26 agosto 2006

Portugal no Líbano?

O governo português encontra-se a avaliar o possível envio de tropas portuguesas para o Líbano ao serviço da ONU como força de interposição de paz. Acontece que aquele TO (teatro de operações) não é semelhante aos outros onde até aqui Portugal tem estado e está. As forças portuguesas estão em esforço para manter os TO em que se encontram empenhadas. Desde o Afeganistão, aos Balcãs (Bósnia e Kosovo), em Timor, no Congo e outras pequenas participações como consultores militares e policiais.
No sul do Líbano existe um cessar fogo que parece ser mais aparente do que certo, podendo a qualquer momento eclodir a guerra de novo. Há constantes violações ao cessar-fogo.
Quem conhece a guerrilha sabe que Israel não obteve qualquer vitória e que mantém a sua intenção de progredir no terreno, enquanto o hezbollah se remunicia, se reposiciona e prepara a pior de todas as guerras, a guerrilha. Qualquer cidadão pode ser membro das forças de guerrilha do hezbollah pois a guerrilha é isso mesmo, a mistura e camuflagem dos seus membros na comunidade civil. Aqui funciona a AP (acção psicológica) que informa a seu belo prazer e mina as populações, na África portuguesa soubemos o que isso é, pois as info e c/info (informações e contra-informações) são da mais importante relevância. O IN (inimigo) praticou-o e as NT (nossas tropas) fizeram-no em força perante a população civil. A guerrilha não identifica os seus soldados tornando-o num IN mais ou menos definido.
Qual a força que terão os militares da ONU? Para haver uma força de interposição de paz é sempre necessário que as duas partes beligerantes aceitem respeitar o acordo, que no caso é muito ténue e qualquer membro das forças da ONU só poderá disparar quando a sua vida corre perigo iminente. Durante este conflito os cerca de 2.000 homens da ONU lá colocados ficaram no meio de uma guerra a ver passar os aviões e até foram atingidos por Israel que argumentaram um erro e pediram desculpas...
Este conflito recebeu o apoio dos Estados Unidos a Israel, todos o sabemos, mas já disseram que não enviarão tropas, bem como a Inglaterra.
Temos também de analisar que aqui nesta zona está o epicentro de uma possível guerra mundial. Israel tem o apoio dos Estados Unidos, pois tem desde sempre servido o interesse deste país na região como travão aos países islâmicos e controle do petróleo. Por outro lado os israelitas demonstram insatisfação pela paragem dos combates e dizem continuarem a sentirem-se ameaçados na Cisjordania e sul do Líbano, pelo que exortam o primeiro-ministro israelita a continuar a sua acção militar, criando uma crise interna ao líder de Israel. Por outro lado temos a Síria e o Irão, prontos a entrarem numa guerra em defesa dos povos islâmicos já de si amordaçados pelas forças ocidentais que cobriram as acções mal pensadas de Bush.
A 1ª Companhia de Comandos (150 homens) do Centro de Tropas Comandos da Brigada de Reacção Rápida colocada no Afeganistão, aguarda a sua rendição pelo 1º Batalhão de Pára-Quedistas da Brigada de Reacção Rápida há oito dias. Terça-feira passada o avião regular alugado pelo MDN espera em Figo Maduro pelos necessários vistos, nomeadamente a autorização de sobrevoo do Azerbeijão. É preciso renovar as NT que estão empenhadas, não entrando em loucuras novas. Por tal sou a favor que Portugal participe em força nas possíveis iniciativas diplomáticas e deixe de lado a hipótese do envio de tropas para um cenário que se pode revelar um descalabro para os portugueses. Não é de pôr de parte futuros ataques terroristas a países integrantes daquela força se ela se opuser com veemência, de resto de que serve ir para lá e gastar mais dinheiro que tanta falta ás forças de segurança internas.


Mário Relvas - Braga
mrelvas@bragatel.pt

3 comentários:

A. João Soares disse...

Uma apreciação muito completa e sensata que denuncia a competência no assunto de um militar de carreira ou de uma pessoa que viveu e vive com intensidade os problemas da guerra moderna em que os mlitares são os continuadores (e as vítimas) da AP. Já não é esta a apoiar as acções militares, mas o contrário. Hoje, há que evitar as guerras, sentando à mesa, primeiro com intermediários depois directamente, as partes em conflito. Mas tais negociações pressupõem vontade de chegar a um acordo que seja o melhor possível para cada uma das partes, e não que um imponha todos os seus desejos e ambições até que o outro aceite, cale, assine e cumpra. Isso não é acordo e não é duável. No caso presente tal acordo não é previsível. Os adversários de Israel não têm a creibilidade de um Estado e os Estados que estão por trás não dão a cara.
Parabéns por esta sua análise. Peço-lhe que continue a deleitar-nos e aumentar os nossos conhecimento com o seu saber e análises serenas.

Mário Margaride disse...

De acordo quanto ao não envio de tropas para o Líbano. Mas atenção! Sou contra, por uma questão de princípio! Não por ser para o Líbano em concreto. Mas para qualquer cenário de guerra! Para mim o que não faz sentido, é que os israelitas com a conivência americana, e as Milícias do Hezbolla com apoio do Irão, destruam o Líbano! E vá agora a O.N.U., de onde Portugal faz parte, com os restantes países integrantes, usando uma figura de estilo, diría! "limpar o lixo que os outros fizeram", isso para mim é que não faz sentido!

Bendix2006 disse...

Na minha opinião não deveriamos entrar em vaidades, julgo que prestígio internacional devemos ter sim, por maior desenvolvimento social, melhores índices de qualidade de vida, melhores empresas,técnicos etc. Mas não por vaidade de dizer que militarmente estamos presentes em vários cenários... estes senhores têm memória de galinha, e o ministro da defesa, enfim... o povo não é estúpido! A origem do 25 Abril, está no descontentamento generalizado devido a muitas coisas e uma delas era o esforço de guerra no ultramar... e agora, que somos os pés-rapados da Europa, por vaidade "Prestígio", foi o primeiro a colocar a hipótese de enviar tropas para o Líbano? Meu Deus, para onde vamos?
Combatam primeiro a pobreza em Portugal, criem mais bem estar social... o Povo agradeçerá!

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