16 abril 2007

O TACHO

Como anarquista, este mundo nunca pára de me surpreender. Naturalmente que me refiro às esferas do poder porque, quando a tudo o resto, umas vezes surpreendo-me, outras não. Contudo, há um microcosmo político muito especial onde, neste país, surgem as coisas mais mirabolantes: o das autarquias locais. Confesso que lamento este facto, na medida em que o anarquismo deposita grandes esperanças no poder local. Só que.. não é no português com certeza!

Ora, acontece que a Polícia Judiciária está a investigar a contratação de assessores políticos e técnicos por parte dos vereadores e partidos da oposição na Câmara de Lisboa. Conforme tive ocasião de informar nesta notícia que publiquei no Contracorrente, em causa estão suspeitas de eventuais “ilegalidades na contratação do elevado número de assessores, abuso de poder e falsificação de documentos para pagar horas extraordinárias a avençados que nunca puseram os pés na Câmara”, segundo afirmou fonte da PJ. Em Julho de 2006, existiam, segundo o próprio presidente de Câmara, o Carmona Rodrigues (na foto), 152 assessores, cuja despesa anual rondava os 2,9 milhões de euros!

Francamente, desejo os melhores sucessos - e... boa sorte! - à PJ nesta investigação, para que alguma coisa possa ser feita. Digo-o porque as artimanhas do poder são inúmeras e é enorme a sua capacidade de mascarar as situações mais escandalosas. Apesar do 25 de Abril e da Constituição da República Portuguesa, o poder em Portugal continua a viver, ainda e sempre, do mesmo. Do que o povo sempre chamou o TACHO!

(Publicado originalmente n' O Anarquista, a 10 de Março de 2007)

1 comentário:

A. João Soares disse...

Caro Savonarola,
Felizmente muitos assessores «nunca puseram os pés na Câmara, segundo afirmou fonte da PJ». E digo felizmente, porque eles, tendo sido nomeados «por confiança política» e não por competência, como, há tempos foi dito por uma vereadora da CML, só fazem asneiras, e não indo lá são menos asneiras que são feitas.
Portugal sofre de vários males ao nível das governações central e locais: demasiados professores universitários, teóricos, a tratar de casos reais, muitos da área do direito que têm a obsessão de fazer leis demasiado perfeitas que acabam por ser inúteis, ambições e vaidades que encarecem o funcionamento da máquina estatal e a tornam vazia de conteúdo. A isto está ligada a teimosia de manter a asneira que, por vezes apoiam em estudos numerosos e caríssimos, encomendados para apoiar a decisão controversa (caso da Ota) e não para procurar escolher a melhor de todas as soluções possíveis em consequência de uma comparação imparcial e objectiva das qualidades e defeitos de cada uma.
Mas eles pretendem governar-SE e não governar os interesses públicos, de todos, nacionais.
Um abraço

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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