14 agosto 2008

Portugal - Figura de Rico, com bolsa de pobre!

A Rádio Vaticano, noticiava à dias o seguinte:
" Portugal formalizou o cancelamento da dívida de Moçambique, avaliada em 249,3 milhões de euros (393,4 milhões de dólares), um gesto que se enquadra no "impulso e fortalecimento" da relação entre os dois países. "Liberto do peso da sua dívida, Moçambique pode encontrar outras condições e outras perspectivas de financiamento da sua actividade (…) o que representa criar novas oportunidades para promover o seu futuro e o seu desenvolvimento", afirmou, ontem em Maputo, o ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos. Lembrando que a concretização do perdão de dívida acontece poucos meses depois de os dois países terem voltado "uma página importante" na história das suas relações bilaterais, o ministro das Finanças considerou que Portugal e Moçambique podem agora "marcar novos objectivos e novas áreas" para estreitar as suas relações. Teixeira dos Santos lembrou, ainda assim, que o "reescalonamento e perdão da dívida" de Moçambique "não é uma iniciativa bilateral de Portugal", mas sim "uma iniciativa da comunidade internacional" a que o país se associa. "Portugal associa-se com todo o gosto a esta iniciativa da comunidade internacional, dos países mais desenvolvidos, no âmbito do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) para aliviar os países pobres altamente endividados", disse. Quanto à oportunidade para a formalização do perdão de dívida, o titular da pasta das Finanças lembrou que Portugal "atravessou nos últimos anos algumas dificuldades financeiras" e que só depois de acomodar o défice das contas públicas aos limites impostos por Bruxelas foi possível tomar uma medida que "pesa nas contas públicas portuguesas". Considerando que o actual Governo português "tem apostado decisivamente na relação com Moçambique", o ministro das Finanças manifestou o desejo de que o "reforço da cooperação institucional entre dois governos" se traduza em iniciativas por parte do sector privado. Para além do acordo de "cancelamento em 100 por cento da dívida", foi ainda formalizada a concessão a Moçambique de uma linha de crédito de 100 milhões de euros, além de um acordo de cooperação e assistência técnica entre os dois ministérios. "

