17 maio 2008

Pode ser legal mas é chocante

O PÚBLICO de hoje traz a notícia da autoria de Sofia Rodrigues intitulada «Instituições de solidariedade obrigadas a deitar comida fora». O facto de deitar comida fora ou de não poder ser aproveitada comida oferecida pela população é chocante, num momento em que se fala de fome, de aumento da tuberculose e de outros efeitos da subnutrição de larga fatia da população.

Parece que está ser aplicado pela Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) o critério de a fiscalização alimentar das regras de higiene se aplicar de igual forma "a qualquer empresa com ou sem fins lucrativos". Mas essa interpretação está a suscitar dúvidas e a ser classificada de insensata.

A autoridade fiscalizadora exige que as cozinhas tenham os mesmos requisitos que as de um restaurante, proíbe as instituições de aceitar alimentos dados pelas populações e deita fora toda a comida congelada em arcas normais. É chocante por ser uma ruptura com a tradição e por não ser muito claro que isso viesse fazer face a grande perigo de intoxicação alimentar nas Instituições de Solidariedade Social.

O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional destas Instituições (CNIS), queixa-se de que "a ASAE funciona como se estas instituições fossem lucrativas e os seus dirigentes vivessem delas, e não exige ao sector público o que exige a estas instituições". Chama a atenção das pessoas o argumento de que "não se pode exigir que uma instituição de freiras tenha um pequeno restaurante", embora se deva sublinhar a necessidade de serem limpas e não colocarem em causa a saúde dos utentes.

A afirmação de que a ASAE "apresenta-se como uma superpolícia implacável. Falta-lhe sensatez para poder apreciar melhor este sector" parece ser generalizada e traduzir a opinião de grande parte da população.

Segundo um especialista, "há um conflito de competências", porque as instituições de solidariedade social não prosseguem um fim económico". Uma responsável por uma IPS" aceita com muita condescendência que, a ASAE deve aplicar as mesmas regras, mas com cautela, e deve avaliar cada instituição".

Por um lado, para combater a fome recomenda-se a aproveitar ao máximo os produtos alimentares, e agora surge este rigor a mandar para o lixo comida, só porque não obedece a um rigor pouco consentâneo com as condições de funcionamento e as tradições das IPS. Pode ser legal, mas não deixa de ser chocante.

4 comentários:

Saozita disse...

É chocante, triste e um contracenso completo. O senhor director da ASAE, quer é protagonismo, é um exibicionista autoritário e arrogante. É mais um dos fumadores prevaricadores e que se esquece que é pago com o dinheiro dos contribuintes.

A. João Soares disse...

É realmente uma insensatez dos poderosos esquecerem que a su missão deve ser procurar melhorar o bem estar das pessoas e não «fazer figura». Quando a ASAE foi criada escrevi uma carta para os jornais a elogiar a decisão de substituir três organismos obsoletos que nada faziam alegando cada um isso que era tarefa dos outros dois. Foi um passo para a eficiência e simplicidade, com missão clara e nada confusa. Cedo mostrou que tal decisão fora correcta, mas, pouco tempo após, enveredou pelo exagero, pelo radicalismo, pelo extremismo.
A sua direcção transformou-se num «tacho dourado» em que os interesses das pessoas pouco contam e existe um sadismo doentio de criar mal-estar. Até já o Presidente da República, em visita ao interior, num queijaria tradicional perguntou se já lá tinha ido a ASAE, o que provocou sorrisos espontâneos.
Há muita falta de senso, de comedimento e de sentido das proporções nos detentores do Poder.
Cumprimentos
A. João Soares

Pata Negra disse...

Por este andar qualquer dia a ASAE vai andar de volta dos sem-abrigo a tirar-lhes as sandes da boca.
Parece que estou a ver um inspector na Praça do comércio:
- Olá Zé Ninguém, dá cá essa sandes, não está embrulhada em plástico, não a podes comer!
E assim vai este país!
Um abraço anti-ASAE

A. João Soares disse...

Caro Rei dos Leitões,
A quem? A que tipo de portugueses se destina a ASAE? Defende os interesses de quem? Dizem que quer eliminar todas as médias e pequenas empresas ligadas à alimentação. Acabar com os pobres, aniquilando-os, não parece moralmente correcto. Somos um País pobre, de gente pobre. Apenas há as excepções dos que pertence ao grupo dos tachos dourados e das pensões milionárias. Estará a ASAE ao serviço apenas desses?
Um abraço
A. João Soares

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