04 abril 2008

Travar para pensar

De autor não identificado, recebido por e-mail, merecendo reflexão, nos tempos em que se argumenta com exemplos estrangeiros («comparado»), nem sempre bem escolhidos.

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superávites orçamentais seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem, perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza. A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo. É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País.

Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e sub-dimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposição contrapor.

16 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

João Soares
Concordo que os nórdicos têm conseguido ser países desenvolvidos enquanto nós, que falamos sempre neles como referência, cada vez nos afastamos mais dos modelos que eles concretizam.
Mas não concordo com a apreciação que fazes sobre o TGV e isto porque:

Quando se fala em TGV, os portugueses pensam logo no comboio Très Grande Vitesse (TGV), que lhes é mostrado na TV, e no percurso Lisboa - Porto a demorar menos 20 minutos. E logo se interrogam se merecerá a pena hipotecar as gerações futuras com um pesadíssimo investimento, só para terem aquele comboio.
Primeiro que tudo há que esclarecer que o que está em causa não é o comboio em si mas sim a Rede de Alta Velocidade (que pode até nem ter um TGV). E isto faz toda a diferença.
A Península Ibérica sempre teve uma bitola (distância entre carris) diferente da bitola europeia. Esta circunstância ocasiona que, todos os comboios que circulem, para além Pirinéus, tenham que fazer transbordo, ou mudança de eixos, na fronteira franco-espanhola. Isto tanto para comboios de passageiros como de mercadorias. No caso das mudanças de eixos implica ter, em permanência, a uma equipa na fronteira (com os inerentes custos que se reflectem no preço do transporte) e a demoras que, não posso precisar agora, mas penso não serem inferiores a 3-4 horas.
O transporte ferroviário perde, assim, toda a competitividade. E o transporte ferroviário é o modo de transporte que tem menores custos sociais (segurança e impactos ambientais) e o que permite transportar, de uma só vez, grandes quantidades de carga aliviando as principais artérias dos congestionamentos viários.

Por essa razão, a Espanha já criou, em alguns dos seus eixos, linhas de Alta Velocidade de bitola europeia, que lhe permitam fazer chegar rapidamente, e de forma competitiva, aos mercados situados no coração da Europa, os seus produtos de exportação.
Uma competitividade, global e aguerrida, exige que as entregas sejam feitas jus-in-time, ao melhor preço, e com qualidade.
À velocidade do mundo actual, por pequenas fracções de tempo, se ganham e perdem mercados.
Portugal deixou-se atrasar e, pela sua situação geográfica, que por si só lhe dificulta ganhar a Europa por via terrestre, vê-se cada vez mais isolado. A alternativa é o transporte rodoviário (camião) que muito contribui para que não se cumpram as metas de Quioto e para os congestionamentos viários, nos principais eixos que ligam as grandes cidades. Acresce ainda as explorações desumanas no que se refere às condições de trabalho dos motoristas. Estes sofrem horários longos, e salários baixos, para que o transporte não seja de tal forma onerado que arrume por completo a competitividade do produto face a outros produtos concorrentes que, por percorrerem menores distância, se apresentam com vantagem, em preço e em tempo, nos mercados centrais.
Também a nível de passageiros temos uma sobrecarga nos canais de tráfego aéreo que ligam Lisboa a Madrid e a Barcelona, e até mesmo a Paris, e que, com uma Rede de Alta Velocidade, deixariam de ter procura. O tráfego terrestre seria mais barato e também, por não necessitar dos tempos de espera comuns nos aeroportos, sensivelmente mais rápido.
Com a opção TGV poderá questionar-se ainda a necessidade da construção dum novo aeroporto de Lisboa.

