22 agosto 2006

Portugueses silenciados

Nos dias agonizantes do Estado Novo, Mário Soares editou o livro «Portugal Amordaçado», o que na altura traduzia a realidade atribuída à existência da Pide. Mas hoje, a nível da sociedade comum, o ambiente não parece mais aberto. Permito-me comparar o número de comentários existentes na VOZ DO POVO, com os muito mais numerosos existentes nos blogues LAMINA DE ÁGUA e TRILHAS E TERRAS, ambos brasileiros e que gosto de visitar. Diremos que são sociedades diferentes, mas a diferença não nos favorece. Toda a gente em conversa privada de pequeno grupo de amigos emite desabafos sobre miríades de coisas que considera não estar bem, mas perante um blogue, evita fazer um comentário. Não aproveita as oportunidades de confiar nos outros os seus desabafos. Troco e-mails com várias dezenas de e-amigos; por vezes ao reencaminhar anexos, faço comentários provocantes com vista a incitar ao debate do tema, a fim de o aprofundar olhando-o de diferentes perspectivas. O resultado é desencorajador. Quando aparecem reacções raramente são superiores à unidade! Parece que as pessoas não gostam de ler, e muito menos de raciocinar, odiando desafios. Desses correspondentes, os únicos que deixaram aqui um comentário aos meus escritos foram duas brasileiras.
Em conversa com o meu amigo Manel, um indivíduo de cultura muito acima da média, tendo viajado por todo o mundo e preparando as suas viagens para delas retirar o máximo proveito em saber, e fazendo depois lindos DVD como reportagem pessoal, procurei entusiasmá-lo a consultar o blogue e deixar um comentário. Mostrou receio – segundo disse, não por ele, mas pelo incómodo que isso poderia trazer à mulher. Esclareci-o de que a sua visita não deixaria rasto e, mesmo que deixasse um comentário, poderia deixar de se identificar. Perante a minha insistência, o Manel que até tem estado muito entusiasmado com a elaboração de trabalhos de Power Point de âmbito turístico, do seu gosto, o que lhe ocupa muito tempo, respondeu que não tem tempo para fazer uma visita a um blogue. E como se conclui que quando há duas desculpas, nenhuma delas é real; neste caso, a razão não é nem a mulher nem a falta de tempo, mas sim um atavismo inconfessado, e possivelmente nem intimamente reconhecido.
E o que é mais significativo é que, estando o País em crise de valores sociais e cabendo à população em geral e a cada um em particular a recuperação, é urgente que as pessoas se abram, usem o direito à liberdade de expressão da sua indignação e de sugestões para melhorar, utilizando todos os meios ao seu alcance. Dizia um amigo que essa recuperação terá de ser feita por via da Internet, porque a imprensa escrita, tem as limitações próprias do facto de serem empresas lucrativas sujeitas a retaliações do Estado, enquanto a Internet é gratuita, tanto na circulação de mensagens por e-mail como nos blogues.
Há que desenferrujar a língua aos portugueses e pôr o teclado a trabalhar. Cada um de nós deve fazer um esforço nesse sentido, para deixarmos de ser um povo silenciado. Estou certo ou estou errado?

2 comentários:

Mário Margaride disse...

De acordo caro amigo Soares! Parece que os portugueses têm complexos de liberdade de expressão, de facto1 Ainda há concerteza algum resíduo...do antes do 25 Abril de 1974, enraízado nos portugueses. Temos que dar liberdade à nossa vóz, e deixa-la sair, liberta de amarras!

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

João Querido!!!

Estou de saída agora para um recital e não posso me alongar, mas vim te agradecer por tuas palavras e presença...

Depois voltarei com mais calma!!!

Beijinhos e ...
Gosto muito de ti!!!

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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