29 agosto 2008

Mais autoritarismo ainda

Como anarquista, luto contra o poder instituído e contra o Estado, tendo em vista construir uma sociedade mais livre e democrática. Desta forma, não tenho hesitado em denunciar todas as artimanhas usadas pelo governo e diferentes órgãos de soberania, partidos políticos incluídos, no sentido de impedir a construção dessa sociedade por que anseio. O anarquismo bombista já teve a sua época. O anarquismo moderno, tal como o entendo, utiliza as armas dos conceitos e das ideias para fazer valer os seus pontos de vista. Esta é a minha forma de luta.

Vem esta introdução a propósito do facto de o Portas ter defendido ontem o recrutamento especial de 4000 efectivos para a GNR e PSP, a instalação de videovigilância nos “bairros problemáticos” e o cumprimento integral de penas nos crimes “mais graves” como formas de combater a criminalidade violenta. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu Contracorrente, retirada do jornal Publico.pt, para que possam ter uma ideia mais completa do contexto em que estas afirmações foram produzidas.

Finalmente, uma direita assumida! Porque o PSD tem andado, nesta matéria da criminalidade violenta, muito brando para com este governo de bloco central que, no fundo, gostaria de ser. Ora, o governo socialista não tem andado com meias-medidas no que diz respeito à segurança interna, reforçando o papel do Executivo em matérias que deveriam pertencer ao Judicial, como é já do conhecimento geral. E então, não é que vem a direita, ainda, exigir mais autoritarismo de um Estado que já dispõe dele em abundância? Esta manobra da direita mais não fará do que permitir ao Sócrates dizer o quão democráticos os socialistas são, afinal.

4 comentários:

Savonarola disse...

Venho aqui, simplesmente, seguir os vossos comentários. Obrigado.

A. João Soares disse...

Caro Savonarola,
Compreendo a sua crítica ao aumento da segurança, do maior controlo das pessoas que acarreta o cerceamento das liberdades da gente boa. Compreendo a reacção primária do Portas, mas não posso aprová-la. Aquilo que propõe pode parecer uma solução para curto prazo, mas torna-se altamente explosiva a médio prazo, pela escalada da violência e da repressão, coisa que era muito estudada na estratégia nuclear durante a guerra fria, cerceia a liberdade geral, mas deixa intactos os factores geradores da violência, que é a total ausência de valores cívicos e a injustiça social.
Portas reagiu como qualquer popular mais afectivo e menos esclarecido. Seria de esperar mais de um político que gosta de aparentar inteligência.
Quanto às polícias, o problema não está na quantidade, mas na qualidade e na forma como está organizada. Há muitos agentes sem a formação adequada e ocupados em funções administrativas e burocráticas, em vez de actuarem como agentes da ordem. Outro factor é a má utilização dos equipamentos, em que a informática, do choque tecnológico, nem sequer permite uma boa utilização da informação obtida por todas as polícias para multiplicar o resultado do trabalho realizado por qualquer delas. Basta ler os jornais para detectar o amadorismo da organização e do funcionamento, apesar de o MAI ter descido ao papel de chefe de esquadra a ensinar como se faz uma escala de serviço!
Mas, além do que vem ao conhecimento público, haverá muitas mais deficiências, coisa que se espera seja melhorada pelo futuro Superpolícia!
Abraço
João

Mac Adame disse...

Li a notícia. E não é que o Portas tem razão?

A. João Soares disse...

Caro Mac Adame,
Em parte Portas tem razão, mas o problema é mais profundo. Ontem estiveram mil polícias em todo o Pais a fazer rusgas e detiveram muita gente, com armas, com droga, etc. Pergunto porque não têm feito isso com mais frequência para evitarem, que a insegurança chegasse ao ponto em que está? Uma possível resposta. É que os maus distraíram-se a assaltaram o escritório do advogado Vitalino Canas. E, tendo tocado num politico do partido do Governo, as forças da segurança foram activadas.
Já em 1983, as FP25 andavam a fazer tropelias de gravidade, mas nada se lhes opunha. Mas quando mataram o administrados da Fábrica de Louças Sacavém, amigo do PM Mário Soares, foram activadas todas as forças para meterem à sombra todos os elementos das FP25. Agora faltava um pretexto para activar o Governo. Apareceu, provavelmente por distracção dos «maus». Portanto, há polícia suficiente e mais poderá haver se a quase metade que não sai dos gabinetes por causa da burocracia exagerada a eficiência aumentará. Também haverá mais eficiência quando souberem utilizar melhor as potencialidades das tecnologias modernas, havendo informação centralizada para todas as polícias.
Mais do que de quantidade, é preciso organização e treino na boa utilização dos meios existentes.
Um abraço
João

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