Na minha prespectiva, e ressalvo que concordo que os países ricos perdoem parte, ou mesmo a totalidade das dividas aos países pobres. Não concordo com este senhor Ministro das Finanças, Sr.Teixeira Santos, nem com o Governo Português.
Como é possível que o país mais pobre da União Europeia, se comporte como sendo um país rico, quando existem dois milhões de pobres em Portugal. O que significa que um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês. E há os «novos pobres», pessoas com emprego, mas cujo salário não chega para as necessidades. Tudo isto coloca Portugal na lista negra dos países com mais pobreza e o país da UE onde a desigualdade entre ricos e pobres é maior. A classe média está em vias de extinção. As estatísticas do INE referem ainda que sem as pensões de reforma e as transferências sociais do Estado, mais de quatro milhões de portugueses estariam em risco de pobreza.
E em relação aos nossos novos pobres, aqueles que trabalham e cujo salário que auferem já não chega para terem uma vida condigna ( não incluio na referência condigna o superfluo, sómente o estritamente essencial ). Este sr. Teixeira Santos, até a camisa lhes tira, por dividas irrisórias ao fisco. Aconteçe que este mesmo senhor e os camaradas da panela da governação, deixam passar ao lado, dívidas que prescrevem de muitos milhares de Euros,
-mais... o próprio Governo é caloteiro e não paga atempadamente às empresas, levando estas à falência e ao consequente aumento do desemprego ( que por sinal até baixou, devido ao êxodo dos portugueses em busca de trabalho no estrangeiro ).
Um caso concreto, um empresário decidiu suspender o trabalho de uma fábrica têxtil da Covilhã e entregar as chaves nos serviços de Finanças, em protesto contra a acção do Estado.
O empresário António Lopes protesta contra o facto da firma ser alvo de penhoras por dívidas ao fisco, mas ao mesmo tempo ter verbas bloqueadas e acesso à banca vedado devido ao atraso de decisões judiciais. Por outro lado, "a Fiper depende do trânsito em julgado para boa cobrança de 388 mil euros de IVA, ao passo que as dívidas ao fisco são de 36 mil euros. É fácil fazer as contas", desabafou António Lopes.
Continuando esta minha exposição, vejamos estes dados divulgados na Oikos:
1 em cada 5 portugueses vive no limiar da pobreza (21% da população total)
12.4% da população activa (5531.6) ganha o salário mínimo nacional (374,7€)
*7,2 % da população activa está desempregada; em 2003, mais de 5000 trabalhadores tiveram o seu trabalho reduzido ou suspenso;
*26,3% dos reformados recebe menos de 200€/mês de reforma
*147 332 recebem o Rendimento Social de Inclusão (151,84€)
*79,4% da população activa não terminou o ensino secundário
*45,5% da população, em idade escolar, abandona de forma precoce a escola
*Taxa de Analfabetismo, em 2001, era 9,0% da população
*300 mil famílias (8% da população) viviam, em 2001, em habitações sem condições mínimas
Em relação aos dados de 1999 e 2000, há um agravamento de 20 a 25% da situação de pessoas sem-abrigo
*A taxa de Analfabetismo, em 2001, era de 11,5% para as mulheres e de 6,3% para os homens
*Os homens ganham mais 9% do que as mulheres
*A taxa de Desemprego, em 2002, era de 55,2% para o género feminino
*Em 2004, 240 730 mil eram famílias monoparentais femininas, num universo total de 275 826 mil
*Em 2003, 69% da população dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, seram mulheres
* Por outro lado, As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto Nacional – 22.4 mil milhões de euros. O país tem a pior distribuição de riqueza no seio da União Europeia com os 20% mais ricos a controlar 45.9 por cento da rendimento nacional
10 800 pessoas têm rendimentos de cerca de 816 mil euros anuais
*Em 2001, a Segurança Social gastou com cada português apenas 56,9% do que habitualmente gastam os outros países da União Europeia*
- De lá para cá os dados agravaram-se, 2008 quase batemos no fundo, com a ajuda dos aumentos do petróleo, estamos à espera das novas informações estatísticas do INE! Desafio no entanto qualquer iluminado do Governo, a demonstrar nestas páginas, que melhoraram estes indicadores de miséria que já são de 2005.
Por tudo o exposto, não concordo, que Portugal faça figura de rico, com bolsa de pobre. Ninguém mandatou esses senhores políticos para perdoarem dívidas, e serem os portugueses a sofrer na pele, por tempo indeterminado, as consequências da má gestão de quem nos Governa!

10 comentários:

Maf_ram disse...

Isto tem muito que se lhe diga!...
Não sou contra o perdão da dívida. Sou contra a classe de políticos que temos que usam dois pesos e duas medidas!

Ana Martins disse...

Olá Victor,
Tens toda a razão, eu também não sou contra o perdão da divida, mas daí a sermos nós, o Zé Povo a sofrer as consequências, para que quem nos governa fique bem na fotografia, vai uma grande distância
Beijinhos.

A. João Soares disse...

Caro Victor,
Afinal somos uma grande potência, vivemos todos faustosamente e até nos podemos dar ao luxo de perdoar as dívidas. O povo que se lixe. Falta de escrúpulos dos governantes que nem sequer sabem olhar para a vida dos cidadãos que sofrem carências de toda a ordem.

