06 fevereiro 2011

Deputados clarividentes ou não?

No dia 4, no Parlamento, «PS e PSD chumbaram um voto de solidariedade apresentado pelo BE» para com a luta pela democracia do Egipto, que contou ainda com a abstenção do CDS e quatro deputados socialistas.


Apenas o BE e o PCP votaram a favor em nome da liberdade e da democracia.

O caso não teria tanto significado se não tivesse surgido a notícia de que os chefes de Estado e de Governo da UE, reunidos no mesmo dia em Bruxelas, em que participaram governantes portugueses «condenaram veementemente» a violência que se tem verificado no Egipto, sublinhando que o processo de transição deve começar imediatamente. O Conselho considerou que «qualquer tentativa de restringir a livre circulação das informações é inaceitável, nomeadamente a agressão e as intimidações dirigidas a jornalistas».

Não é fácil descortinar os motivos que levaram os deputados a hesitarem e acabarem por votar de tal forma. Quais teriam sido os receios? Pelos vistos votaram em sentido contrário ao da União Europeia e do mundo ocidental. Ao mesmo tempo eram publicadas as notícias «Chefe da diplomacia europeia apela ao diálogo com oposição egípcia» e «EUA e Egipto discutem partida imediata de Hosni Mubarak».

Em nome de quem e de que estratégia estariam os deputados a decidir? Será que estavam convictos de que esse era o desejo dos eleitores que representam? Mas será que os deputados se interessam pelo interesse dos portugueses que os elegeram? Ou será que pensam apenas na minoria poderosa e não na generalidade dos 10 milhões de concidadãos?

Devemos pensar nestas atitudes dos nossos mandatários, antes da grande manifestação anunciada pelo «Facebook» para Março em Lisboa.

Imagem da Net

3 comentários:

victor simoes disse...

Cro amigo João, lamentavelmente já estamos habituados a ver os nossos deputados votarem em nome de todos os portugueses, mesmo sem saberem qual seria a opinião dos cidadãos que representam. Julgo que estes senhores, votaram com medo de criarem problemas ou embaraços à nossa diplomacia, o que prova que estes senhores, são ovelhas que seguem as directrizes e não têm sentido crítico, nem capacidade analítica.

Um abraço

Zé Povinho disse...

Infelizmente os deputados não vivem a actualidade e um dia pode ser que lamentem não ter apoiado na 1ª hora o desejo de Liberdade e de Democracia do povo do Egipto. Andam mais preocupados com a possibilidade de diminuição do número de deputados, ou com as mentiras dos seus líderes, que já estão em campanha eleitoral.
Abraço do Zé

A. João Soares disse...

Caros Víctor e Zé,
Com tanta tibieza evidenciada em receios e preconceitos, em oposição às decisões do mais alto nível da União Europeia, os medricas dos nossos deputados acabam por ficar em cheque, com posição difícil de justificar.
O que os deputados e os governantes precisam é da greve de sexo semelhante à da Bélgica em que as esposas se recusam e fazer sexo enquanto o impasse político não for ultrapassado. Aqui a greve, além dos cônjuges a greve deve abranger também os namorados de igual sexo (ou género), a propósito, depois do primeiro político gay a «casar» ainda não apareceram os seguintes!!!
Talvez estejam a ser clarividentes (!!!)ao ocultarem aquilo que ainda não é bem aceite pelos portugueses.

Abraços
João
Do Miradouro

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