Abraço

A. João Soares disse...

Minha cara amiga,
Isto não é um simples comentário mas, sim, um tratado sobre transportes, assente em muito saber.
O texto não é meu. Como disse na apresentação, recebi este texto por e-mail.
Aquilo que diz em relação à diferença de bitolas está totalmente correcto e há muito que a ibérica devia ter sido tornada igual à europeia. Há alguns anos a UE decidiu que fosse criada uma rede de Alta Velocidade a unir as capitais dos países membros, o que é aprovado pela minha amiga e com que concordo.
O que é discutível e dificilmente justificável é fazer uma larga rede interna, sendo o País de tão pequenas dimensões. As vantagens que traz, não justificam os custos que tão necessários são em investimentos com maiores benefícios para a população.
O assunto (fora o percurso entre Lisboa e a fronteira Leste) merece profunda reflexão feita por pessoas descomprometidas dos partidos e actuando com isenção e uma visão completa das incidências positivas e negativas, perante outras hipóteses de emprego do dinheiro que tudo isso custa.
Quem pouco dinheiro deve estabelecer prioridades de forma muito sensata.
De qualquer forma, repito que gosto deste seu comentário e é desejável que apareçam muitos mais, também com argumentos sérios como é o seu.
Um abraço
A. João Soares

O Raio disse...

Geralmente fico doente com este tipo de discurso!
Duma forma geral vem dos lados da direita e de alguma esquerda que se deixa enganar. No fundo é extremamente demagógico e profundamente errado.

> Experimenta ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.

Actualmente ainda utilizam comboios clássicos.
Creio que não estão a ligar muito ao TGV pois o TGV já começa a estar ultrapassado. O TGV é o comboio da segunda metade do Século XX, O Shinkansen, o primeiro TGV foi inaugurado em 1964 no Japão!
O comboio do Século XXI é o Maglev e, a Dinamarca, por exemplo, está a estudar a hipótese de um Maglev que ligue Copenhagen à Alemanha...

> A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino

Demagogia pura. São coisas totalmente diferentes. Isto está ao nível de um Durão Barroso quando disse que não construiria nenhum aeroporto em Portugal enquanto houvesse crianças em fila de espera para serem operadas!

É curioso referir-se sempre esta história das escolas quando se fala dos países escandinavos e nunca se referir a excelência e número dos seus funcionários públicos.

Para quem não sabe, refiro que enquanto que cá em Portugal, um país de 10.500.000 habitantes andamos aos gritos que temos funcionários públicos a mais, a Suécia que não acha que tenha funcionários públicos a mais, tem 1.200.000 para 8.500.000 habitantes...

> Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol

Já cá faltava esta! Já alguém fez algum estudo sobre o retorno para o país do Euro2004? Claro que não!
E depois temos cretinos profissionais como o Cavaco a darem a sua opinião sobre estádios e a dizer que o país tem outras prioridades. O que até tem, a primeira é a de correr com os in díviduos do estilo dele e do autor deste texto!

> O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos,

Esta é forte! O TGV só é rentável em distâncias inferiores a 600 ou mesmo 500Km. A distância mais rentável para uma linha de TGV é entre 200 e 400Km. Para distâncias superiores o avião é preferível. Isto é, a linha Lisboa-Porto será útil a Lisboa-Madrid estará no limite e ninguém ou quase ninguém irá de Lisboa a Paris de TGV...


> Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento
> de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à
> economia do País.

Tanto disparate choca! Se viajarem por ano 3 milhões de pessoas entre Lisboa e o Porto, uma economia de 30 minutos no trajecto representa uma economia de um milhão e meio de horas por ano!
Tendo em atenção de que um ano de trabalho de um cidadão são umas 1.500 horas por ano, o tal milhão e meio representa uma economia do trabalho de mil trabalhadores!

> Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado
> pela União Europeia,

Ainda bem, assim não teremos de nos sujeitar às idiotices de Bruxelas!

> ser um presente envenenado para várias gerações de
> portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de
> pagar.

Continuam as ideias salazaristas. Esta mania de que a economia de um país funciona como a de uma família é própria do Salazar. A última vez que a ouvi foi da boca do Bagão Félix quando era Ministro das Finanças.

D.T. (J.) disse...

