22 novembro 2008

Sobre o perfil de um ex-ministro

Neste espaço, evito defesas ou acusações de pessoas ou forças políticas, e procuro circunscrever as apreciações aos conceitos aplicáveis a casos reais. Defendo o respeito por valores e princípios e pelos interesses nacionais e repudio contradições ou actos que pareçam negativos.

Dentro desta orientação, transcrevo uma parte do artigo do DN de hoje «Uma explicação curiosa», por encontrar nela algo de muito estranho e porque, possivelmente, se poderá aplicar, de uma forma ou de outra, a outros políticos governantes ou com aspirações a sê-lo.

«Dias Loureiro, na entrevista a Judite de Sousa (já que o PS não o quer no Parlamento), disse coisas pouco habituais num homem experiente, ex-ministro, gestor de sucesso. Sobretudo, repetiu "não sei", "não sabia", "acreditei", "era o que me diziam", "não achava nada".

Esclareceu ainda que no BPN "não havia reuniões" (supõe-se que da Administração do banco) e que Oliveira e Costa "falava (despachava?) individualmente" com cada colaborador. O mais que a sua atenção conseguiu foi "ouvir vozes", um "bruáaa", detectar "ali um certo mal-estar", o que até o levou em Abril de 2001 a referir isso mesmo a um elemento do Banco de Portugal.»

Sobre o mesmo assunto o artigo do JN «Dias Loureiro: "Nunca cometi qualquer crime"», diz que o ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), ex-detentora do BPN, nunca teve conhecimento de alegadas fraudes e que sempre confiou em Oliveira e Costa. E declarou, na Grande Entrevista da RTP1, "nunca fiz nada que possa constituir crime. Estou de consciência tranquila". E referiu-se a Oliveira e Costa como um "homem brilhante, inteligente e trabalhador incansável", acrescentando que não acredita que este tenha agido em benefício pessoal. Porém, perante os primeiros rumores que punham em causa a gestão do grupo reuniu-se com o vice-governador do Banco de Portugal para que este "estivesse atento" ao BPN. Não porque desconfiasse de alguma coisa, mas para estar mais tranquilo (!).

O título do artigo do JN «BPN: Miguel Beleza tratou de encontro entre Dias Loureiro e António Marta mas não confirma a sua realização» dispensa explicações. Mas, segundo notícias mais recentes, António Marta do BdP nega que tenha havido tais contactos.

Um administrador que afirma claramente "não sei", "não sabia", "acreditei", "era o que me diziam", "não achava nada", como justifica o salário e as benesses que estava a usufruir por estar a desempenhar nominalmente tal cargo? Onde está a sua moralidade? Como se pode compreender que uma pessoa com o seu currículo oficial e com o cargo por que estava a ser pago, tenha alertado o Banco de Portugal, sem nada de concreto saber e apenas baseado em "ouvir vozes", um "bruáaa", detectar "ali um certo mal-estar"?

O mais curioso é que desempenha as funções de conselheiro de Estado para que foi convidado e, questionado sobre se vai manter-se nelas, limitou-se a afirmar que "o lugar está sempre à disposição do presidente da República". Quer dizer que ele, vivendo alheado, indiferente e guiando-se apenas por rumores e vozes, sem procurar merecer o dinheiro que ganha, sente que não tem obrigação ética de pedir a exoneração do cargo político que desempenha, remunerado por todos os contribuintes?

Trata-se de um perfil curioso, que poderá não ser único no panorama nacional em que ele se insere ou inseriu.

6 comentários:

david santos disse...

