16 fevereiro 2008

CUSTA A ACREDITAR...

Será que o Marinho Pinto se estará a referir a algum destes ???? Eles não andam nus, andam cobertos pelo manto diáfono da fantasia... e nós não há maneira de dizermos que estes reis vão nus!





Fernando Nogueira:
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Agora - Presidente do BCP Angola

José de Oliveira e Costa:
Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Agora -Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

Rui Machete:
Antes - Ministro dos Assuntos Sociais
Agora - Presidente do Conselho Superior do BPN; Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Armando Vara:
Antes - Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Agora - Vice-Presidente do BCP

Paulo Teixeira Pinto:
Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Agora - Presidente do BCP (Ex. - Depois de 3 anos de "trabalho", Saiu com 10 milhões de indemnização !!! e mais 35.000€ x 15 meses por ano até morrer…)

António Vitorino:
Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Agora -Vice-Presidente da PT Internacional; Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta - (e ainda umas "patacas" como comentador RTP)

Celeste Cardona:
Antes - Ministra da Justiça
Agora - Vogal do CA da CGD

José Silveira Godinho:
Antes - Secretário de Estado das Finanças
Agora - Administrador do BES

João de Deus Pinheiro:
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Agora - Vogal do CA do Banco Privado Português.

Elias da Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação -
Agora - Vogal do CA do BES

Ferreira do Amaral:
Antes - Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)
Agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato.

etc etc etc...

O que é isto ?
- Não, não é a América Latina, nem Angola. É Portugal no esplendor do gamanço e da cunha !!!


Depois deste relambório todo, ainda vem mais este seguinte, que quase dá para rir, não fosse a gravidade da situação, pese embora que quando a alma sair do governo passará para o lote dos descritos anteriormente, isto vai longe, ai vai vai...


José Sócrates tem, como devem saber, um assessor cultural. Trata-se de um típico intelectual luso, minimalista, de negro sempre vestido, triste e crítico de todas as artes, em tempos assessor de... Manuel Maria Carrilho. Chama-se Alexandre Melo, pertence como não podia deixar de ser, ao lobby gay e é grande amigo de outro célebre crítico de arte, também de negro sempre vestido, cujo nome é ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, antigo funcionário da Culturgest e hoje em dia da Gulbenkian. Sócrates telefonou ao seu assessor a quem pediu que lhe indicasse o nome de alguém para substituir Isabel Pires de Lima no Ministério da Cultura e o seu assessor, sem hesitar, indicou António Pinto Ribeiro. Logo a seguir, telefonou o Melo ao amigo Pinto Ribeiro a quem preveniu que logo lhe telefonaria o Sócrates a convidá-lo para Ministro da Cultura. Exultaram os dois, e o indigitado futuro ministro ficou de olho e ouvido no telefone à espera de um telefonema que não havia maneira de chegar. Entretanto, Sócrates, no seu gabinete, solicita que o ponham em contacto com o Dr. Pinto Ribeiro. A telefonista procede com prontidão visto ter à mão uma lista de todos os funcionários superiores de todos os ministérios, um dos quais é o Dr. JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, advogado de formação e profissão mas exercendo as funções de Presidente da Colecção Berardo no CCB, lugar para onde fora nomeado por ter sido o advogado intermediário entre o Joe Berardo e o Primeiro-Ministro por alturas da escandalosa história da transferência da chamada Colecção Berardo para o Centro Cultural de Belém! Sócrates cumprimenta-o calorosamente e convida-o para Ministro da Cultura, julgando estar a falar com o outro Pinto Ribeiro, o 'agente cultural' que lhe havia sido calorosamente recomendado pelo seu diligente assessor cultural. Muito à portuguesa o interlocutor a quem por equívoco o Sócrates estava a convidar para Ministro da Cultura respondeu imediatamente que aceitava SEM FAZER QUALQUER PERGUNTA a Sua Excelência. Sócrates desliga o telefone e informa o assessor do facto de ter o Pinto Ribeiro aceite o convite. O assessor dá-lhe parte do seu regozijo e telefona logo a seguir ao amigo para o felicitar e só nesta altura se apercebem ambos de como de enganos é feita a vida política em Portugal a tal ponto são ignorantes, trapalhões e imbecis os políticos lusos.

Esta história parece uma página arrancada a um romance do Eça de Queiroz.

E o Pior, é que estes senhores, saem sempre impávidos e serenos como se nada tivesse passado, triste PORTUGAL...

27 comentários:

Beezzblogger disse...

Aguardarei aqui os comentários, com serenidade.

Abraços do Beezz

david santos disse...