Peço desculpa a algum político ferrenho, se esta ideia que ontem me surgiu o melindrar. Mas julgo que merece ser ponderada.
Independentemente de ideologias, temos de concordar que Portugal tem vindo a ser mal governado. Isto já não se resolve com mudanças de pessoas mas sim com um código de conduta assinado por todos os partidos em que fiquem bem claros princípios de comportamento dos governantes e das oposições.
Entre outros pormenores, há que reduzir ao mínimo as nomeações de confiança, sem concurso público destinadas a favorecer os amigos do clã. Tais nomeações, não tendo em conta as competências têm delapidado os dinheiros públicos e arrastado o País para uma crise crónica de difícil cura.
Há que restabelecer a confiança do povo nos seus representantes, através de acções honestas em benefício dos interesses nacionais.
Reduzir a quantidade de assessores e os contratos para «estudos» a amigos partidários que só têm a finalidade de enriquecer os «compadres».
Mudando o regime com este código de conduta, talvez o País possa começar a desenvolver-se de forma séria e sustentável, para benefício de todos os portugueses e não apenas os que sugam o orçamento em benefício próprio.
Um abraço
A. João Soares

Maria Soledade disse...

Amigo Vitor:

Eu assino por baixo tudo o que a Ana diz.Estar a pronunciar-me sería plagiá-la,por isso não o faço.A minha opinião é exactamente a dela.

Quanto ao amigo João o seu "programa´" seria excelente,creio que neste momento todos o apoiamos,mas,utópico...infelizmente!
Venha quem vier,suba ao poder quem subir,vai ser com toda a certeza para lixar o Zé!!!

Esperança no futuro?!Muito pouca...

Beijos

C Valente disse...

Há quem não tenha espelho em casa, e fazer figura de rico com os dinheiro dos outros é facil
Saudações amigas

Saozita disse...

Eu acho que primeiro deveriamos olhar para dentro, e definir um programa e uma política de combate à pobreza. Deveriamos deixar-nos de fantasias e contra informação, que só visa a caça ao voto. O povo já há muito que viu a hipócrisia dos políticos.
Caíram em descrédito de tal forma, que ser político, já é sinónimo de muitas palavras feias, mas a mais conhecida é mentiroso.
A figura de rico com bolsa de pobre, do nosso país, não é de agora, são as manias das grandezas, uma EXPO98;Um Europeu de futebol, participação de tropas portuguesas em missões caríssimas originadas em actos de guerra, como o Iraque; Afeganistão; Kosovo... a que se juntam outros projectos megalómanos , tais como o TGV; O novo aeroporto e mais algumas baboseiras.
Todos esses negócios à grande e à Francesa, sem olhar a dinheiros e aínda por cima, com as famigeradas derrapagens das obras públicas.
Isto tudo para dizer e demonstrar o óbvio, esses senhores que dirigem os destinos deste país, estão apenas no governo, para se governarem a si próprios.
Precisamos de abrir os olhos, e demonstrar que o povo não é burro, e já não vai em engodos eleitoralistas.
POR MIM CHEGA NÃO LEVAM O MEU VOTO, NEM SOCIALISTAS, NEM OUTROS QUAISQUERES - SE QUIZEREM CONTINUAR A EXPOLIAR PORTUGAL, NÃO É COM A MINHA ANUÊNCIA.

Odele Souza disse...

Sair bem na fotografia é sempre o que querem os governantes, com raras, com raras, com raríssimas exceções. E ao assumirem o poder, têm por preocupação apenas encher os próprios bolsos. A análise de Ana, tem meu total endosso.

Um abraço.

Zé Povinho disse...

Não sei se a dívida ainda tinha hipóteses de ser cobrada, mas os nossos governantes fazem figura de ricos, borrifando-se para as dificuldades que temos cá no rectângulo. Na realidade somos nós que pagamos toda essa generosidade, mas isso eles não dizem eles.
Abraço do Zé

Pata Negra disse...

Os pobres sempre tiverem mais apetência para a esmola do que os ricos. A esmola é um acto próprio dos pobres, os ricos dão donativos.
Até aí tudo bem. O pior é quando o pobre torna público o seu contributo para se armar em rico.
Um abraço de mão fechada

lumadian disse...

Conclusão, andamos todos a viver na miséria para passarmos por ricos ajudando os outros.
É ridiculo!

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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