Bem, antecipando-me com uma desculpa, não posso deixar de trazer aqui o partidarismo. Os governos de Cavaco Silva e do PSD, ainda que queiramos manter a ética, foram um Casino onde os copeiros baralhavam a vermelhinha a seu bel-prazer. Sempre tinham os números e cores mais premiados. Olhando para trás e reflectindo nos milhões de contos que vinham da CEE todos os dias, ficamos a saber por onde anda esse dinheiro.
Quanto a Dias loureiro, não posso deixar de dizer que está muito comprometido. Não duvido. «Quando abandonei a política não era rico», são palavras de Dias loureiro a Judite de Sousa.
Porém, ainda não fazia Sol alto e já Dias Loureiro estava a comprar milhões de contos de acções de uma empresa ligada ao BPN. Bem, não digo mais nada. Penso, até, que ficarei de consciência tranquila se disser que ele é mais uma "barriga de pão alheio". Aliás, como foram muitos tubarões cavaquistas.
Abraços.

David Santos

victor simoes disse...

No meio de toda esta salsada, nada se tem acrescentado aos rumores, e comentários que sempre se ouvem nas conversas de café.
O cidadão anónimo, já há muito que sabe de todas estas falcatruas, o que é de estranhar é o Governador do Banco de Portugal, nada saber, Vitor Constâncio é também culpado neste e noutros casos, quanto mais não seja, por negligência e incompetência profissional.
É inademissivel, que este senhor Governador do Banco de Prtugal, pago a peso de ouro, não desempenhe no mínimo e cabalmente as suas funções, e agora venha colocar o "rabo de fora". Vitor Contâncio, é mais um dos neo-liberais, que só se preocupa em encher o próprio bolso, e tem a lata de dizer, que o subsídio de desemprego é generoso, como se a culpa das vigarices, fosse dos portugueses. Deveria ter vergonha na cara e se lhe resta, um pouco de honra, pedir demissão de um cargo, para o qual não tem competência nenhuma.
Agora começa a fazer sentido o porquê de tantos anos no cargo, é precisamente para dar cobertura a todas estas patranhas e falcatruas dos políticos corruptos.

david santos disse...

É verdade, Victor!
Victor Constâncio é um indivíduo incompetente e sem escrúpulos. Eu sei que ele não percebe nada daquilo para que foi incumbido. Isto em relação à incompetência. Já em relação à falta de escrúpulos, que referi, ela note-se quando ele está a roubar ao erário público cerca de 18.000 mês e não tem a dignidade de levantar o ânus da cadeira. Victor Constâncio é outra «barriga de pão alheio». Mas ainda volto à incompetência. Ele não sabe nem nunca soube trabalhar. É artista na “arte” de se encostar. Mas atenção; eu sou dos que me convenço que o havemos de mandar borda fora. Porque o governo e a “justiça” querem-no segurar.
Abraços.

David Santos

A. João Soares disse...

Caros David Santos e Víctor Simões,
Seria lógico esperar dos governantes e dos conselheiros de Estado uma superioridade ética e patriótica acima de qualquer suspeita. Infelizmente não é assim, e por vezes somos abalados por situações incríveis como a relacionada com o BPN em que ficamos sem perceber a sociedade em que vivemos.
O mais impressionante aqui no post é a forma infantil como uma pessoa, que devia ser de bem, procura sacudir a água do capote, como um puto apanhado em falta. Não demonstrou o mínimo senso e racionalidade e quis ir à TV convencido de que ia coberto pela sua imunidade de «homem do aparelho do Estado». Felizmente, nem toda a gente está a dormir e não era difícil reparar nesta imagem da podridão nacional.
Abraços
João

Beezzblogger disse...

Bem, enquanto uns, "sacodem a água do capote", outros há, que se governam, e entres esses todos, nenhum presta, nem para enfeitar.

Só temos um caminho, e perdoem-me a expressão, mas ando farto desta treta toda, tenho 36 anos, e sinceramente, acho que posso dar muito ao meu país, aos mais desprotegidos, e isso faço-o denunciando, expondo, protestando.

REVOLUÇÃO JÀ!!!

Abraços do Beezz

david santos disse...

Olá, Carlos!
Pois é o que reina na mente de quem faz estes trabalhos, não só mostramos a nossa indignação, como estamos a lembrar que os pobres estão a ser roubados.
Abraços

David Santos

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