O texto pode ter considerações interessantes sobre quais as vantagens e desvantagens da linha de alta velocidade num país como o nosso. Mas uma coisa é certa: a facilidade com que os governos se preocupam sobre as infraestruturas e o investimento estrangeiro num país tão lento a decidir como este, deveria ser a mesma para outras questões de fundo mais importantes - que não envolvam lucros para alguns poucos, como tanto se gosta de fazer cá.

Perdoem-me o reparo.

Ferroadas disse...

Como se diz no post, para que queremos nós o TGV se temos outras e enormes carências, para que queremos nós um elefante branco deste tamanho que irá certamente ser pago pela próxima/as gerações e que penso de nada ou quase lhes servirá. Continuo a pensar que o mesmo foi-nos imposto pelos espanhóis, pois quando o mesmo se ligar à Galiza, é mais compensatório para eles o trajecto ser feito por Portugal. Para além de ser-mos nós a suportar a despesa do mesmo.

Mais uma obra de regime, como o foi os estádios de futebol e o CCB.

Abraço

A. João Soares disse...

O Raio,
Gosto de temas polémicos, porque com eles aprende-se opiniões de um lado e do outro.
O TGV é bom, porque sim!
Todos os argumentos contra o texto que aqui foi trazido são interessantes, mas ...
No entanto, não compreendo a frase «É curioso referir-se sempre esta história das escolas quando se fala dos países escandinavos e nunca se referir a excelência e número dos seus funcionários públicos.»
Eu estava convencido de que da eficiência das escolas dependia a excelência dos funcionários públicos!!! Pelos vistos, estou enganado. Por favor, ensine como se obtém essa eficiência? Claro que me vai falar da avaliação do desempenho, mas não é isso que está em causa nem é isso que torna as pessoas excelentes, embora possa contribuir para isso.
Quanto aos outros parágrafos, não tenho tempo para os esmiuçar, mas agradeço a sua paciência em demolir a argumentação do autor do texto.

Abraço
A. João Soares

A. João Soares disse...

d.t.(j.,)
A sua observação tem graça, num momento em que se fala de emprego dado pela Mota-Engil e que foi anteriormente dado pela Lusoponte!!! Se não houvesse grandes empreendimentos que dessem negócio e lucro a empresas de grande volume de facturação, não surgiam aqueles fenómenos a que João Cravinho se referiu antes de ser «convidado» para uma missão no estrangeiro!!!
E nisto, «demi parole suffit»

A. João Soares disse...

Ferroadas,
Portugal é um país de recordes. A árvore de Natal mais alta da Europa, a ponte Vaso da Gama é a mais..., etc
Muitas autoestradas para uma economia parada e dentro em breve teremos 90% da população licenciada, embora se continue a dizer que se deve fazer uma inversão se 360 graus!!!
Enfim, nem tudo vai bem no rectângulo e a lógica e coerência primam pela abstenção.

Abraço
A. João Soares

Beezzblogger disse...

Portugal é um país??? Mas dos pequeninos, na educação, na justiça, na saúde, no bem estar das populações, na transparência dos negócios de e com o governo, na eficácia governativa, etc. etc.

Pelos vistos, é grande em EUROS 2004, em pontes, em EXPO'S, em TGV´S, em Aeroportos, e outras obras megalómanas que surgiram, ou que já se concluiram.

E como bem diz o meu amigo A João Soares, sempre com o tal "Tachinho" ou "Cunha", para quando sairem do governo, os nossos beneméritos da política, se possam agarrar para não passarem dificuldades. Mas criaram-nas aos demais Portugueses, as maiores dificuldades com total desrespeito pelas sua verdadeiras necessidades.

Abraços do Beezz

O Raio disse...

Caro a.joão soares,

Não, não vou falar da avaliação de desempenho.

O problema é outro.

Para ter bons funcionários públicos é necessário ter boas escolas e para ter boas escolas é necessário ter bons funcionários públicos.

Ora o que acontece é que os países escandinavos, ao contrário de nós, não estão obcecados com o número de funcionários públicos.

