26 janeiro 2007

«SEQUESTRO» CONFUSO

Na vida é raro haver qualquer coisa com apenas uma face bem clara e definida, tudo apresentando, no mínimo, o anverso e o reverso e, na maioria dos casos, aspectos poliédricos. Quem, por deficiência de informação ou por intenção facciosa, apenas vê uma face, pode emitir opinião menos completa ou mesmo aberrante.

No caso tão falado do «sequestro» de uma menina pelo «pai adoptivo», a confusão foi grande, porque a comunicação social procurou dar mais ênfase aos sentimento morais do povo, em que se incluíam pessoas de destaque na sociedade e alguns juristas, do que aos aspectos jurídicos seguidos pelo tribunal colectivo. Este, como a Justiça é cega e procura fazer cumprir a lei, ignoraram os aspectos sentimentais e o senso comum, ao contrário do povo.

Tive a sorte de hoje encontrar um juiz conselheiro conhecido desde 1959, no serviço militar e que há muito não via e, a meu pedido, explicou-me este fenómeno que comparou de certo modo com o que se passou nas últimas eleições autárquicas, em que presidentes de câmara que se encontravam sob a alçada dos tribunais mereceram os votos do povo que lhes deu a vitória para novo mandato. O desprezo pela lei e pelos tribunais não é factor negligenciável para a evolução de um País. Realmente, a confusão é grande e a sociedade, em geral, está muito doente, ao desrespeitar os tribunais.

Ao escrever o texto http://joaobarbeita.blogspot.com/2007/01/o-sequestro.html, aqui colocado em 070118, inclinava-me para apoiar o pretenso «pai adoptivo», o que ia ao invés do ponto de vista do tribunal colectivo que o condenou, em conformidade com a lei que interpretou. Dou a mão à palmatória e deixo aqui uma débil explicação da confusão do fenómeno em que se confrontam os sentimentos populares com a frieza das leis, que por vezes poderão ser incoerentes e inadaptadas às realidades, necessitando de ser revistas e ajustadas às circunstâncias actuais.

2 comentários:

MRelvas disse...

Caro João Soares.
Eu fui o primeiro aqui a colocar um texto emotivamente levado pela onda da comunicação social.Mas eu não tenho as responsabilidades colectivas e nacionais que algumas pessoas têem neste país e que sem se informarem aceitaram assinar a petição do sargento Luís (o habeas corpus) fará sentido hoje?Este caso tem contornos que ainda hão-de ser melhor explicados sobre a mãe biológica...

Isto demonstar que o povo português,todos nós temos do sentimento de impotência sobre a justiça,não acreditando nela porque temos razões para isso.

Pergunto-lhe com isto deixou-se de falar n apito dourado e na casa Pia...o envelope 9 caiu no saco do esquecimento?A recente fuga de informações da Procuradoria Geral adjunta Maria José Morgado vai ser investigada...por estas e por outras nós acreditámos que mais uma vez se não estava a fazer justiça.

Amigo João Soares aproveito para lhe dizer que os textos têm algumas deficiências gráficas. Deverá ver o que se passou ao copiar o texto para o editar aqui na voz.

Um abraço

Mário Relvas

A. João Soares disse...

Amigo Relvas,
Obrigado pela sua atenção de visitar e comentar estes textos. Na realidade, o País sofre de uma infecção generalizada que carece de uma terapia complexa, difícil, e para a qual será demorado encontrar a medicação adequada. Os tribunais funcionam mal, com visível parcialidade sem reagirem da melhor maneira às pressões estranhas. A independência dos poderes está mal definida ou é inexistente na realidade. Por outro lado, a população encara tudo de forma pouco racional, preferindo ser levada por ondas emocionais, o que é fértil seara para as ervas daninhas da Acção Psicológica, Propaganda, mentiras intencionadas, promessas falsas, etc. Sendo assim o povo, aqueles que dele saem apresentarão os sintomas da doença generalizada.
Espera-se que os menos dóceis, usem abundantemente a sua racionalidade e espírito crítico, para bem da Democracia Portuguesa, isto é para bem de todos nós.
Neste texto há uma separação maior entre palavras devido à justificação do texto e ao facto de «palavra» seguinte ser muito grande
Um abraço
A, João Soares

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