27 setembro 2007

TRAVAR PARA PENSAR

Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riquez a.

A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais,
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cercade 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País.
Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).
Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

CABE ao Governo REFLECTIR.

CABE à Oposição CONTRAPOR.

CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!

2 comentários:

Beezzblogger disse...

Excelente texto, minha amiga Naty, gostaria ainda de dizer o seguinte, questionando:
- Porque é que, nos países escandinavos, as populações, não tem vergonha, ou outro qualquer preconceito, em colocar exposto nas portas das suas residências, os impostos que pagam, as ajudas que recebem, e outras informações de carácter pessoal relacionado com os deveres dos cidadãos para com o estado? Alguém me sabe explicar?

É uma questão de mentalidade, a nossa é pobre, muito pobre, a deles é rica, muito rica.

Beijos do Beezz

A. João Soares disse...

Parabéns à Naty por este bom este que aqui escreveu.
Quando Sócrates visitou a Finlândia, fiquei esperança que trouxesse de lá o modelo de desenvolvimento que os finlandeses usaram para dar um grande passo em frente qu é exemplar.
Mas, com a tendência nacional da ostentação para sobrevalorizar algo que se tenha e para ocultar as carências que nos afectam, gasta-se o pouco dinheiro que produzimos em fantochadas sem real utilidade. Até a Igreja está a ir por esse caminho com a caríssima construção de um local de culto em Fátima. Aqui foi seguido o «belo» exemplo de um país da África ocidental, em cuja inauguração o Papa João Paulo II se sentiu incomodado com tanto espavento num País de gente pobre. Tal como Portugal... estamos em boa companhia!!! Seguimos bons exemplos!!!
É preciso que o povo reaja contra os abusos do Poder... mas o povo está anestesiado e ele próprio contribui, como acontece em Fátima.

Abraço
AJS

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