooperativa Cravos Vermelhos (76.179 arrobas); Vitória do Sado ( 53 mil); Albergue ( 29.600): Soldado Luís (47 mil);Casebres ( 20.600) 17 de Maio( 37.900); 1º de Janeiro ( 5 mil); Poder Popular ( 3600)»
Contou Mataloto Freira que o dinheiro resultante destes negócios era contabilizado (quando não era logo dividido entre os cooperantes) como venda de gado ou arroz. «Em alguns casos, as cooperativas até pouco gado tinham e outras nem arroz produziam», conta. Era o PCP quem enviava contabilistas de Lisboa, os quais, «voluntariamente davam uma ajuda ao cooperante que estava no escritório para o ajudar a encontrar maneira de contabilizar estas entradas de dinheiro da melhor maneira» …
João Mataloto Freira afirmou que muitas dessas suas denúncias – inclusive, os nomes dos grandes empresários envolvidos – foram encaminhadas para a PJ, estranhando que ao longo de décadas, apenas o «peixe miúdo» tivesse respondido perante a justiça.

Nos tribunais de Beja e Portel, nos anos noventa, correram vários processos citando uma empresa do Grupo Amorim, a «Flocor», por alegado comércio ilegal de cortiça, factos que foram judicialmente inocentados.
Américo Amorim era tido com o um personagem que evitava envolver-se directamente nos negócios no Alentejo. Tinha os seus «testas de ferro» – João Mataloto fala na intervenção de um irmão, José Amorim, que referencia nas cartas que nos entregou – que contactavam os responsáveis das UCP e desbloqueavam as situações mais complicadas.
Um representante do Grupo na região chegou mesmo a receber um telex assinado por Américo Amorim onde este lhe dava instruções para contactar funcionários da Direcção Geral de Florestas de Évora no sentido que fosse libertada a cortiça depositada na Herdade do Panasquinho que tinham sido apreendida, encontrando-se parte do produto a apodrecer há mais de um ano em dois camiões apresados pela GNR num parque da capital alentejana. E o certo é que a matéria-prima foi libertada como por encanto, o que comprova a «força dos argumentos» deste grupo empresarial…
«Atendendo a que me parece que a PJ e não só, apesar de me terem ouvido por duas vezes e dizerem que iam actuar, nada terem feito até agora, certamente porque se trata do grande Amorim que até era do MASP (Movimento de Apoio a Mário Soares à Presidência), entendo actuar desta maneira», refere João Mataloto Freira explicando os motivos pelos quais acedeu a ter este contacto com um jornalista de «o Diabo».
Essas sombras do seu passado em nada parecem ter beliscado aquele que é detentor de uma das maiores fortunas do país e do Mundo. E que soube, como ninguém, gerir a sua imagem entre os poderosos, qualquer fosse o poder vigente. Na sua Herdade do Peral, em Évora, que adquiriu a Jorge de Mello, em 1987,por um milhão de euros, oferece lautas refeições e aprazíveis convívios aos maiorais do regime. Dias Loureiro, o antigo homem forte do BPN e antigo Conselheiro de Estado, Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e homem forte da banca angolana, Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica são alguns dos parceiros de caçadas. Américo Amorim é um excelente relações públicas, ou seja, sabe vender o seu negócio e imagem, das esquerdas às direitas…sobrevivendo a tudo e a todos, até aos regimes.

in : Crime Digo EU

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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