Pois olhe, amigo bezz, que com tanto bandido não há motivos para serenidade.
Ainda se esqueceu do parvalhão do ex Bastonário da Ordem dos advogados, um tal chamado de Judice. Este é outro que tal. Diz que já dissera o que este Bastonário diz, mas de forma diferente. Não disse nada!
Esta postagem vou (mandá-la)direitinha para alguma imprensa estrangeira que pensa nós vivermos numa democracia.
Bandidos! É só bandidos!...

David Santos

Beezzblogger disse...

É verdade meu caro amigo David, estes bandalhos governam-se e nós a ver se nos seguramos nos empregos, com estes cabrões a fazerem o jogo do patronato, e tramarem os trabalhadores...

Que é que eles querem, estes filhos duma grande P*****.


Só à base de BOMBA.

ABraços do Beezz

A. João Soares disse...

É o fenómeno do culto da GRATIDÃO. Quando estavam no poder fizeram uns favorzitos aos senhores do capital e, depois, estes agradeceram.

Ou será que eles são uns génios???!
E, nesse caso, todos nos devemos sentir orgulhosos por termos tido como responsáveis políticos os melhores portugueses, mais dotados para a gestão de alto nível e mais honestos e incorruptíveis!!!

No entanto, se assim fosse, não encontro lógica no facto de, tendo sido governado por gente tão apta, o País esteja a atrasar-se cada vez mais na cauda da Europa e que tenha sido criado um défice que tenha dificultado de forma escandalosa a vida aos portugueses mais desprotegidos.

Há coisas que a minha cabeça não percebe apesar de a esforçar a trabalhar a altas rotações e já ter os poucos neurónios em brasa!!!

Todos os negócios a que se dá o pomposo nome de tráfico, são altamente rentáveis. Há o tráfico de influências e outros. A este também se chama corrupção.
Abraço

Anónimo disse...

REalmente a vida é dos espertos.....não existe vergonha.......vergonha é roubar pouco..........

Anónimo disse...

Como diz o povo: O QUE NASCE TORTO, TARDE OU NUNCA SE ENDIREITA!

A verdade é que esta democracia, que resultou do 25 de Abril, nasceu torta!

Primeiro foi o PCP (que tinha um olho em terra de cegos) que tomou conta do tecido produtivo nacional, através de "comissários políticos" estrategicamente colocados e dos sindicatos!

Depois veio o PS libertar-nos do jugo dos comunistas e começou, paulatinamente, a substituir esses comunistas por "camaradas de confiança".

Depois o PSD teve necessidade de substituir os camaradas do PS por "militantes de referência" que não sabotassem o seu trabalho!

E depois voltou o PS que não podia confiar nos quadros do PSD...

E assim sucessivamente até à falência total do País!

É claro que esta gente que foi substituída (saneada!?) foi devidamente indemnizada e compensada com outros "tachos" vitalícios! Desafio a que me apontem um político (DE QUALQUER PARTIDO!) que, por incompetência ou por meras razões políticas, esteja no DESEMPREGO!
GPS

Mário Relvas disse...
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Mário Relvas disse...
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Beezzblogger disse...

Os Arguidos do PCP,e do BE??? Não creio, eles nestes últimos 30 anos estiveram no governo???

Que eu saiba o BE é um Partido com apenas 10 anos, e o PCP nunca esteve verdadeiramente no Governo.

Saudações...

Mário Relvas disse...
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Anónimo disse...

Aos leitores do JN a quem lhes envio um abraço e também muitos parabéns pelas redacções elaboradas na página do leitor, algumas são fabulosas. Todos falamos do mesmo: o estado da nossa casa, a nação Lusa, que tanto sangue derramou para neste miserável estado se encontrar ao fim de oito séculos, ainda custa a crer!

Em tempo de eleições o mediatismo vai sempre para os principais autores deste desastre o PS e o PSD e restantes partidos com assento parlamentar claro sempre com a sua magra oposição, também tem o seu grau de culpa.

Alem do mediatismo, todos votamos neles, olhamos os líderes e se formos minimamente sinceros votamos naquele em que o palavreado propagandista nos agrada, mais e melhor.

Os que ganham passam a ser criticados e culpados por toda e qualquer catástrofe eventual. Os da oposição são os críticos, sempre arrogantes em busca de protagonismo, e sempre com espírito de contradição face ao governo, não se aprova, o país não cresce, desgoverna-se!...é assim desde o 25 de Abril, portanto de uma forma não declarada a revolução continua, ou se calhar ainda nem começou!!!!

Aproveitando que somos um país de eleições livres, saibamos ser mais nacionalistas e compreender o que isso é, sem ofender os que não o são.