Por cá está a destruir-se a Função Pública em nome não sei bem de quê e o que vai acontecer é que amanhã teremos um estado sem funcionários públicos, na mão das empresas privadas que farão, a preços exorbitantes o trabalho que os funcionários públicos faziam, a preços exorbitantes e com pior qualidade e, last but not least, escolas muito boas e muito caras para a classe dominante e escolas más para o grosso da maralha.

O problema de Portugal é exactamente esta mentalidade cobarde de Velhos do Restelo que tem medo de tudo e de mais alguma coisa e se recusa a lançar-se ao mundo remetendo-se à condição de uma espécie de Puerto Rico europeu.

É triste, muito triste.

Um abraço e não leves a mal este meu desabafo.

A. João Soares disse...

O Raio,
Quando transcrevi para aqui o texto deste post, esperava vr encontrar comentários que esgotassem os argumentos técnicos de prós e contras das diversas alternativas de transporte dentro do País. O primeiro comentário de «Silêncio Culpado» correspondeu a essa expectativa, com uma análise interessante e bem explicada com qualidade didáctica.
Mas O Raio, no primeiro comentário que colocou começou por desprezar os aspectos técnicos e as alternativas de transporte nacional e de sobrevalorizar as questões político-partidárias.
Temos que ser realistas. Como diz para o TGV ser rentável não pode ter paragens próximas e acabaria por sê-lo apenas em distâncias como Lisboa-Porto. Por isso, seria interessante, antes de tomar a decisão avaliar bem a previsão da quantidade de passageiros (com base nos passageiro do actuais comboios rápidos), as vantagens e inconvenientes em relação a outras hipóteses de viagem, os custos da instalação do sistema do seu funcionamento, da manutenção das diversas componentes do sistema, etc.
Tenho muitas dúvidas se é, vantajoso instalar o TGV além da ligação a Madrid e, daí, à Europa.
Dá a ideia que se trata de uma arma no conflito de poder entre o Governo e a oposição, com os interesses dos cidadãos, isto é, do País num plano muito remoto.Ora, como tenho da generalidade dos políticos a pior opinião, principalmente quando esquecem que juraram «cumprir com lealdade as funções que lhes são confiadas» e que devem ser as conducentes ao bem do País. Não engulo decisões de TGV ou Ota, «porque sim», gosto que me seja explicado o que levou até elas. Há métodos consagrados de preparação das decisões.

No seu comentário mais recente, achei graça a esta frase:
«Para ter bons funcionários públicos é necessário ter boas escolas e para ter boas escolas é necessário ter bons funcionários públicos.»

Assim, pergunto, por onde devemos começar? A pescadinha de rabo na boca não vai longe!!!
Gosto de analisar acontecimentos menos claros, mas sempre com uma finalidade positiva, deixando implícita ou explicitamente sugestões do caminho a seguir, não concretamente, mas no aspecto conceptual, no raciocínio coerente e lógico que conduza a uma solução adequada.
Não me dá prazer criticar só para dizer mal, gosto de dar achegas para a solução.
Se se der ao trabalho de visitar calmamente o blog Do Miradouro, encontrará muitos exemplos positivos desta minha maneira de estar, inclusivamente de apontar exemplos que deviam ser seguidos em vários aspectos da vida do nosso povo.

Abraço
A. João Soares

O Raio disse...

Meu caro João Soares,

Li com atenção o teu comentário e tenho algumas observações a fazer.

"Mas O Raio, no primeiro comentário que colocou começou por desprezar os aspectos técnicos e as alternativas de transporte nacional e de sobrevalorizar as questões político-partidárias."


?????

Não vejo onde. Eu critiquei o teu post que transcrevia um artigo que eu também recebi por mail e que era, na minha opinião, 100% demagógico. Comentários técnicos não tinha.
Eu, na minha resposta adiantei alguns comentários técnicos e, de nenhuma forma me meti na confusão politico-partidária pois até discordo dos que estão contra o TGV como discordo dos que estão a favor. O que eu acho é que estamos no Século XXI e deviamos estudar as propostas apropriadas ao Século XXI como, por exemplo o Maglev.

