11 setembro 2008

Salvador Allende e o golpe no Chile Lembrando este mês...

… Salvador Allende:

Os últimos dias de Salvador Allende e do Governo de Unidade Popular
O presidente do Chile, Salvador Allende, declarou logo após a sua eleição:
“A história ensinou-nos que os grupos ultra-revolucionários não desistem do poder e lutam para conquistá-lo”.
Esta previsão, feita três anos antes, veio a tornar-se realidade no dia 11 de Setembro de 1973, data do golpe sangrento comandado por Augusto Pinochet.

4 de Setembro de 1972:
Salvador Allende denunciou, em vão, nas Nações Unidas, as tentativas norte-americanas de destabilização do Chile. A situação económica tornou-se catastrófica. O povo protestou em manifestações turbulentas. A organização da extrema-direita "País e Liberdade" tornou-se violenta. As mulheres protestaram contra a falta de alimentos básicos. Os camionistas organizaram um boicote na estrada, bloqueando o tráfego com milhares de camiões. A economia entrou em rotura...
11 de Setembro de 1973:
Em 11 de Setembro de 1973, as forças armadas chilenas, comandadas pelo general Augusto Pinochet e com o apoio e financiamento dos Estados Unidos, derrubaram o governo de Unidade Popular de Salvador Allende, democraticamente eleito 3 anos antes.
Neste dia e apesar dos vários pedidos feitos ao presidente Allende para renunciar ao cargo (e até lhe ofereceram, a ele e à sua família, refúgio no exterior!), este não aceitou a proposta dizendo, num discurso difundido pela rádio, na manhã de 11 de Setembro de 1973:
“ (…) Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão-de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o Povo! Viva os Trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a cobardia e a traição."
(Últimas palavras de Salvador Allende à Nação, Pouco minutos passavam das 9 horas, da manhã do dia 11 de Setembro de 1973).
Cercados no palácio presidencial e bombardeados pela Força Aérea, Allende e alguns colaboradores leais resistiram de armas na mão. Foram todos mortos em circunstâncias até hoje desconhecidas.
O exército chileno - liderado por Augusto Pinochet - não teve qualquer humanidade com os militantes do Partido da Unidade Popular. A repressão militar foi vingativa e intolerante.

Trinta mil pessoas foram assassinadas e mais de cem mil pessoas presas e torturadas.

Foram 17 longos anos que durou a ditadura de Pinochet. Este morreu em Dezembro de 2006 sem nunca ter sido julgado pelos seus crimes.

Homenagem ao Povo do Chile

Foram não sei quantos mil operários trabalhadores mulheres ardinas pedreiros jovens poetas cantores camponeses e mineiros foram não sei quantos mil que tombaram pelo Chile morrendo de corpo inteiro. Nas suas almas abertas traziam o sol da esperança e nas duas mãos desertas uma pátria ainda criança. Gritavam Neruda Allende davam vivas ao Partido que é a chama que se acende no povo jamais vencido.- o povo nunca se rende mesmo quando morre unido.Foram não sei quantos mil operários trabalhadores mulheres ardinas pedreiros jovens poetas cantores camponeses e mineiros foram não sei quantos mil que tombaram pelo Chile morrendo de corpo inteiro. Alguns traziam no rosto um rictus de fogo e dor fogo vivo fogo posto pelas mãos do opressor. Outros traziam os olhos rasos de silêncio e água maré-viva de quem passa uma vida à beira-mágoa.Foram não sei quantos milo perários trabalhadores mulheres ardinas pedreiros jovens poetas cantores camponeses e mineiros foram não sei quantos mil que tombaram pelo Chile morrendo de corpo inteiro. Mas não termina em si próprio quem morre de pé. Vencido é aquele que tentar separar o povo unido. Por isso os que ontem caíram levantam de novo a voz. Mortos são os que traíram e vivos ficamos nós. Foram não sei quantos mil operários trabalhadores mulheres ardinas pedreiros jovens poetas cantores camponeses e mineiros foram não sei quantos mil que nasceram para o Chile morrendo de corpo inteiro.
José Carlos Ary dos Santos

1 comentário:

Zé Povinho disse...

35 anos depois de um golpe contra a democracia, é importante recordar que as ameaças ainda estão por aí, e não acabaram com o Pinochet.
Bom fim de semana
Abraço do Zé

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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