29 agosto 2007

A arte de calar

Calar, sobre sua própria pessoa, é HUMILDADE!

Calar, sobre os defeitos dos outros, é CARIDADE!

Calar, quando a gente está sofrendo, é HEROÍSMO!

Calar, diante do sofrimento alheio, é COVARDIA!

Calar, diante da injustiça, é FRAQUEZA!

Calar, quando o outro está falando, é DELICADEZA!

Calar, quando o outro espera uma palavra, é OMISSÃO!

Calar, e não falar palavras inúteis, é PENITÊNCIA!

Calar, quando não há necessidade de falar, é PRUDÊNCIA!

Calar, quando Deus nos fala no coração, é SILÊNCIO!

Calar, diante do mistério que não entendemos, é SABEDORIA!

Autor desconhecido, recebido por e-mail (pps)

14 comentários:

Naty disse...

Bom dia. realmente a arte de calar é maravilhosa, quando é realmente compreendida, o pior é quando se está calado e se é acusado de falar, enfim sempre a ingratidão.
Bom texto.
bjs naty

Joana Dalila Santos disse...

"Calar, quando a gente está sofrendo, é HEROÍSMO!"
Esta, infelizmente, tive de conhecer de forma muito próxima recentemente. E foi exactamente assim que reagi. Calada. E não sei se realmente foi a melhor forma de agir. Não sei se foi heroísmo. Mas não estava nas minhas mãos saber como reagir.

Adorei o texto.

j. gonçalves disse...

Pela Razão, pela Justiça, pela Dignidade, pela Honra, nunca será - calar!!!

A. João Soares disse...

Natty, Joana, e J.Gonçalves,
Realmente, o autor como sempre em assuntos de natureza moral, e tratando-se de pequenas frases, é bastante teórico, mas de uma teoria desejável.
É certo , como diz J. Gonçalves, há valores que não podem ser ignorados devem ser defendidos. Mas mesmo esses para serem bem defendidos, não devem ser objecto de reacções em quente, temperamentais e emotivas, mas sim a frio, depois de passados alguns momentos de reflexão. Por vezes um acto de «heroísmo viril» cria efeitos perversos que agravam a situação. Calar aqui deverá significar não dizer nem fazer algo de que possa vir arrependimento.
Abraço
Sempre Jovens

O pensador disse...

Eu não percebo muito sobre a arte de calar,mas já me disseram que traz imensos beneficios quando a gente está a comer qualquer coisa.
Vou experimentar em casa e depois direi qualquer coisa!

Abs.

A. João Soares disse...

Permita-me a Joana Dalila Santos para aqui transcrever um post do seu blog relacionado com o tema:

Pela boca morre o peixe

José Sócrates não quis dizer mas disse (...). Na certeza de que "cada um de vós dará o seu melhor para um País mais justo, mais pobre... perdão, mais solidário". António Guterres já trocou um dia, em pleno Parlamento, "penso rápido" por "penso higiénico". Valentim Loureiro, num comício, gritou por "Guterres" e teve de corrigir para "Gondomar". Venha o próximo.
Sempre Jovens

M. Relvas disse...

A arte de calar

Gabriel Periss

Ler, pensar e escrever

É sinal de inteligência e sabedoria falar pouco, falar bem e não falar mal de ninguém.

Contudo, calar-se é ainda mais importante, quando calar-se é dizer tudo.

Há quem se cale por não ter realmente nada para nos dizer, mas há também quem se cale por omissão, quando seria um dever falar, escrever, gritar, colocar a boca no trombone, como se dizia antigamente.

Calar-se na hora certa e pelos motivos certos é uma verdadeira arte cujas regras um pequeno livro do Abade Dinouart quer nos transmitir. Autor francês do século XVIII, suas admoestações para que façamos silêncio ainda hoje são pertinentes.

Sutileza não lhe falta. Ao mesmo tempo que recomenda o silêncio, lembra que há silêncios falsos, aqueles que simulam uma sabedoria que, de fato, inexiste. Nem sempre calar-se significa profundidade de pensamentos. Pelo contrário, é camada de verniz que recobre um vazio sepulcral.

