14 abril 2009

QUE MALDITOS OLHOS, OS MEUS!

Já não sei o que os meus olhos vêem,
Se saudade, se bondade, se maldade,
Sinceramente, não sei o que é que têm,
Perderam a noção da visibilidade?

Estarão cegos, mas pensam ver alguém?
Olham, mas notam nacos, grandes e pequenos,
Estão baralhados e perdidos, mas serenos
Ou olham mas não crêem no que vêem?

Que dó, eu tenho dos meus olhos…
Será que algum dia os meus olhos viram bem?
Fortunas, dizem-me eles, aos molhos…

Mas mais miséria, dizem-me, também,
Miseráveis de espírito, hoje, são donos,
Ricos de espírito, hoje, não são ninguém.

David Santos

6 comentários:

Beezzblogger disse...

Espectacular! Amigo David, este tem aquele gostinho...

Abraços do Beezz

Ana Martins disse...

Caro amigo e colega David,
desconhecia completamente a sua veia poética, uma bela surpresa devo confessar!

Quanto ao soneto, um verdadeiro hino de alerta critica à podridão do nosso país... Gostei, parabéns!!!

Beijinhos,
Ana Martins

victor simoes disse...

Amigo David, os nossos olhos vêm muito, sobretudo quando a experiência de vida se alicerça no conhecimento, essa é a vantagem que faz a diferença, entre olhar com olhos de ver e olhar sem saber ver!
Ás vezes também só vemos o que queremos e o que nos perturba rejeitamos.
Gostei da mensagem...

Um abraço

ausenda disse...

Olá

Gostei muito do soneto! Com um cheirinho a ironia.

A verdade é que os malditos olhos nossos só vêem o que querem ver!!!

Abraço

Marcela Isabel Silveira CRN2: 6225P disse...

Muito bonito adorei!!
Parabéns!!
Um abraço!!!

Maria Faia disse...

Excelente composição poética esta, que diz bem bábara sociedade que criamos e alimentamos.

"Mas mais miséria, dizem-me, também,
Miseráveis de espírito, hoje, são donos,
Ricos de espírito, hoje, não são ninguém."

São estes miseráveis de espírito, consumidos pela ganância e amargura interna, que, com seu toque quase profético, quebram laços e valores, transformam o belo em desprezível e, no fim, nada mais são que pó. As riquezas acumuladas de nada lhes servirão e aos seus semelhantes faltarão em doses de equidade e justiça social.

Cordiais saudações,
Maria Faia

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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