06 junho 2008

A união faz a força

Ao ter notícia da fraca adesão ao bloqueio às gasolineiras, devido ao elevado preço dos combustíveis, tive a noção de que as pessoas temem tomar atitudes para defenderem os seus interesses, esperando que os outros lhes resolvem os problemas e lhes tragam a solução numa bandeja. Ora, sem união, o povo nada pode, pois só a união faz a força, como diz a parábola dos sete vimes, aqui magistralmente explicada pelo grande Trindade Coelho

Parábola dos sete vimes

“Era uma vez um pai que tinha sete filhos. Quando estava para morrer, chamou-os todos sete, e disse-lhes assim:
- Filhos, já sei que não posso durar muito; mas antes de morrer, quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco e mo traga aqui.
- Eu também? – Perguntou o mais pequeno, que tinha só quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.
- Tu também - respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete; e daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um seu vime seco.

O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe:
- Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime, e não lhe custou nada a partir.
Depois, o pai entregou outro ao mesmo filho mais novo e disse-lhe:
- Agora parte também esse.
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou nada parti-los todos. Partindo o último, o pai disse outra vez aos filhos:
-Agora ide procurar outro vime e trazei-mo.

Os filhos tornaram a sair e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com o seu vime.
- Agora dai-mos cá - disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho.
E, voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim:
- Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.
- Não podes? - perguntou ele ao filho.
- Não, meu pai, não posso.
- E algum de vós é capaz de o partir? Experimentai.

Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
- Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu, sem lhe custar nada, todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pode parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu – e os filhos foram muito felizes, porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem”.

Trindade Coelho. In: Os meus amores

4 comentários:

Beezzblogger disse...

Juntos Venceremos amigo João, sem dúvida que a união faz a força.

Abraços do beezz

A. João Soares disse...

Tem que haver união para os bons objectivos, em que não se pode olhar às diferenças de crenças. Mas, infelizmente nós portugueses, cheios de preconceitos, não conseguimos saltar por cima das diferenças, para defendermos aquilo que nos pode unir, mesmo que apenas por um momento. Há ideias boas em todos os lados e essas todos as devemos aprovar. Impressiona-me ver no Parlamento, os partidos não votarem favoravelmente uma moção, com que concordam, só porque ela saiu de um outro partido.
Assim, Portugal não pode ir longe.
Um abraço
A. João Soares

victor simoes disse...

Infelizmente, os portugueses queixam-se mas não se unem em torno dos momentos, das lutas que são de todos nós. Por comodismo, medo e ignorância?
Talvez, porque pensem que o vizinho, o fará por eles, enquanto este tipo de mentalidades se mantiver, enquanto não houver união, não iremos a lado nenhum.

A. João Soares disse...

Caro Víctor Simões,
Parece que faz parte do nosso ADN colectivo, a inveja, o egoísmo e outros defeitos. E o que é mais grave é que não há civismo que consiga limar tais imperfeições. E quem se interessa em aumentar o civismo?
Um abraço
A. João Soares

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