Humildade, firmeza em princípios nobres, instrução, activismo e alguma paciência e sabedoria para ultrapassarmos as advertências do dia-a-dia, tudo começa no núcleo familiar, a mais velha e natural instituição do mundo.

Dois terços da minha vida foram vividos no exterior, contudo o portuguesismo está bem enraizado. Fico triste quando observo países muito recentes historicamente com uma enormidade socio-económica, empreendimentos de Saúde, desportivos, maquinas fiscais e legislativas a trabalhar num rigor invejável, conseguem ter uma qualidade de vida muito superior à nossa….até pequenos países como Luxemburgo, Bélgica, Andorra, Suiça …estão com qualidade de vida divinal. Desde que escolhi Portugal para viver, reparo diariamente no meu meio ambiente situações de pura barbárie: as pessoas gastam sem ter, roubam, não se instruem, invejosas, intriguistas, com vícios pesados…começam a encher as paginas dos jornais nacionais e estrangeiros como sendo um povo mal comportado e muitos até ficam prisioneiros nesses países, no Peru por exemplo já havia à uma semana atrás 18 reclusos nacionais, 58 no Reino Unido!!!!

País com alguma cultura na justiça mundial (dos primeiros a abolir a pena de morte), hoje violam-se, raptam-se e espancam-se as nossas crianças, talvez num futuro próximo seremos nos a ser espancados e violados por elas, pois foi isso que lhes transmitimos, os nossos velhinhos vão morrendo com as suas valiosíssimas memórias e experiências, muitas vezes entregues nos hospitais e lares com moradas erradas para não terem retorno a sua própria casa.

No que respeita a Fauna e Flora ainda observei na minha aldeia, uma mata nativa (plátanos, carvalhos, salgueiros, acácias, vimeiros e canaviais), irrigados por um labirinto de riachos e ribeiros, até as indesejáveis silvas que enchiam os combros de amoras silvestres bem apreciadas no verão depois de uns mergulhos na páteira, mesmo elas estão a desaparecer da região beira-mar, hoje é uma lugar poeirento sem vida plausível, deram-lhe o nome de aterro sanitário, mais à frente a zona industrial sem ornamentação nenhuma (cimento, ferro e lixo), o novo estádio do beira-mar atulhado em dividas, sem jogos, um monstro horrivelmente arquitectado decorado com cores aberrantes cuja manutenção não deve ficar nada barata....para que tudo isto. Para dizer que somos quem?

Na bacia do Vouga um dos lugares mais férteis de Portugal, o som das rãs passou à historia, a caça dizimou todo o que se mexia, os nossos netos vão conhecer andorinhas e galinhas por vídeos históricos.

Tenho membros da minha familia com café a 10 metros de casa tiram o carro, num visão geral estamos a tornar-nos os texugos da Europa.

Poluição, esta é melhor nem falar, suíno é um bichinho que nasce para nos fornecer carne, agora português é animal e porco, então aquele que parecia ser mais dotado de informação é o pior: portugues-urbanus.

Assisti, enquanto funcionário de caixa de um hiper uma pequena cigana "roendo" um chouriço de colorau, com um ar angélico e esfomeado foi retirada do estabelecimento quase à cachaçada pelos seguranças, dias depois soube no noticiário da noite, que políticos que nos elegemos, roubavam centenas de milhares por causa da Expo 98, deram-lhe um nome engraçado: derrapagem orçamental. Uma sucessão de governos, que tem optado por deixar morrer o seu Povo inventando desculpas como "os portugueses não querem ter filhos" (não querem ou não podem?) e tudo fazendo por substituí-lo por outro, são autênticos inimigos da Nação.

Quem rouba para saciar a fome é um carente, agora quem rouba dinheiro para obras do hierario publico, para a serventia de todos, dinheiro esse muitas vezes nosso, esse sim é ladrao, mas como se devem aperceber, o pais esta a ser vendido, e a saque constante (grupos economicos, multi-nacionais, estrangeiros). Sejam nacionalistas nem que seja por uns tempos so para equilibrar.

Com muitos mais assuntos para partilhar convosco, e num futuro próximo Nézão.



Até breve amigos
NSS

Beezzblogger disse...

Este Post, caro M Relvas quem esteve nos governos, e tem estado os PS/PSD/CDS, o PCP e o BE infelizmente não estiverão estes últimos 30 anos.

Apenas e só. Mas, que não são santos eu sei que não, são políticos e como tal...

Agora o post é apenas e só daqueles que tem estado na dança de cadeiras do poder, apoiados pelos lobbies, que tão fartinho estou de os denunciar aqui e noutros lugares...

Saudações...

Mário Relvas disse...
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Mário Relvas disse...
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Mário Relvas disse...
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Beezzblogger disse...