Tal como os dinamarqueses estão a fazer!

"Como diz para o TGV ser rentável não pode ter paragens próximas e acabaria por sê-lo apenas em distâncias como Lisboa-Porto."

Eu não disse isto. O que eu disse é que o TGV só é rentável até distâncias de 500 ou 600Km. Acima destas distâncias não é rentável.

O TGV Sevilha-Madrid, por exemplo, creio que tem duas paragens no meio e a distância Madrid-Sevilha é de 400Km.

Concordo, no entanto, que o TGV não pode ter muitas paragens pois consome muito tempo a parar e a arrancar (ao contrário do Maglev).

Mas, no Shikasen (o TGV japonês) há comboios directos, praticamente sem paragens pelo meio e comboios com várias paragens. Nada impediria que houvesse comboios Lisboa-Porto directos e comboios com uma ou duas paragens no meio (Coimbra, Aveiro ou Leiria, por exemplo).

"seria interessante, antes de tomar a decisão avaliar bem a previsão da quantidade de passageiros (com base nos passageiro do actuais comboios rápidos)"

Seria interessante avaliar o possível movimento do TGV Lisboa-Porto. Mas essa avaliação não se poderia basear no movimento dos comboios actuais pois o TGV iria canibalizar o avião e o automóvel como aconteceu em Sevilha. Iría também provocar novas necessidades que se traduziriam em mais passageiros.

De qualquer forma o governo até tem previsões para estes movimentos. Não sei se estão correctas mas lá que existem, existem.

"Tenho muitas dúvidas se é, vantajoso instalar o TGV além da ligação a Madrid e, daí, à Europa"

Eu não duvido da utilidade do TGV Lisboa-Porto mas duvido da utilidade do de Lisboa a Madrid e não duvido da inutilidade do de Lisboa a outros países da Europa.

Uma viagem de avião Lisboa-Paris consome umas duas horas. Mais o tempo de entrada e saída do aeroporto, digamos, umas quatro horas.
Um TGV Lisboa-Paris demoraria umas dez horas, no mínimo, e certamente custaria mais, muito mais, do que o avião. O mercado para este tipo de viagens deveria ficar reduzido aos que têm medo de andar de avião...

"No seu comentário mais recente, achei graça a esta frase:
«Para ter bons funcionários públicos é necessário ter boas escolas e para ter boas escolas é necessário ter bons funcionários públicos.»

Assim, pergunto, por onde devemos começar? A pescadinha de rabo na boca não vai longe!!!"

Simples, temos de começar pelos dois lados e a partir do existente. Começar por destruir escolas e Função Pública é um suicidio.

Mas o que é impostante é vermos que países que os nossos políticos gabam a torto e a direito, os nossos políticos e muitos outros cidadãos, países como a Suécia, tem 1.200.000 funcionários públicos para 8.500.00 de habitantes enquanto que nós temos só setecentos e poucos mil para 10.500.000 habitantes.
Há muitos problemas na Função Pública mas o número de funcionários não é o problema. Pode ser a qualidade, capacidade, etc. Mas não o número. Ora do que se fala é do número, nada mais.

Reduzindo o número de funcionários como o Governo está a fazer, o que acontecerá, aliás já está a acontecer, é que o Governo fica de pés e mãos atados e dependente de empresas privadas e de gabinetes de advogados.

O resultado será catastrófico. Catastrófico e caro.

