17 agosto 2006

As multinacionais e os consumidores

Há movimentos a aliciarem os consumidores a rejeitar os produto das multinacionais que saíram do País. Não me parece lógico, porque um comportamento motivado por desejos de vingança ou maldade não está fadado para ter êxito, sendo preferível agir com objectivos positivos, de bondade, de que resulte benefício para o próprio e para outros. Este movimento acusa as multinacionais de pretenderem obter grandes lucros à custa de mão-de-obra barata. Ora, essa intenção já existia quando elas estavam em Portugal e, então, se elas são más, porque se lamenta a sua saída? Há qualquer coisa errada na argumentação.

O consumidor, para agir racionalmente, pela positiva, deve procurar defender os seus interesses comprando apenas os produtos de que necessita, sem ir atrás de publicidade duvidosa e procurar as melhores condições de preço e qualidade. Qualquer grande empresa procura lucros, sendo essa a sua finalidade essencial, e, para isso, deseja ter custos mais baixos nos factores de produção, produzir com a melhor qualidade, vender muito e ao mais alto preço que o mercado permita. Contra isto nada se pode fazer.

Outro aspecto a considerar, e esse é grave, é o dos postos de trabalho que desaparecem com a deslocalização. Mas só é de lamentar que o trabalhador não possua saber geral e capacidade técnica que lhe permita trabalhar com grande eficiência, adaptar-se sem dificuldade à modernização e à inovação, por forma a poder mudar de ramo de actividade em caso de necessidade ou de conveniência, à procura de melhores condições. Quanto a isto, há que apontar o dedo ao Estado que encerrou as antigas «Escolas Comerciais e Industriais» e aos sindicatos que não estimulam os seus associados a aumentarem os seus conhecimentos técnicos para darem à empresa melhor colaboração e merecerem melhores salários e para poderem mudar de emprego sem dificuldade. Conheço exemplos muito positivos das vantagens da preparação profissional e das consequentes melhorias através de mudanças de emprego. A propósito, há cerca de dois anos, um empresário espanhol instalou em Trás-os-Montes uma empresa de exploração e industrialização de granito. Quando o jornalista lhe perguntou quantos postos de trabalho ia criar para os transmontanos, respondeu que a mão-de-obra seria toda espanhola, o que aparentemente lhe traria custos mais elevados mas mais vantagens reais por assim obter maior produtividade. Isto merece reflexão, mostrando que a vantagem das empresas não está nos salários baixos, mas na melhor produtividade, na qualidade do trabalho.

3 comentários:

victor simoes disse...

Na minha modesta opinião, não me parece que a falta de produtividade, seja devido ao tipo de mão de obra, ou melhor aos trabalhadores, até porque os portugueses, que no estranjeiro trabalham, são tidos como bons trabalhadores.
Considero sim, o atraso estrutural das empresas portuguesas e o défice de formação profissional, como factores de inibição.
Eu trabalho numa empresa, que mesmo nestes últimos anos, têm crescido acima até das expectativas, é uma empresa que aposta na formação profissional dos trabalhadores, investigação e desenvolvimento, modernização dos meios de produção, é certificada em Qualidade e Ambiente e prepara a certificação em Segurança no Trabalho, tem sido das mais produtivas e lucrativas, situando-se no ano passado no 34º lugar das 1000, mais rentaveis de Portugal.
E porquê? Pelo investimento no capital humano! Adopção de tecnologia, no âmbito da melhoria contínua, aposta na qualidade...
Não são os trabalhadores portugueses, que são improdutivos e muito sinceramente, como os mesmos meios e ferramentas, não acredito, que os portugueses, fiquem atrás de outro qualquer povo em termos de produtividade.

Mário Margaride disse...

Penso que não se trata de falta de produtividade, ma minha opinião, o que motiva a deslocalização. Será todavia o nosso código de trabalho um pouco rígido, que condiciona a reestruturação dessas empresas, por um lado, por outro lado, os salários já não serão tão atractivos, para as multinacionais!
Daí, que procuram países emergentes como os novos países do Leste Europeu, exemplos: República Checa, Eslováquia, e outros. E também no norte de Áfica, como por exemlpo: Mrrocos. Onde nesses países se ganha um terço do nosso salário médio, essa para mim, é que é a questão cental!

A. João Soares disse...

Parece que não estamos em desacordo. Quando falo em mão-de-obra, refiro não propriamente a quantidade, mas a qualidade, que o meu amigo refere quando fala em formação profissional, organização estrutural da empresa, com um enquadramento adequado e uma valorização dos recursos humanos não só na base mas também nos vários níveis da estrutura. Paralelamente aos recursos humanos bem preparados e motivados com base em boas condiões de trabalho, está a modernização, a capacidade de inovação, a cultura da excelência que coloque a empresa no topo. Um trabalhador sentir-se-á mais motivado e produzirá mais quando pertence a uma empresa que é líder do mercado ou se aproxima dessa posição.
As multinacionais são úteis ao País porque fomentam a qualidade da produção por interesse próprio e de que beneficiam os empregados e o País em geral. Devem no entanto ser vigiadas para cumprirem as suas obrogações fiscais e perante os empregados.

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