Mas há ainda outros silêncios, e alguns deles diabólicos. Há o silêncio manipulador, o silêncio torturante, o silêncio chantagista, o silêncio rancoroso, o silêncio conivente, o silêncio da zombaria, o silêncio imbecil, o silêncio do desprezo. Há pessoas que matam com seu silêncio. Há silêncios que esmagam a justiça e a bondade, na calada da noite.

Por isso o silêncio rico de significado é ainda mais apreciável e luminoso.

Falo do silêncio que prenuncia novas palavras.

Falo do silêncio que é solidariedade na dor.

Falo do silêncio que soluciona cisões.

Falo do silêncio que pergunta.

Falo do silêncio que perdoa.

Falo do silêncio que ama.

O silêncio mais puro é aquele que guarda a confidência. Este silêncio jamais é excessivo. Não se deve apregoar aos quatro ventos o que foi murmurado na intimidade da amizade e do amor.

O silêncio mais sábio é aquele que fazemos diante dos impertinentes, intolerantes e desbocados. É o silêncio do Cristo inocente diante dos acusadores, o silêncio dos espaços infinitos diante da quase infinita capacidade nossa de falar ou escrever sem razão.

Calar da maneira certa é deixar que uma voz mais profunda seja ouvida. A voz severa, a voz serena, a voz suave e firme da verdade.

O verdadeiro silêncio diz a verdade que não se pode calar.

O verdadeiro silêncio nunca será cedo demais.

Quero ouvir o silêncio que tudo explica.
A arte de calar, Martins Fontes, 2001, 80 páginas

A. João Soares disse...

Caro Relvas,
O seu comentário merecia dons de post. Um texto muito completo e profundo. O silêncio está aqui descrito de forma muito interessante. O autor, sem vaidade, com a humildade de quem não tem certezas mas coloca dúvidas e hipóteses até, de certo modo, contraditórias, utiliza um método científico de quem busca a verdade, seguindo os caminhos da razão, sem jactância do saber conseguido e da verdade prévia.
Um abraço
Sempre Jovens

Beezzblogger disse...

Eu não entro nos "Calados", Pois a mim ninguém me cala.

Abraços, e bons textos

Beezz

A. João Soares disse...

Caro Beezz,
Faz muito bem. Temos que manifestar o direito à indignação defendido por Mário Soares, e não ficarmos resignados como aconselha Cavaco Silva.
Em resposta a um comentário escrevi acima o seguinte: «É certo , como diz J. Gonçalves, há valores que não podem ser ignorados devem ser defendidos». E, na defesa desses valores não devemos deixar-nos intimidar, amordaçar.
O Beezz é uma voz útil ao País, sempre oportuna e audível. Não deixe que o calem.
Um abraço

avelaneiraflorida disse...

a arte de calar só poderá existir se não houver necessidade de GRITAR bem alto contra tudo o que impede os DIREITOS HUMANOS de se concretizar!!!

Porque "a arte de calar" pode ser, foi, tem sido, muitas vezes, demais, significado de cobardia, dissimulação, opressão!!!

A. João Soares disse...

Cara Avelaneira,
Tem muita razão, Como já disse, há valores que nem sempre são defendidos com o silêncio. Calar por bom senso é virtude, mas calar por cobardia, é isto mesmo.
Quanto ao gritar, nem sempre será a melhor solução, porque uma reacção espectacular pode aliviar, mas pode dificultar a defesa da nossa razão. Podemos perder a razão dando o flanco.
Abraço

O pensador disse...

«...Temos que manifestar o direito à indignação defendido por Mário Soares, e não ficarmos resignados como aconselha Cavaco Silva...»

- Sr João Soares,permita-me que faça um comentário sobre esta frase.
Porque será que o Dr Mário soares só tem boa "conversa" quando não vive em S. Bento?
Se ele tivesse ganho as eleições,a esta hora estaria a aconselhar o quê exactamente?

Os meus cumprimentos.

A. João Soares disse...

Caro Pensador,
Comungo as suas dúvidas. Aliás só os néscios a não têm.
Mas, já que ele disse isto, e dadas as influências que ele ainda tem na vida nacional, penso ser de aproveitar, tal como aproveitamos pensamento de outros autores. E as frases deste têm agora um sabor especial por o Governo ser da sua cor.
Um abraço

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