13 janeiro 2009

Não me cravem pedestais…


Não me cravem pedestais
na minha urna,
nem me rezem ladainhas de compaixão.
Cubram-me com as mesmas pedras
com que me atiram.

Sou filho da funesta educação
dos tabus da fidalguia.

Reneguem-me
com a mesma indiferença,
com o mesmo nojo,
com o mesmo abandono
que se despoja deste corpo
infectado pela SIDA.

Qual cão com sarna?
Qual besta humana?
Quem merece ser tratado assim?

Desfaço-me em feridas,
estou oco, dissecado.
Matem-me…
…matem-me
Estou enojado com o mesmo nojo
desta jaula, onde a clausura
se enjaulou de mim.

Conceição Bernardino


2 comentários:

Ana Martins disse...

Olá Conceição,
muito forte e muito real este teu poema, ou não fosse a realidade mesmo assim!

Beijinhos,
Ana Martins

amor disse...

la fuerza desde dentro lo puede todo

ánimo y un abrazo

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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