12 dezembro 2006

CULTURA DE ALTO NÍVEL (PROVÉRBIOS PARA GENTE CULTA!....)

Meus amigos que queremos afinal? Inventar novas maneiras para “escrever bem”, ou simplesmente escrever bem?

E o que é escrever bem?

Tal como foi referido num comentário, muito interessante quanto a mim, no blogue http://blogar.dehumanizer.com/: “Na minha opinião muito pessoal, escrever bem acarreta sempre dois pontos cruciais: o domínio naturalmente da língua e o conteúdo daquilo que se escreve. Já me tem acontecido ler coisas muito bem escritas mas com um conteúdo muito fraco e fútil e, por outro lado, já me aconteceu ler coisas verdadeiramente interessantes e inspiradoras sendo, no entando, a mestria linguística não tão boa. Mas quando essas duas coisas surgem de mãos dadas e de forma genial, estamos então perante algo digno de ser lido e relido. Eu refiro-me obviamente à literatura, essa arte suprema da escrita.”

Para tentar melhorar todo este processo de “escrever bem a língua portuguesa“ inventou-se o fenómeno TLEBS.

E o que é isso de TLEBS?

Trata-se da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário.

E será que se pode considerar um avanço adoptando o novo fenómeno da TLEBS?

Interessante será ler um fragmento de um texto escrito por Maria Alzira Seixo acerca da nova terminologia linguística, referido em http://ciberduvidas.sapo.pt/controversias/311006_6.html
“Melhorar a educação implica progresso económico que crie condições para o conhecimento, mas desenvolver a economia depende também da qualificação educativa. Aprender correctamente, com matérias seleccionadas e dadas com rigor, leva a produzir melhor, talvez não em acumulação pecuniária mas noutra ordem de bens: saúde, ambiente, civismo, cultura, tempo para fruir a vida. E a propósito de aprender bem, deve atender-se a observações públicas feitas sobre a nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) aprovada pela anterior ministra da Educação e proposta por um grupo de linguistas. Está ainda a ser testada mas regulará já os manuais escolares do próximo ano. Virão os resultados a tempo da elaboração ponderada dos livros para o ensino? Eis um dos muitos problemas que surgem.

Considerar a TLEBS mero instrumento de manuseio gramatical, como declarou, na rádio, Inês Duarte, autora da proposta e colega que muito estimo, não impede o processo reactivo a que a compreensão da Gramática vai ser sujeita, já que os nomes que damos às coisas não são inocentes, sobretudo em percepção e descrição da língua que se quer adequada e actualizada, o que incidirá no próprio corpo gramatical. Esses termos não são arbitrários e, no plano científico, cobrem a zona a que se aplicam e motivam-na também. Se a TLEBS muda, por exemplo, a designação de «substantivo» para «nome» e de «oração» para «frase», que não são conceitos coincidentes, e se se diz que sendo ambos possíveis se prefere o termo actualizado em estudos linguísticos, note-se que:

1) a Gramática, e muito menos a Língua, não são propriedade exclusiva do estudo da Linguística, ligam-se a outras disciplinas em que são cruciais: a Literatura (lugar da preservação de estruturas da língua e da consagração de modos da sua inovação) e a Filosofia, com a Lógica e a Filosofia da Linguagem;

2) não é aceitável que se proceda a alterações terminológicas segundo uma teoria específica dos fenómenos da linguagem, a perfilhada por Inês Duarte, cujo trabalho é apreciável em investigação mas, sem resultados consensuais na universidade, não é representativa para uma determinação ministerial;

3) a actualização que a TLEBS propõe tem um pensamento, o que lhe dá coesão (mas com muitas incoerências), e há que ver se esse pensamento favorece a qualificação educativa. (...)”

Como em tudo na vida existem uns que estão contra, e outros a favor, mas não podemos esquecer os pareceres de gente conceituada nesta área de escrever.