Um abraço

A. João Soares disse...

Caro O Raio,
Estou convencido que no séc XXI têm de ser encontradas soluções diferentes das que foram boas no séc XX. É pena os políticos não estarem esclarecidos disso. Se têm aumentado a quantidade de assessores é para darem emprego a «boys» e «girls» que de outra forma nunca se empregariam. E os contratos com gabinetes de advogados pecam por seguir o mesmo lema, dar lucro aos amigos. E para maior saque ao erário, os estudos são encomendados para justificar decisões já tomadas por palpite, e não para formular modalidades de acção e compará-las com vista a ser decidida a melhor.
Recordo que em 1975, em conversa com alto funcionário da embaixada dos EUA, sobre o apoio de que Portugal necessitava para se desenvolver, ele disse que, quanto a transportes ferroviários seria mais útil para nós obter apoio da Alemanha por estar muito mais avançada.
Seria muito interessante que amigo trouxesse para aqui elementos sobre o Maglev e o Shikasen, para as pessoas conhecerem soluções mais modernas do que o TGV e, certamente, mais adequadas à nossa dimensão.
Obrigado pelo lustre que deu a este tema.
Abraço
A. João Soares

O Raio disse...

Caro joão soares,

"têm aumentado a quantidade de assessores é para darem emprego a «boys» e «girls» que de outra forma nunca se empregariam"

O problema não é este. O problema é que o Estado está a ficar desprovido de meios de acção e intervenção e está cada vez mais dependente de empresas privadas.

Naturalmente os governantes fazem inchar os seus gabinetes de forma a terem alguma mão na governança do país.

O ataque á Função Pública é excusivamente do interesse dos privados que querem comer do bolo do Orçamento de Estado fazendo o que dantes os funcionários públicos faziam. Mas fazendo-o muito mais caro.

Assim o Estado vai ficando sem poder de diálogo e, cada vez mais, só lhe resta dizer que sim às propostas que lhe são apresentadas.

A contratação de pessoal, em que o Ministro confia, para o seu gabinete é uma acção de desespero.

Naturalmente esta contratação é atacada por todos os lados.

O tal funcionário da embaixada americana era esperto e é pena que o conselho não tenha sido seguido.

O Shikasen é o TGV japonês, data dos anos sessenta e está actualmente ultrapassado.

A velocidade limite dos TGV's, em serviço comercial, é de trezentos e tal quilómetros por hora.

O Maglev de Shangai que vai do aeroporto de Pudong até uma estação de metro dentro da cidade, tem uns 30km e faz a viagem em sete minutos.

Já andei nele várias vezes. É uma maravilha. Nestes sete minutos atinge os 430km/h praticamente sem vibração. Digamos que quando ultapassa os 400 vibra um bocadinho.

É que o Maglev, ao contrário do TGV, dá para viagens curtas e leva pouco tempo a arrancar e a parar.

O que se devia estar a discutir em Portugal não era o TGV, era a possibilidade de termos um Maglev de Lisboa ao porto com paragens em Leiria, Coimbra e Aveiro.

Lisboa-Porto seria feito nuns 50 minutos, Lisboa-Coimbra nuns 35 minutos e Coimbra-Porto nuns 15 minutos!

O país ficaria totalmente diferente e, mais, o centro da península ibérica desviar-se-ía de Madrid para o eixo atlântico Lisboa-Porto.

Além de que as empresas portuguesas adquiririam um know-how muito importante que as faria ganhar concursos noutros países do mundo.

Quanto ao aeroporto talvez fosse possível manter o aeroporto da Portela para voos internos e outros voos próximos (Madrid, Paris, Londres ou Bruxelas) e construir uma linha de TGV para Beja (177km que seriam feitos nuns 25 minutos) com o check-in no terminal em Lisboa.

Sobre o Maglev temos alguns links:

http://www.transrapid.de/cgi-tdb/en/basics.prg?session=59b523d647fdf4c8_961195

(ver os projectos)

ou então as minhas referências ao Maglev no meu blog:

http://cabalas.blogspot.com/2005/07/os-elefantes-brancos.html

http://cabalas.blogspot.com/2005/07/scrates-tgv-ota-e-demagogia.html

Um abraço

O Raio disse...

Cometi um erro no meu comentário anterior.
O que eu queria dizer era uma linha de Maglev de Lisboa ao aeroporto de Beja e não uma linha de TGV.

mitro disse...

Cabe a nós não votarmos nas eleições!

(O melhor é mesmo nem lá aparecer!)

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