Este relambório todo, só para dizer, Caro M Relvas, que o PCP também está com o rabo trilhado, nas Autarquias, e diga-me lá qual é o presidente de câmara que é sério (se houvesse algum, não fazia nada pelo conselho, é o país podre que temos) . E alguma vez me ouviu dizer que não havia corruptos no PCP, ou no BE?

Continuo a dizer, que o post trata, de políticos da alta esfera, e que eu saiba, não conheço nenhum ministro do PCP e do BE nos últimos 30 anos, você conhece?

Se quer tanto falar e desmascarar, faça aqui um Post sobre esse assunto, mas neste caso, é mesmo só sobre os ex-ministros.

Saudações democráticas.

Mário Relvas disse...
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Beezzblogger disse...

Então e o Vasco Gonçalves não foi um bom Primeiro Ministro?

A semana de trabalho consoante ela é deve a quem? O subsídio de férias, mais o do Natal deve a quem?

Não o deve ao Cavaco, nem ao Sá Carneiro. Olhe o Cavaco, pirou-se do governo de Sá Carneiro, veio mais tarde como salvador da pátria, traiu o homem que lhe deu o ser, e veio depois deste uns bons anos depois...

Mas já chega de relambórios, nunca o meu Caro me há-de compreender, mas eu a si compreendo-o perfeitamente.

Saudações

Beezzblogger disse...

Ah e já me esquecia, os comunas tinham as armas, e o Ferreira torres for morto por quem?

Saudações

Mário Relvas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mário Relvas disse...
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Beezzblogger disse...

Eu não me enervei, nunca nestes casos, caro Mário Relvas. Mas eu não mudei de Nick.

Aquilo que eu tenho vindo a dizer, e daí esta nossa saudável conversa, é que este post não se referia a autarcas, refere-se a quem está acima deles. Depois, há a ques tão de eu ser Comunista, ou do MIRN, ou PCTP/MRRPP, ou PCTP/MDPCDE não importa, não sou de nenhum, e se o caro diz que esse foi o período mais negro de Portugal, respeito a sua opinião, mas para mim não foi, este que estamos a viver é que com toda a certeza, e os nossos filhos o dirão, é que é o pior período da história, atente-se aao gamanço, à cunha, ao facilitismo, e não me venha dizer que no tempo do Vasco "louco" como lhe chamavam, havia a panóplia de "panelinhas" que há agora.

Mas como disse, isto é a liberdade.

Saudações e dou por terminado, da minha parte, esta nossa conversa, pois nadamais tenho a acrescentar ao que já disse anteriormente.

Abraços do Beezz

Mário Relvas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Savonarola disse...

Companheiro Bezz,
Esta denúncia que fizeste é do mais importante que houve nestes últimos tempos de corrupção generalizada no poder. Estive a ler atentamente o debate entre ti e o Mário Relvas e, efectivamente, acho que o que está em questão neste post não são tanto os partidos, como mais os altos cargos do poder. A demonstração do facto evidente de que exercer um alto cargo governamental compensa, sob o ponto de vista de carreira empresarial futura. Compensa? É vergonhosamente bem pago, como nem sequer o são os ex-políticos das outras democracias ocidentais, onde a Lei nem sequer o permite!
Nestes últimos casos, existem ASAEs que multam de forma a nem sequer apetecer tentar ser corrupto...
Abraço amigo e anarquista

Savonarola disse...

Faço aqui uma pequena adenda, para que possa seguir atentamente este debate. É que me esqueci, no calor do debate, de marcar a caixa relativa a receber os comentários posteriores...

Comandos Minho disse...

Savaranola este post do beezz é conhecido de todos na parte dos senhores que saiem do gov e depois têm empregos luxuosamente garantidos.O que quiz aqui dizer é que no momento actual não vejo melhores, nem piores.A bitola é a mesma. Se estes vereadores do PC e do BE estivessem no gov como seria?

Hoje foi a Somague que "subsidiou" a campanha do PSD...Mas alguém me quer explicar quem financia e porquê os partidos?Será o zé povinho?Não, não tem guito, nem sabe meter-se nisso!

Bem, envio um abraço para todos na esperança que isto melhore, ou estoure...

Aromas de Portugal disse...

"UM DIFUSO MAL ESTAR"

TOMADA DE POSIÇÃO - FEVEREIRO 2008

1) UM DIFUSO MAL ESTAR
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.

Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.

2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO

Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.

É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.

Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.

Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...

É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.

Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.

3) VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL

Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.

Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.

Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.

Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.

Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.

4) CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS

A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.

Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.

Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.

5) APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.

As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.

Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.

Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.

Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.

A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.
Sedes, 21 de Fevereiro de 2008
O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias)

in http://www.sedes.pt

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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