03 janeiro 2007

Cultura???

Recentemente li uma pequena notícia que me deixou atónito. Um grupo de cidadãos se preparava para pedir (ou já haviam pedido) uma providência cautelar contra a passagem para domínio privado da sala de espectáculo Rivoli. Toda esta “revista à portuguesa” começou quando alguém com base nos mais diversos motivos, decidiu encerrar aquele espaço por falta de viabilidade. Toda esta história deixou-me uma espécie de comichão atrás da orelha, daquelas que provoca incomodo o dia todo.
Foram ocupadas instalações, foram impostas ordens, foram encurralados, encurralaram usando da força, todos do seu lado da barricada.
Quando alguém escolhe a sua profissão, independentemente de ser ou não para o “resto da vida”, deve saber à “priori” todos os riscos que dai advêm; logo quando um actor, um director artístico, um coreografo entre muitos outros, o escolheu ser, terá que ter consciência de tudo o que possa acontecer.
Todas as empresas são obrigadas a terem lucros, este é o ponto fulcral de uma empresa, sem lucros uma empresa não pode existir como tal. Não deverá ser pelo facto de serem da área da cultura que devem ser diferentes. O estado/câmara municipal não deverá ser obrigado a manter/sustentar um espaço público que apenas apresente sucessivos prejuízos para o orçamento que o suporta.
Se são empresas que usufruem daquele espaço então devem comportar-se como empresas e não como simples intermediários para obtenção de subsídio e regalias (!?). Tal como uma empresa não deve ter a obrigação de manter um empregado (independentemente do seu posto ou estatuto) sem que este traga benefícios para a respectiva empresa.
Queixam-se de não terem público. Porque será?
Também eu já assisti a inúmeros espectáculos dos mais diversos estilos e também eu (como muitos) nos sentimos um tanto ou quanto incomodados com a qualidade dos espectáculos, sentindo-me por vezes um autêntico “anormal” e “inculto” perante as peças apresentadas. Peças unicamente criadas por eruditos e dirigidas a eruditos. Ainda hoje tento perceber algumas delas.
Como em qualquer empresa, sempre que algum produto não funciona perante o publico, esse mesmo produto deve ser modificado ou banido, dando lugar a produtos mais fiáveis perante o publico em geral.
As produções do La Féria podem até ser muito ao estilo de musical da Broadway, brejeiras para alguns e muito pimba para outros, um pouco como a “floribela”; mas é esse tipo de espectáculos que apresentam lucros que suportam todo o sistema financeiro. Esperem para ver se “La Feria” resulta, só depois e perante os resultados é que devem ou não começar os linchamentos em praça pública.

Muito ainda ficou por dizer.
Fiquem bem.
D. Araujo

5 comentários:

Beezzblogger disse...

Caro amigo e contributor Da voz do povo, devo-lhe dizer que discordando consigo o felicito pela descrição de factos que aqui trouxe, pois de alguma maneira se sentirá lesado no seu íntimo para se exprimir assim.

Eu discordo, porque, este nossos governantes se tem alienado de tudo, ele é dos teatros, do cinema, dos hospitais, das escolas, das maternidades, da funçaõ pùblica, etc., etc. E muito mais estão a pensar em alienar, basta ver o que para aí vai de medidas anti-sociais que são tomadas, quer a mais recente?

Então cá vai, o crédito bonificado, deixou de ser de 1,5% para passar a ser 0,5% sobre a Euribor, demitindo-se o estado assim das suas obrigações sociais consagradas na constituição da Republica.

Tenho Dito, muito mais fica por dizer.

Abraços do beezz

Mário Margaride disse...

Concordo que devem ser feitas peças teatrais que vão ao encontro do grande público, sem dúvida nenhuma! E que não devemos ser nós, com os nossos impostos, a pagar a essas pessoas, para fazer peças onde assistam meia dúzia de gatos. E com espectáculos de qualidade duvidosa! Agora...se o processo fosse bem conduzido. Não se assistia aquele "teatro" todo das barricadas. Porque ouve talvez, por parte da Câmara do Porto, alguma prepotência.

Um abraço
M.Margaride

MRelvas disse...

Caro D. Araújo, bem vindo.

Há poucos dias aqui escrevi em comentário a um post do amigo Victor Simões, sobre este tema.

Eu sou dos que diz que durante anos andámos a sustentar indivíduos que baseados na sua ineficácia,mas erudição (bolas para ela), queriam subsídios para coisas mal feitas, sem qualquer objectivo de trazer público às salas.

Rui Rio disse que as colectividades,os teatrinhos,passavam a vida a correr para a CMP e a pedir subsídios que eram atribuídos arbitrariamente até para que os deixassem em paz.

Efectivamente ninguém se preocupava com nada,o dinheiro não era deles,mas sim nosso,dos nossos impostos.Um dia acabariam e os empréstmos bancários afundariam as câmaras.

Sei que os munícipes não olham à razão económica,pois durante anos foram enganados e agora aparece um tipo que diz - não à mistura com o futebol,não ao esbanjamento de dinheiros.Sim ao cumprimento de horários e fim de pontes (ele também foi trabalhar)e o povinho desconfia...

Bons são os que dão cabo de tudo e depois nem Rivoli nem PORTO.Tudo pertence aos bancos,os verdadeiros senhores de Portugal,por culpa das políticas sem nexo a favor de tudo e de nada!

Um abraço e força!

Seja qual o tema ou opinião!

SEM AMARRAS!

Mário Relvas

victor simoes disse...

Bem vindo, aos "post's" amigo Araujo! Não sou contra que se acabe, com o que não presta! Nem sou dos que finca pé, pela mudança. Ás vezes é preciso, fazer rupturas para se conseguir, mudar algo, e melhorar.
Bem o que eu sou contra, é a forma grosseira e arrogante de alguns peseudo-democratas! Que na verdade, são pequenos ditadores, na sua quintinha!

Um grande abraço e mais uma vez, bem vindo a este espaço.

A. João Soares disse...

Caros Amigos, Um bom tema para meditar.
O preto e branco, sem o cinzento não retrata uma realidade. Estou com o Amigo Victor Simões. Por um lado, um bom produto é remunerado na bilheteira. «O cliente tem sempre razão» e é o juiz útimo do valor do produto. Mas é preciso apoiar tentativas de evolução, de experimentação, devendo estas ser excepções moderads nos números.

O erro nacional é que os políticos têm receio de se descobrir que são ignorantes, e, devido a esse complexo, não sabem dizer NÃO à propostas que aparecem embrulhadas com papel de cultura, de ciência, da ecologia, da arquelogia, de onde têm resultado grandes prejuizos paa o País, como já afirmei, com exemplos, nestas páginas.

Devemos discutir em profundidade e com abrangência estas anomalias e incongruências dos que lidam com os dinheiros públicos. Se o não fizermos, contnuaremos a apertar o cinto até ficarmos todos asfixiados, excepto os beneficiados com o vício do sistema em que nos encontramos inseridos.
Abraços
João

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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