16 maio 2010

As Farpas ( Uma Campanha Alegre )

A Acrópole na imagem ao lado, acordou com este apelo de União aos Povos Europeus!

As Farpas são crónicas publicadas mensalmente da autoria de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Porém, a nomeação de Eça como Cônsul de Havana ( Eça de Queirós fez carreira diplomática ) obrigam-no a abandonar o projecto.

A parte escrita por Eça foi publicada em 1890, em dois volumes com o título Uma Campanha Alegre.

As Farpas são, assim, uma admirável caricatura da sociedade da época. Altamente críticos e irónicos, estes artigos satirizam, com muito humor à mistura, a imprensa e o jornalismo partidário ou banal; a Regeneração, e todas as suas repercussões, não só a nível político mas também económico, cultural, social e até moral; a religião e a fé católica; a mentalidade vigente, com a segregação do papel social da mulher; a literatura romântica, falsa e hipócrita.

As Farpas são, assim, um novo e inovador conceito de jornalismo - o jornalismo de ideias, de crítica social e cultural.

"Eça não se limita, todavia, a galhofar. As suas Farpas constituem um sistemático e quase que completo curso de sociologia do Portugal da Regeneração, observado de alto a baixo, nas câmaras e nas ruas, nos mercados e nas prisões, nos gabinetes da administração e nas praias onde labutam e naufragam pescadores, nas salas domésticas onde se entendiam pescadores e tomam chá com torradas as famílias, nas igrejas onde rezam beatas ou se realizam eleições, nos teatros onde se representam peças pífias e mal traduzidas, nas redacções onde se panteia em péssimo jornalismo, o que sucede tanto em matéria de política como em casos mais triviais do dia a dia do país."*

*In Dicionário de Eça de Queirós, pág. 264.

"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país caótico que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa - citam-se, a par, a Grécia e Portugal. Nós, porém, não possuímos como a Grécia, além de uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da Arte. Apenas nos ufamos do Sr. Lisboa, barítono, e do Sr. Vidal, lírico."

 

Eça de Queiroz escreveu esta reflexão em Janeiro de 1872.  Rele-las, hoje, passados 138 anos é uma aterradora constatação, uma mostra da nossa incapacidade para aprendermos com a História e dela tirarmos ilações e proveito de forma a não repetirmos os erros. Passado mais de um Século, aínda não fomos capazes de nos regenerarmos.
Eu diria que agora nos ufamos de Lisboa - a capital, das redes viárias, do Oceanário, de sermos ( por enquanto) os maiores exportadores de cortiça do mundo ( pena que os sobreiros estão envelhecidos e não se repõem novas plantações), de mantermos o exército no Afeganistão, de termos 3 capitalistas na listagem da Forbes, os mais bem pagos gestores públicos do mundo, empresas com grande expressão internacional e mais algumas vaidades, como os Estádios do Euro etc.
No entanto temos 2 milhões de pobres, mais os subsidio dependentes ( que já não são pobres ), desempregados muito bem remunerados ( que é necessário baixar o subsídio ) e muito trabalho, o problema é dos malandros dos desempregados, que não querem trabalhar!
 
Na lista dos países com maior fosso entre ricos e pobres Portugal vem em 5º lugar. A classificação é feita pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Do ponto de vista da desigualdade só Hong Kong (1º), Singapura (2º), EUA (3º) e Israel (4º) estão em situação pior do que Portugal.

O coeficiente de Gini que o PNUD atribuiu a Portugal foi de 38,5 (numa escala em que zero representa a igualdade absoluta e 100 a desigualdade absoluta). O PNUD afirma que os 10% mais pobres da população portuguêsa detêm apenas 2% do rendimento nacional, ao passo que os 10% mais ricos detêm 29,8% do mesmo.
Esta informação encontra-se em Yahoo FINANCE

Eça de Queiroz, in "Uma Campanha Alegre", (1872) pág. 235, edição Livros do Brasil

1 comentário:

Lidia Ferreira disse...

Que bom que gostou do meu blog , fiz esse blog para todos , para homenagear , ajudar na divulgação e fazer a fraternização entre os blogs
essa e a finalidade a enquete e mais uma brincadeira
Se voce quiser participara sera uma honra , e só me enviar o link de uma postagem sua que mais gostou
lidia_bferreira@terra.com.br

Conheça meu outro blog tb http://corderosachoque22.blogspot.com

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