24 abril 2009

35 ANOS DEPOIS, URGE A MUDANÇA...

Foi, faz hoje, 35 Anos, que as Forças Armadas Portuguesas, pelo então denominado movimento MFA, liderado por Otelo Saraiva de Carvalho, Salgueiro Maia, entre outros, pôs cobro a uma ditadura duradoura de mais de 40 e tal anos, primeiro pela mão de António de Oliveira Salazar, depois por Marcelo Caetano, este último tendo-se exilado no Brasil, após o golpe do dito movimento, apoiada por milhares de populares, sedentos de liberdade. Eu nesse dia, estava a escassos 24 dias de completar 2 anos de idade, e alheio ao que se passava, como era normal para uma criança daquela idade. No entanto, por tradição familiar, e por formação ideológica, sinto-me um cidadão de Abril, sinto-me livre, e só seremos verdadeiramente livres, se nos sentir-mos como tal.

Hoje, passados estes 35 anos, muita coisa mudou, basta ouvir os meus pais, avós, e amigos que viveram intensamente, da direita à esquerda, os conturbados dias do pós 25 de Abril de 1974. Seguiram-se as nacionalizações (hoje também se nacionalizam os prejuízos, veja-se o caso BPN) dos lucros e do grande capital, dando ao povo a hipótese da DEMOCRACIA, fazendo jus ao nome, de se governar, o PREC, que depois foi deposto com o 25 de Novembro, mas conseguiu-se algo de muito bom, do mal que também se conseguiu, que foi a LIBERDADE.

O mal, salta à vista, nem preciso de enumerar, basta olharem à volta, a indústria, as pescas, a agricultura, etc. onde páram? Que é feito delas? Foram dadas aos filhos e netos, das tais vinte a tal famílias da Élite, da cúpula, Maçons e Opus Dei, que sempre mandaram cá no nosso Jardim. Demos a LIBERDADE para nos roubarem, para nos tirarem a Justiça e a educação, dois pilares fundamentais para um estado de direito, seja ele democrático, ou outro coisa qualquer que é este o nosso. Vamos ter de fazer o contra golpe, o contra golpe do 25 de Novembro, esse que deu de volta ao fascismo, aquilo que os militares deram ao povo no 25 de Abril de 1974. Se ainda vamos a tempo? Não sei, sei que urge a mudança.

Carlos Rocha (Beezz) "Hasta La Vitória, Siempre!"


Deixo-vos, para terminar, um texto de António Barreto, que saiu no Jornal Público, e que não me recordo agora da data, para que não esqueçamos, os nossos verdadeiros problemas, e nos dar alento de LUTAR.

"Sócrates, o ditador' por António Barreto

A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à Autarquia se ter afastado do Governo e do Partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal, ao ponto de, com zelo, se exceder:
Prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos. Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado?
Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda. Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino é pura diversão. Não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais.
«Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente.»
Mas tratava-se, politicamente, de uma questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá. O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário, Crispado, Despótico, Irritado, Enervado, Detestando ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas ou antes combinadas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações. Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade."

3 comentários:

Ana Martins disse...

Caro Beezz,
P A R A B É N S pela força e coragem que transmite ao publicar este post.
Estou completamente de acordo consigo, o Beezz tinha dois anos, eu 10, também nada entendia, mas hoje revolta-me sentir que a liberdade conquistada na época, está totalmente defraudada.
Acho que ainda hoje há muito quem não saiba o que é a liberdade, tudo se confundiu e hoje temos um País de ladrões, vigaristas e assassinos.

Beijinhos,
Ana Martins

Mário Margaride disse...

Amigo Carlos

Muita coisa errada se fez após o 25 de Abril de 1974, que defraudou o povo português. Este casos aqui relatados, são uns entre muitos e muitos que ao longo deste 35 anos foram acontecendo neste país.

Que Abril nunca morra!

Abraço forte!

Mário

Beezzblogger disse...

Caros amigos, Ana e Mário, dois poetas, que eu admiro, quer pela espontaneidade, quer pela verdade dos seus poemas. Mas os poetas, são realmente a força da voz de Abril, e um dos muitos que admiro, é o saudoso Ary dos Santos, e que palavras ditas, deixou mais de 600 poemas para canções.

Relembro este:

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegada poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
De fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia !
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

in SANTOS, Ary dos. - Resumo. Lisboa, 1973.

Para que Abril, não morra, VIVA ABRIL.
"Hasta la vitória, siempre!"

Beezz

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