10 fevereiro 2010

"As noticias que a comunicação social não dá"

III CONGRESSO NACIONAL DOS ECONOMISTAS

A revolta do Presidente da AMI,  Dr. Fernando Nobre

"Temos 40% de pobres"
O presidente da AMI, Fernando Nobre, criticou hoje a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Nobre considerou "completamente intolerável" que exista quem viva "com pensões de 300 ou menos euros por mês", e questionou toda a plateia se "acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?"

Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar "que exista quem viva com 450 euros por mês", apontando que se sente envergonhado com "as nossas reformas".

"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..." disse ainda.

"Quando oiço o patronato a dizer que o salário mínimo não pode subir.... algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes... e com razão", salientou Fernando Nobre.

O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que "pensem mais do que dois minutos em tudo isto". Para Fernando Nobre "não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma", criticou, garantindo que a sociedade "não vai aceitar que tudo fique na mesma".

No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. "Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado", citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: "Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais".

Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que "acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros enquanto outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros... Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis"..

OBS: Texto gentilmente enviado pela minha amiga e colega, Maria Fernanda Monteiro.

3 comentários:

direitinho disse...

Não trás noticias novas.
Este panorama já se vem acentuando de há uns anos para cá.
Aquilo que mais custa ver são exactamente esses casos de gente acomodada. Uns com quase nada e outros na opulência desmedida.
Reformas e salários acima de todas as normas. Taxos para amigos aposentados.
Gestores na CP, EDP, Saúde, Segurança Social. Todas as semanas entram mais e é sempre para o topo.
Digam-me para fazer o quê...?

Mamem todos enquanto a vaca dá leite..........

Ana Martins disse...

Olá mano,
sabes que há notícias e dados que não convem que o povo saiba. Contudo não é preciso tirar um curso superior para se saber que a Pobreza em Portugal é muito acima dos 18%. Acabei de ver no parlamento o nosso Primeiro Ministro dizer que não lhe custa nada abdicar do seu 13º mês a favor do País, mas o que ele se esqueceu de dizer é que o faz com muito gosto somente porque em nada esse dinheiro lhe faz falta.

Esperemos que não seja apenas mais uma estratégia para tirar beneficios aos Portugueses.

Deixo-te um beijinho muito amigo,
Ana Martins

david santos disse...

Totalmente de acordo.
Que País, meu Deus, que País!
A verdade é que a impotência popular se vai generalizando e cada vez temos menos soluções para entregar um País capaz aos homens e mulheres que nos seguirão.
Não quero dizer que isto venha a ser cada vez pior, mas...
Abraços

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