31 agosto 2007

Cuidado com as palavras

Enquanto esperava a reunião do pequeno grupo de amigos para o almoço passei os olhos pelos títulos de alguns jornais, sem me afundar no teor dos artigos porque entretanto conversava e o tempo não o permitia. Deparei com esta frase que me arrepiou «Bush quer reforçar o orçamento para a OFENSIVA no Iraque».


Que Bush não tem sido nada feliz na sua intenção de tornar a América ainda mais poderosa é reconhecido interna e internacionalmente. Falta de senso, má escolha de colaboradores para os lugares mais decisivos e péssima avaliação das situações sobre as quais tem de tomar decisão, tudo isso tem feito parte da salada que o levou ao fracasso.

Mas, santo Deus, falar em continuar a OFENSIVA, já começada há mais de quatro anos, com resultados trágicos para todas as partes, ou é má tradução ou desconhecimento do significado das palavras. A OFENSIVA devia ter sido considerada terminada após a destituição de Saddam. A seguir, devia falar-se de pacificação dos ânimos, justamente exaltados, e da reconstrução de um país traumatizado entre a retirada forçada do ditador violento e a necessidade de paz e de reconstrução daquilo que foi danificado e daquilo que precisava de renovação e de modernização.

É aceitável que a América se disponha a investir muito nesta fase de PACIFICAÇÃO e de RECONSTRUÇÃO, mas nada de falar de OFENSIVA. Esta palavra poderá aparecer nas bocas de grupos nacionalistas das diversas tribos mas não na do ocupante. Os diplomatas e os representantes de países responsáveis devem pesar muito bem as palavras que empregam.

A força e a importância das palavras justificam que se lhes dê atenção. É para isso que tem sido chamada a atenção em posts recentes em:
- A Voz do Povo, nos posts: «A arte de calar» e «O poder das palavras»,
- Sempre Jovens, no post «Vamos semear a vida com as palavras»

2 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Mais do que cuidado com as palavras...CUIDADO COM OS ACTOS!!!!

Por favor...demitam aquele mas não escolham outro igual!!!!!

BOM FIM DE SEMANA!!!!

A. João Soares disse...

Há muitos, pelo Mundo, com igual tentação de abuso do poder. Este , ou melhor a América representa mais perigo de ter um presidente megalómano, devido ao potencial bélico de que dispõe. Um brinquedo tão perigoso para o Mundo, não pode ser entregue a uma criança impulsiva e insensata.
É a mesma coisa que ensinar artes marciais a um jovem agressivo, sem autodomínio nem autocontrolo.
O Presidente de uma grande potência não pode ser iroso e insensato. Recordo um que numa reunião internacional de grande nível descalçou um sapato para bater com o tacão no tampo da secretária.
Nisso é admirável a diplomacia dos chineses, graças à qual foi moderado o entusiasmo louco do líder da Coreia do Norte e está sendo gerido o diferendo com Taiwan.
Um abraço
Do Miradouro

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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