Podemos observar tal como foi referido numa notícia no DN que “José Saramago, escritor, Maria Alzira Seixo e Manuel Gusmão, professores catedráticos de Literatura e Teoria da Literatura e Eduardo Prado Coelho, professor associado de Literatura, são alguns dos nomes que compõem a lista de assinaturas do abaixo-assinado entregue ontem à Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. Em causa está a aprovação da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, a qual, segundo os linguistas e escritores, pode trazer "consequências negativas" para o ensino.”
Permitindo-me ainda citar algumas questões propostas pelo meu amigo João Soares será que:
- Esta inovação vem simplificar a aprendizagem da nossa língua-pátria?
- Torna mais simples a aprendizagem da gramática de outras línguas?
- Facilita a aprendizagem da língua portuguesa por estrangeiros?
- Contribui para a expansão da língua lusa no mundo?
- Contribui para a redução do abandono escolar?
- Quem beneficia com isto?

E agora para rematar com algum humor e ainda citando o meu amigo João Soares que se refere aos provérbios abaixo referidos (“Tão simples e claros como a TLEBS !!!”), proponho que leiam atentamente o que se segue pois embora desconheça o autor achei deveras engraçado.

“CULTURA DE ALTO NÍVEL (PROVÉRBIOS PARA GENTE CULTA!....)

Expõe-me com quem deambulas e a tua idiossincrasia augurarei. (Diz-me com quem andas e te direi quem és)

Espécime avícola na cavidade metacárpica supera os congéneres revolteando em duplicado. (Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar)

Ausência de percepção ocular, insensibiliza o órgão cardial.
(Olhos que não vêem, coração que não sente)

Equino objecto de dádiva, não é passível de auscultação
odontológica. (A cavalo dado não se olham os dentes)

O globo ocular do perfeito torna obesos os bovinos.
(O olho do amo engorda o gado)

Idêntico ascendente, idêntico descendente (Tal pai, tal filho)

Descendente de espécime piscícola sabe movimentar-se em líquido inorgânico. (Filho de peixe sabe nadar)

Pequena leguminosa seca após pequena leguminosa seca atesta a capacidade de ingestão de espécie avícola.
(Grão a grão enche a galinha o papo)

Tem a monarquia no baixo-ventre (Tem o rei na barriga)

Quem movimenta os músculos supra faciais mais longe do primeiro, movimenta-os substancialmente. (Quem ri por último ri melhor)

Quem aguarda longamente, atinge a exaustão (Quem espera desespera)”

E assim me despeço por agora desejando que apesar de todas as mudanças e desentendimentos inerentes, acabemos por nos entender nesta área do escrever bem português, pois de contrário nem sequer na língua materna remaremos para o mesmo lado.

A propósito de TLEBS visite: http://os-dedos.blogspot.com/2006/11/dedo-n-97.html

Alexandra Caracol

3 comentários:

david santos disse...

Boa Alexandra! Boa ideia. Uma grande ajuda para quem escreve. Mesmo a escrever um texto é lá dar uma saltada e melhorar o que eventualmente esteja menos bem.
Bom trabalho.
Parabéns.

Mário Margaride disse...

Olá Alexandra. Esses exemplos de provérbios, já os comheço desde criança, o cidadão mais simples, mesmo analfabeto, sabe o seu significado. É do senso comum. Isso não significa que saibam ler nem escerver. Significa apenas, que entendem o que quer dizer.
Que são coisas diferentes.
Não sei se o TEBES! Será ou não imprescindível. Agora que é preciso alterar a forma de ensinar português...é concerteza. Porque cada vez mais se formam pessoas, que não sabem, nem falar, nem interpretar o português. E isso é uma triste realidade.
Um beijo Mário Margaride

Mário Margaride disse...

Amiga Alexandra, é apenas para corrigir um erro. É que há pouco escrevi "TEBES", e claro é TLEBS!
As minhas desculpas!
Um beijo
M.Margaride.

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