18 junho 2010

José e Pilar - Trailler do filme, Retrato de uma relação

In:Renascensa on line

Faleceu, José Saramago!

Saramago dizia que não sabia como chegou onde chegou. No lançamento do seu livro de memórias, na terra natal – Azinhaga do Ribatejo –, o escritor traçou a sua história familiar de criança nascida no seio de uma família de quase analfabetos e cujo destino previsível seria o trabalho no campo de enxada na mão. Em 1998, tornou-se no primeiro português distinguido com o Nobel da Literatura. Morreu às 12H30 de hoje em Lanzarote, aos 87 anos, na sequência de uma múltipla falha orgânica.


Foi o Ribatejo que o viu nascer a 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial diga que foi a 18. "Já não existe a casa em que nasci", escreveu nas suas memórias, "mas esse facto é-me indiferente porque não guardo qualquer lembrança de ter vivido nela", disse.

Escritor autodidacta, José Saramago começou a vida como serralheiro mecânico. Só aos 25 anos publicou o primeiro romance, "Terra de Pecado". Foi jornalista do "Diário de Lisboa", entre 1972 e 1973, e director do "Diário de Notícias" (1975). A sua passagem pela direcção do DN, no auge do período gonçalvista, foi marcada por fortes críticas e pela acusação de ter promovido ou dado cobertura a afastamentos e despedimentos por delito de opinião. Casou com a artista Ilda Reis, de quem teve a filha Violante Saramago. Só em 1976 passa a viver da escrita. Em 1980 publica "Levantado do chão", considerado o seu primeiro grande romance. Ateu, membro do partido comunista, José Saramago lança em 1982 "Memorial do convento", o seu livro mais editado de sempre e que foi mais tarde adaptado a ópera, estreada no La Scalla de Milão. Mas é em 1991 que publica uma das mais polémicas obras. "O Evangelho segundo Jesus Cristo" deixou Saramago de costas voltadas para a igreja. Com uma escrita com pontuação pouco convencional, Saramago passa em 1993 a viver na ilha espanhola de Lanzarote, depois de ver o seu livro ser retirado de uma candidatura a um prémio europeu pelo então sub-secretário de Estado da Cultura, Sousa Lara. O escritor recebeu 35 doutoramentos "honoris causa" e, em 1998, foi distinguido com o Nobel da Literatura. O galardão obriga-o a um ano de conferências intensas por todo o mundo. Regressa à escrita em 2000 com "A Caverna", a que se seguem "O Homem Duplicado", "Ensaio Sobre a Lucidez" ou "As Intermitências da Morte", livro em que a Morte se apaixona e se cansa de matar. Publicada em 53 países, a obra de Saramago já foi adaptada ao cinema. "Jangada de Pedra", romance em que a península se separa da Europa, e o "Ensaio sobre a Cegueira",alegoria sobre os homens que não vêem, chegaram ao grande ecrã. Estava actualmente casado com jornalista espanhola Pilar del Rio. Morreu hoje em Lanzarote.

1 comentário:

Ana Martins disse...

Boa tarde Sãozita,
uma grande perda para a cultura e Literatura Portuguesa. Saramago viverá para sempre nos corações de todos aqueles que o souberam amar e respeitar como Homem e Escritor.

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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